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23/04/2018 10:40 -03 | Atualizado 23/04/2018 10:41 -03

Consumo exagerado de álcool pode tirar anos da sua vida, revela estudo

Tomar em torno de 175 ml de vinho ou 2,37 litros de cerveja por semana pode encurtar a vida em seis meses. Estudo mostrou a quantidade limite ideal.

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Os autores recomendam que os limites de consumo semanal sejam baixados para 100 g, ou 12,5 unidades.

Ignorar as diretrizes de consumo de álcool pode cortar anos de vida, segundo nova pesquisa. Uma análise de quase 600 mil pessoas indica que tomar em torno de 175 ml de vinho ou 2,37 litros de cerveja por semana (cinco taças e cinco pints, respectivamente) pode encurtar a vida em seis meses.

Consumir mais álcool também foi associado a mais risco de derrames, falências cardíacas e aneurismas fatais, segundo um estudo internacional publicado pela revista científica The Lancet.

O resultado dá sustentação às recentes mudanças nas diretrizes sobre consumo de álcool publicadas pelo governo britânico, que recomendam que homens ou mulheres não devem tomar mais de 14 unidades (ou 112 g) de álcool puro por semana. Isso equivale a cerca de seis pints de cerveja (de 4% de concentração de álcool) ou seis doses de 175 ml de vinho (de 13%).

A autora principal do estudo, Angela Wood, da Universidade de Cambridge, disse: "A mensagem chave desse estudo em relação à saúde pública é que, se você já consome álcool, beber menos pode ajudar a prolongar a vida e a reduzir o risco de várias doenças cardiovasculares."

O estudo analisou pessoas que bebem atualmente, de 19 países diferentes. Nenhuma delas tinha histórico conhecido de doenças cardiovasculares. Identificou-se um aumento em todas as causas de morte quando o consumo de álcool foi superior a 100 g semanais.

Uma pessoa de 40 anos que consumiu entre 200 g e 350 g de álcool por semana — de 10 a 18 taças de vinho ou pints de cerveja — tinha expectativa de vida mais baixa: de um a dois anos. Consumir mais de 350 g de álcool por semana pode reduzir a expectativa de vida em quatro a cinco anos.

Embora o estudo aponte que o álcool possa estar relacionado a um risco menor de ataques cardíacos não-fatais, os especialistas afirmam que, "no geral", não há benefícios de saúde ligados à bebida.

"O consumo de álcool está associado a um risco ligeiramente menor de ataques cardíacos não-fatais, mas deve-se levar em conta que aumentam os riscos de outras doenças cardiovasculares — potencialmente fatais", afirmou Wood.

Os autores recomendam que os limites de consumo semanal sejam baixados para 100 g, ou 12,5 unidades.

As diretrizes britânicas foram alteradas em 2016, passando para 14 unidades semanais para homens e mulheres. O número é inferior ao recomendado por Itália, Portugal e Espanha. O limite superior para os homens americanos é de quase 25 unidades de álcool semanais.

Naveed Sattar, professor da Universidade de Glasgow e co-autor do estudo, disse: "Esse estudo oferece evidências claras para sustentar uma redução dos limites de consumo de álcool em vários países".

Tim Chico, professor de medicina cardiovascular da Universidade de Sheffield, comentou: "O estudo deixa claro que, no geral, não há benefícios de saúde relacionados ao consumo de álcool, o que costuma ser o caso quando as coisas parecem boas demais para ser verdade.:

Victoria Taylor, nutricionista-chefe da British Heart Foundation (BHF), disse que o estudo parece "reforçar" as diretrizes do governo britânico.

Mas ela acrescentou: "Isso não significa que devemos comemorar, pois muita gente no país consome regularmente mais que o recomendado.

"Devemos lembrar sempre que as diretrizes devem funcionar como um limite, não um alvo. A ideia é manter-se abaixo dos números recomendados."

O estudo foi financiado por: BHF, UK Medical Research Council, National Institute for Health Research, European Union Framework 7 e European Research Council.

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost UK e traduzido do inglês.