POLÍTICA
18/04/2018 08:13 -03 | Atualizado 18/04/2018 09:48 -03

Réu no STF, Aécio Neves enfrenta resistência à candidatura ao Senado

Aliados do tucano afirmam que investigações contaminam chance nas urnas.

 O senador Aécio Neves é réu no STF por corrupção e obstrução de Justiça.
Jefferson Rudy/Agência Senado
O senador Aécio Neves é réu no STF por corrupção e obstrução de Justiça.

Campeão de votos para o Senado em Minas Gerais em 2010, o tucano Aécio Neves chega às vésperas da eleição 8 anos depois em um cenário oposto. Réu por corrupção e obstrução de Justiça, o ex-presidenciável enfrenta dificuldade em viabilizar sucesso nas urnas.

Esta seria a primeira vez em mais de 30 anos. Desde 1987, Aécio sempre teve um mandato, seja de deputado federal, governador ou senador. Aliados do parlamentar admitem que ele pode não tentar a reeleição. Uma opção seria concorrer a deputado federal, vaga onde são necessários menos votos. A decisão só deve ser tomada em julho. Os candidatos têm até 15 de agosto para registrarem as candidaturas na Justiça Eleitoral.

Próximo ao senador e secretário-geral do PSDB, o deputado Marcus Pestana (MG), reconhece que as investigações podem abalar a candidatura. "Estão contaminando todo o sistema político", afirmou ao HuffPost Brasil. Ele destacou, contudo, que ainda não há decisão tomada. "Tudo especulação", completou.

De acordo com ele, uma eventual candidatura da ex-presidente Dilma Rousseff ao Senado por Minas Gerais não é um fator que Aécio tem levado em conta. Vencedora da disputa presidencial com o tucano em 2014, a petista transferiu o domicílio eleitoral para o estado em 6 de abril.

Dentro do PT, contudo, ainda não há consenso sobre sua candidatura. Alguns integrantes do partido sustentam que trazer o nome da ex-presidente de volta pode retomar o desgaste sofrido pela sigla com o impeachment.

Aécio se tornou réu nesta terça-feira (17) por corrupção e obstrução à Justiça. Ele é investigado por receber R$ 2 milhões em propina do empresário Joesley Batista para cobrir despesas com advogados. Em troca, o senador teria oferecido influência política para a escolha de um diretor da mineradora Vale.

Todos os 5 ministros da Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) votaram a favor da denúncia por corrupção passiva. Com relação à obstrução de Justiça, apenas Alexandre de Moraes foi contra prosseguir com as investigações. O tucano é alvo de outros 8 inquéritos na corte.

AFP/Getty Images
Candidatos ao Palácio do Planalto em 2014, Aécio Neves e Dilma Rousseff podem repetir disputa, desta vez, para o Senado por Minas Gerais.

A disputa pelo governo de Minas Gerais

A decisão de Aécio concorrer ao Senado ou não também tem impactos no xadrez da disputa pelo governo de Minas Gerais. Vice do tucano no Executivo local de 2007 a 2010, o senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) ainda pode desistir da candidatura ao Palácio da Liberdade. O tucano conta com o apoio formal apenas do PSD e candidaturas de deputados federais e estaduais também podem influenciar.

Também pesa contra o PSDB mineiro duas candidaturas de oposição. O ex-prefeito de Belo Horizonte Marcio Lacerda é o nome do PSB para derrotar o atual governador, Fernando Pimentel (PT). Já o DEM lançou como pré-candidato o deputado Rodrigo Pacheco.

O democrata nega qualquer tipo de acordo com os tucanos. "A minha pré-candidatura está posta", afirmou Pacheco ao HuffPost Brasil. O partido tem conversado com partidos de oposição como PP, Avante, PEN, PTC e Solidariedade para uma composição na chapa.

A candidatura do DEM em Minas também reforça a campanha do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) ao Palácio do Planalto. "É o 2º maior colégio eleitoral do País", destaca Pacheco.

EVARISTO SA via Getty Images
Aliado de Aécio Neves, Antonio Anastasia pode desistir de candidautra ao governo de Minas Gerais.

Aécio se vitimiza e culpa delatores

O caso em que o senador se tornou réu nesta terça-feira já rendeu outras derrotas ao senador. Em 18 de maio de 2017, ele foi afastado do mandato pelo ministro do STF Edson Fachin. Na data, o tucano renunciou à presidência do partido. O afastamento foi revertido pelo ministro Marco Aurélio Mello e o tucano voltou ao Senado em julho.

Em 26 de setembro, a Primeira Turma do STF determinou o afastamento de Aécio e o recolhimento noturno, por 3 votos a 2.

Um novo julgamento no Supremo determinou que a palavra final sobre esse tipo de medida caberia aos senadores, que derrubaram o afastamento em 17 de outubro.

Após o julgamento nesta terça, o tucano afirmou que já esperava o resultado e que provaria sua inocência. "Recebo com tranquilidade o resultado da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal e agora terei oportunidade de provar, de forma clara e definitiva, a absoluta correção dos meus atos", afirmou a jornalistas.

O parlamentar também voltou a atacar delatores. "O que houve foi uma gravíssima ilegalidade em que esses empresários, réus confessos de inúmeros crimes associados a membros do Ministério Público - o que é mais grave - tentam dar uma impressão de legalidade a essa operação para se verem livres dos inúmeros crimes que cometeram", afirmou em referência ao empresário Joesley Batista, da JBS, e ao ex-procurador da República Marcelo Miller, que teria orientado os delatores a armarem um flagrante contra o senador, de acordo com a defesa.

Os ministros da Primeira Turma rejeitaram as questões preliminares levantadas pela defesa que pediam a nulidade das provas referentes ao acordo de delação da JBS.

Photo gallery
Juntinhos: Eduardo Jorge e Aécio Neves
See Gallery