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15/04/2018 19:42 -03 | Atualizado 15/04/2018 19:47 -03

Casagrande: Uma vida dedicada ao futebol e à luta contra o vício

Ex-jogador de Corinthians, São Paulo e Seleção enfrentou muitas dificuldades para se manter 'limpo'.

Divulgação/TV Globo
Casagrande viveu glória dentro dos campos e batalha contra as drogas, fora deles, desde a adolescência.

Walter Casagrande Jr, ex-atacante de Corinthians, São Paulo, Flamengo, Torino e Seleção Brasileira, completa 55 anos neste domingo (15), cheio de histórias para contar.

Dentro de campo, Casão colecionou cenas de alegria e conquistas de títulos, passagens pelo futebol italiano e duas Copas do Mundo no currículo com a Seleção Brasileira. Fora dele, no entanto, o hoje comentarista da Rede Globo trava uma luta diária contra o pior adversário que já teve de enfrentar: a dependência química.

Casagrande revelou em seu livro Casagrande e seus Demônios, publicado em 2013, que começou a usar drogas ainda na adolescência e não parou quando virou atleta profissional de primeiro nível, no início da década de 1980.

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Livro relata momentos dramáticos na vida de Casagrande.

"Nos anos 1980, não tinha exame específico para cocaína ou maconha. O exame era para pegar anfetamina. É a anfetamina que altera o rendimento físico do atleta, porque aumenta a disposição", explicou Casão ao programa Nasi Noite Adentro, exibido pelo Canal Brasil.

Pilar de um movimento que ficou conhecido como Democracia Corinthiana, do qual também participaram outros ídolos do clube, como Sócrates e Wladimir, o ex-jogador tinha uma ligação muito forte com a política do País, tendo também participado ativamente da luta pelas Diretas Já.

O vício, no entanto, sempre caminhou lado a lado com o ex-atleta. Mesmo quando abandonou os gramados e virou comentarista, Casagrande não conseguiu se livrar definitivamente do problema. Afundado em depressão, chegou a ser afastado das transmissões esportivas da TV Globo em 2007 para fazer tratamento.

"Usar droga era como beber água", chegou a dizer em entrevista para a jornalista Mariana Godoy.

Hoje, o comentarista diz estar 'limpo', mas mostra consciência do que precisa fazer para não ter uma recaída que pode comprometer seu bem-estar.

"Hoje, eu não bebo, não uso droga nenhuma, óbvio. Vou em festas e quando o pessoal começa a beber, eu vou embora. Não fico no meio de pessoas que estão na euforia da bebida. Eu fico com elas até elas estarem na mesma sintonia. Quando elas passarem para lá, eu me retiro", explicou, também ao Nasi Noite Adentro.

Contra a legalização da maconha

Casagrande é sincero. Em entrevista ao programa Encontro com Fátima Bernardes, no fim do ano passado, o jogador confessou que "gosta de droga" e que é justamente isso que torna tão difícil a luta para se manter longe do vício.

"Ninguém se vicia em coisa ruim. Eu sou um dependente químico, que vivo em recuperação, mas eu me viciei em uma coisa que eu adoro. Eu gosto de drogas. Num determinado período, eu curti com aquilo, eu me diverti, foi legal, só que é um processo que avança, que você perde o controle."

Justamente por "perder o controle" é que Casagrande é contra a legalização da maconha e de outras drogas no Brasil. Para o ex-jogador, seria hipocrisia lutar pela liberação de algo que quase o levou à morte.

"Não posso ser a favor de uma substância que quase me levou à morte. Respeito, por exemplo, a opinião de quem luta pela legalização da maconha, mas quero ver eu, que quase morri por causa disso, levantar essa bandeira. Seria algo absurdo, incoerente. Não posso fazer isso com algo que me fez ficar internado um ano. O sonho é usar [maconha] e não acontecer nada, mas como você sabe que não vai acontecer nada com você? Já vi gente tendo surto psicótico por causa disso. Então, é melhor não usar", concluiu, em entrevista dada para a Revista Playboy.

Assista abaixo a um depoimento de Casagrande sobre sua luta contra as drogas.