COMPORTAMENTO
14/04/2018 13:05 -03 | Atualizado 14/04/2018 13:05 -03

Anitta pede desculpas por usar expressão 'gente hanseníase' em programa no Multishow

Preconceito com a doença ainda persiste no Brasil.

Anitta diz que confundiu "ranço" com "hanseníase" em programa no Multishow.
Reprodução/Facebook/Anitta
Anitta diz que confundiu "ranço" com "hanseníase" em programa no Multishow.

Anitta foi alvo de uma enxurrada de críticas após usar a expressão "gente hanseníase" no programa Anitta entrou no grupo, no Multishow, na última terça-feira (9). "Minhas amigas são muito amigas mesmo. Só convido para este programa gente que eu amo; não convido gente hanseníase", disse, em tom de brincadeira, ao receber a dupla sertaneja Maiara e Maraisa.

O Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas Pela Hanseníase (Morhan) criou um abaixo-assinado para exigir retratação de Anitta. Mais de duas mil pessoas assinaram.

Nesta sexta-feira (13), a cantora publicou sua retratação no Facebook. Ela disse que errou ao trocar "ranço" por "hanseníase":

"Galera, no último Anitta entrou no grupo, eu errei ao dizer 'pessoa hanseníase' em vez de dizer pessoas que tenho ranço. Me expressei mal e posso ter ofendido alguém. Gostaria de pedir desculpas por isso e me retratar aqui. Além disso, reforçar que hanseníase é coisa séria e atinge muitas pessoas pelo mundo."

Anitta também divulgou para seus fãs o link da rede de voluntários do Morhan para os interessados se cadastrarem.

Tanto o Ministério da Saúde quanto a Sociedade Brasileira de Dermatologia e o Morhan aproveitaram o equívoco da artista para compartilhar informações que combatem o preconceito com a hanseníase, que no passado foi bastante estigmatizada e era chamada de lepra.

  • Qualquer pessoa está suscetível a contrair a hanseníase. Aqueles que tenham sido infectados pela bactéria transmissora (o bacilo de Hansen) podem se consultar gratuitamente no SUS para obter diagnóstico e tratamento.
  • O sintoma principal são manchas esbranquiçadas, amarronzadas ou avermelhadas em qualquer parte do corpo. Esses sinais vêm acompanhados de perda ou mudança na sensibilidade dessa área ao calor, ao frio, ao toque e à dor.
  • Hanseníase tem cura. Tão logo começa a medicação, a doença é interrompida. De acordo com o Ministério da Saúde, "identificou, tratou, curou".
  • No Brasil, o preconceito com a hanseníase levou ao isolamento de pessoas infectadas em leprosários até 1986 — sendo que a cura surgiu mais de 40 anos antes. A jornalista Manuela Castro investiga essa realidade no livro-reportagem A Praga (Editora Geração), lançado em 2017.

Ao compartilhar essas informações, você ajuda na redução do preconceito.