POLÍTICA
10/04/2018 19:14 -03 | Atualizado 10/04/2018 19:14 -03

PDT nega aproximação de Ciro com centro e distanciamento de Lula

“Não dá para a gente que combate sistema financeiro dizer que o discurso é de centro. Não vamos mudar nossa linha”, afirma Carlos Lupi.

Pré-candidato do PDT ao Palácio do Planalto, Ciro Gomes nega que Lula seja preso político.
Sergio Moraes / Reuters
Pré-candidato do PDT ao Palácio do Planalto, Ciro Gomes nega que Lula seja preso político.

Após Ciro Gomes, pré-candidato do PDT à Presidência da República, negar que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja um preso político, o partido diz que não há distanciamento com o PT e que campanha não busca aproximação com o centro.

"Não dá para a gente que combate sistema financeiro dizer que o discurso é de centro. Nada é mais conservador do que o sistema financeiro espoliador do povo. Não vamos mudar nossa linha", afirmou ao HuffPost Brasil o presidente do PDT, Carlos Lupi.

De acordo com o ex-ministro do governo Lula, ele e Ciro aguardam decisão judicial para visitar o petista na prisão, mas não há nada marcado para esta semana.

A iniciativa de aproximação ocorre após a ausência do PDT no ato de resistência de Lula à prisão, no Sindicato dos Metalúrgicos no ABC paulista, ter sido criticada por aliados do ex-presidente.

Lupi minimiza a distância. "A gente estava fora do Brasil. Não tinha como estar lá no dia da prisão. Ninguém previa isso", afirmou.

Nesta segunda-feira (9), Ciro, que foi ministro da Integração Nacional no governo Lula, criticou o tratamento dado ao presidente pela Justiça, mas negou que a prisão seja política, como têm defendido PT, PCdoB e PSol.

"É preciso tomar muito cuidado com as palavras. Quando a gente atribui palavras a situação distintas, acaba criando uma confusão, especialmente para o jovem que não sabe o que foi preso político. Preso político foi, por exemplo, o Lula e o Prestes, muitos brasileiros. Eles foram recolhidos apenas porque emitiram opiniões políticas. Você pode considerar injusta a culpa do Lula, mas daí a extrapolar por esse caminho parece estranho", afirmou o presidenciável no Fórum da Liberdade, em Porto Alegre (RS).

Lula está preso desde sábado na Superintendência da Polícia Federal de Curitiba (PR). A prisão foi decretada pelo juiz Sérgio Moro na última quinta-feira (5), após o STF (Supremo Tribunal Federal) negar habeas corpus preventivo para que o ex-presidente respondesse em liberdade até o final do processo do tríplex do Guarujá.

O pré-candidato do PT ao Palácio do Planalto foi condenado em 2ª instância a 12 anos e 1 mês de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro. A defesa nega os crimes e tenta reverter o encarceramento com novos pedidos no STF.

Stringer . / Reuters
Após ausência em ato de resistência de Lula à prisão, PDT nega distanciamento de Ciro Gomes.

Lupi nega candidatura única da esquerda

Sobre a diferença do tratamento dado por Lula a outros presidenciáveis de esquerda presentes no ato no sindicato, Lupi minimiza. "Cada um é cada um".

Em discurso no sábado (7), antes de se entregar, o ex-presidente afirmou demonstrou apoio a Guilherme Boulos (PSol) e a Manuela D'Ávila (PCdoB). "Não adianta tentar me impedir de andar por este País, porque têm milhões e milhões de Boulos, de Manuelas, de Dilmas Rousseffs neste País para andar por mim", disse Lula.

A presidente do PCdoB, deputada federal Luciana Santos, cogita a possibilidade de candidatura única da esquerda ainda no 1º turno, se Lula ficar fora das eleições.

Lupi, por sua vez, descartou a composição. "Vemos a candidatura do Ciro de uma maneira irreversível e vamos ver o que vai acontecer. O 2º turno é outra discussão", afirmou.

Na última pesquisa Datafolha, divulgada em 31 de janeiro, Lula varia entre 34% e 37% das intenções de voto. Ciro registra entre 6% e 7% no cenário com o petista e chega a 13% sem. O índice de rejeição do pré-candidato do PDT é de 21%.

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