POLÍTICA
09/04/2018 22:25 -03 | Atualizado 10/04/2018 08:40 -03

PCdoB e PSol mantêm Manuela e Boulos candidatos, mas unificação é possível no 1º turno

"É saudável a pulverização de candidaturas para que lá na frente se debata uma estratégia para que nosso campo esteja no 2º turno”, diz presidente do PCdoB.

Montagem/Divulgação
Prisão de Lula abre possibilidade de candidatura única da esquerda para chegar ao 2º turno.

Apesar de manter o nome de Manuela D'Ávila na disputa pelo Palácio do Planalto, o PCdoB não descarta uma candidatura única da esquerda ainda no 1º turno. A deputada e o pré-candidato do PSol, Guilherme Boulos, dedicaram os últimos dias a apoiar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso desde sábado (7).

"É saudável nesse momento ter essa pulverização de candidaturas da Manuela, do Boulos, do próprio PT, se vier a acontecer, para que lá na frente se debata uma estratégia de como se comportar nas eleições, de modo que nosso campo esteja no 2º turno", afirmou a presidente do PCdoB, deputada Luciana Santos, ao HuffPost Brasil.

A parlamentar ressaltou a importância em mudar o comando do País. "A resposta mais contundente que a gente pode dar a esse estado de coisa é vencer as eleições pela 5ª vez consecutiva no País", completou.

De acordo com Santos, as candidaturas de esquerda resgatam um legado e são essenciais no momento atual. "Mais do que nunca, vai ser necessário, como bem disse Lula, 'os Lulas'", afirmou em referência à frase do ex-presidente.

No discurso de quase uma hora no sábado, no Sindicato dos Metalúrgicos no ABC Paulista, o petista citou os 2 presidenciáveis, que acompanharam os atos de resistência antes da prisão.

Não adianta tentar me impedir de andar por este País, porque têm milhões e milhões de Boulos, de Manuelas, de Dilmas Rousseffs neste País para andar por mim.Luiz Inácio Lula da Silva

O ex-presidente e pré-candidato do PT ao Planalto foi condenado em 2ª instância a 12 anos e 1 mês de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá. O mandado de prisão foi expedido na última quinta-feira (5) pelo juiz Sérgio Moro e Lula se entregou dois dias depois.

Segundo Luciana Santos, a tendência é levar a candidatura de Manuela até o 2º turno, mas mudanças são possíveis até o meio do ano, quando ocorrem as convenções partidárias. As legendas têm até 15 de agosto para registrar as chapas.

"Como a marca é a instabilidade e a velocidade dos fatos, a vida e o curso político que vão mostrar qual a melhor solução que a gente precisa levar para junho. Até lá, a gente vai ter de colocar todos esses elementos para poder tomar uma decisão que nos coloque numa situação boa de disputa", afirmou a presidente do PCdoB.

NurPhoto via Getty Images
Prisão do ex-presidente Lula pode levar esquerda a unificar candidatura.

PSol mantém candidatura de Boulos

No PSol, o entendimento é de combate à prisão do ex-presidente e defesa da democracia. "A posição é de que Lula é um preso político e exige um envolvimento do partido e da candidatura do Guilherme [Boulos] com iniciativas unitárias em defesa da sua libertação, da democracia e contra a violência política", afirmou ao HuffPost Brasil o presidente do PSol, Juliano Medeiros.

De acordo com ele, os partidos de esquerda foram pegos de surpresa com a decisão do juiz Sérgio Moro e ainda não há uma ação concreta definida para os próximos dias.

No momento, Medeiros descarta uma candidatura única. "Não tem nenhum debate eleitoral em curso. As candidaturas estão mantidas. A do presidente Lula inclusive. Nós não temos nenhuma razão para questionar a candidatura do Guilherme. Sobre a Manuela, a mesma coisa. Tem muita especulação sobre a unidade da esquerda, mas não houve absolutamente nenhum debate sobre isso", afirmou.

Apesar do discurso de que "eleição sem Lula é fraude", as chances de as siglas de esquerda não participarem da disputa eleitoral, por questionarem a legitimidade do processo, são baixas, de acordo com o presidente do PSol.

Tudo que os golpistas querem é que a esquerda abra a mão de fazer disputa. Não abriríamos mão.Juliano Medeiros

AFP/Getty Images
PCdoB e PSol mantêm candidaturas ao Palácio do Planalto, mas demonstram apoio ao ex-presidente Lula, preso por corrupão e lavagem de dinheiro.

Esquerda se une em defesa de eleições

No próximo dia 18, PT, PCdoB, PSol, PDT e PSB farão um ato em defesa das eleições gerais. A manifestação foi marcada em reunião dos presidentes das legendas na última quinta-feira (5), antes da prisão de Lula.

Dois dias antes, às vésperas do julgamento do habeas corpus preventivo do ex-presidente no STF (Supremo Tribunal Federal), uma declaração do comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, foi vista como um ataque à democracia.

Sem citar o petista, o militar afirmou que o Exército Brasileiro compartilha "o anseio de todos os cidadãos de bem de repúdio à impunidade" e disse estar atento às instituições brasileiras.

Vamos fazer um manifesto pela democracia, para que a gente tenha as eleições no País porque pelo andar da carruagem há desconfiança do que acontecerá. A instabilidade política é a marca total do momento. Ou seja, estamos com disposição de guerrear, de fazer o bom combate. Transformar um momento triste, o luto, em luta.Luciana Santos

A deputada ressaltou a falta de um nome forte que represente o governo de Michel Temer e os partidos que apoiam o impeachment, como PSDB e DEM. "Apesar dessa ofensiva toda, eles não conseguiram produzir ainda a alternativa deles. Estão aí embaralhados", afirmou.

De acordo com a última pesquisa Datafolha, divulgada em 31 de janeiro, Temer (PMDB) tem o maior índice de rejeição (60%). Geraldo Alckmin (PSDB) chega a 26%, Rodrigo Maia (DEM) a 21% e Henrique Meirelles (PDMB) a 19%. Manuela e Boulos, por sua vez, compartilham 13% de rejeição.

Já as intenções de voto da deputada são de 3% no melhor cenário e do coordenador do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto) é de 1%.

No outro espectro, Meirelles alcança, no máximo, com 2% das intenções de voto. Temer e Maia registram 1% cada e Alckmin chega a 11% no melhor cenário. Sem Lula, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) lidera a disputa, com 20% das intenções de voto.

Quem são os presidenciáveis de 2018