POLÍTICA
08/04/2018 11:11 -03 | Atualizado 08/04/2018 12:43 -03

Após confronto da chegada, Lula tem 1ª noite tranquila na prisão

Oito manifestantes, incluindo três crianças, ficaram feridas em confusão com policiais. Ex-presidente está em sala especial da PF em Curitiba.

Rodolfo Buhrer / Reuters
Após confusão na chegada a Curitiba, com adultos e crianças feridas, Lula passou primeira noite na prisão de forma tranquila.

Condenado a 12 anos e 1 mês de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou à Superintendência da Polícia Federal em Curitiba por volta das 22h30 do sábado (7) e passou a primeira noite em uma sala especialmente preparada para recebê-lo.

Segundo a Agência Brasil, no início da manhã de hoje (8), uma empresa terceirizada chegou ao local para fornecer o café da manhã dos presos. Conforme agentes da PF, a primeira refeição é café com leite e pão. Lula está em uma sala especial, transformada em sala de Estado-Maior devido à condição de ex-presidente. No local, há cadeira, mesa, cama e banheiro exclusivo. Há ainda uma janela que dá vista para a área interna do prédio.

Gleisi Hoffmann, presidente do PT, afirmou que o ex-presidente da República passou com tranquilidade sua primeira noite após ter se entregado à Justiça para dar início ao cumprimento da pena.

Rodolfo Buhrer / Reuters
Populares a favor da prisão do ex-presidente levaram faixas e entraram em confronto com grupo rival.


Em nota oficial, o PT disse que Lula estava tranquilo, pois "sua força vem do carinho do povo e ela alimenta de volta esse sentimento".

Tranquilidade essa que não houve nas horas que antecederam a chegada de Lula e no início da madrugada. Gleisi chegou a criticar a ação dos agentes da Polícia Federal contra os manifestantes, que acabou deixando 8 pessoas feridas, sendo 3 crianças.

O PT também criticou a ação policial em suas redes sociais.

Em entrevista para a Folha de S. Paulo, Mario do Carmo, Tenente-Coronel da PM paranaense, disse que a ação com o uso de força foi necessária porque os manifestantes explodiram bombas e avançaram contra os portões da superintendência no momento em que o helicóptero que trazia o presidente Lula chegou ao local.

Os feridos, incluindo um policial, foram levados para um hospital da região com escoriações leves segundo boletim da PM do Paraná.

Rodolfo Buhrer / Reuters
Policiais ajudam manifestante a favor de Lula após confusão na porta da sede da PF em Curitiba.

Manhã sem confusões, mas com vigília

A manhã de domingo (8) começou sem confusões entre manifestantes pró e contra Lula nas imediações da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba.

As pessoas favoráveis à soltura do ex-presidente estão acampadas uma quadra abaixo da sede da PF e o local continua cercado por policiais militares. Regina Cruz, da CUT-PR, disse que o movimento tem a intenção de manter a vigília, mas respeitando os limites impostos pelos agentes da polícia.

Roberto Baggio, da Frente Paraná Brasil, conversou com a imprensa por volta das 10h30, após reunião dos líderes do movimento, e informou que a ideia realmente é não sair do entorno da PF até que o ex-presidente seja solto.

Atos também estão programados para ocorrer ao longo do dia em frente ao Supremo Tribunal Federal em Brasília e também na cidade do Rio de Janeiro.

Lula ainda pode recorrer

A defesa de Lula ainda poderá recorrer da condenação tanto no STJ quando no STF, mas em ambos os recursos não entram no mérito da decisão, mas em questões procedimentais.

No STJ, por exemplo, poderá ser apresentado recurso especial para apontar eventual violação a alguma lei federal, como o Código Penal ou de Processo Penal. No STF, por sua vez, os recursos tratam de violações à Constituição.

Stringer . / Reuters
Lula ainda pode recorrer da pena de 12 anos e 1 mês de prisão.

A defesa pode pedir também a ambos os tribunais que o ex-presidente recorra em liberdade até o trânsito em julgado, quando não cabe mais qualquer tipo de recurso.

Triplex do Guarujá

No caso do tríplex do Guarujá, Lula foi condenado por corrução e lavagem de dinheiro. Na denúcia, o MPF acusa o petista de ter recebido R$ 3,7 milhões de propina da OAS.

Na sentença, Moro argumenta que a configuração dos crimes de corrupção e de lavagem de dinheiro, "que pressupõem estratagemas de ocultação e dissimulação", não exigiu para sua consumação a transferência formal da propriedade do Grupo OAS para o ex-presidente.

Sobre o interrogatório de Lula, o magistrado afirma que "a única explicação disponível para as inconsistências e ausência de esclarecimentos concretos é que, infelizmente, o ex-presidente faltou com a verdade dos fatos em seus depoimentos acerca do apartamento 164-A, tríplex, no Guarujá".

"Foi, portanto, um crime de corrupção complexo e que envolveu a prática de diversos atos em momentos temporais distintos de outubro de 2009 a junho de 2014, aproximadamente", diz Moro.

O petista nega qualquer crime e diz ser alvo de injustiça e perseguição para impedir seu plano de ser candidato à Presidência da República. Como Lula foi condenado em 2ª instância, a situação deve se encaixa como violação da Lei da Ficha Limpa. Caberá ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) autorizar ou negar sua candidatura, após ele pedir o registro na Justiça Eleitoral. O prazo final dos candidatos é agosto.