POLÍTICA
07/04/2018 09:53 -03 | Atualizado 07/04/2018 09:53 -03

Militantes amanhecem em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos à espera de Lula

Segundo ordem do juiz federal Sérgio Moro, o político deveria se entregar à Polícia de Curitiba às 17h de sexta. Lula preferiu esperar.

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O burburinho era grande. Manifestantes pró Lula estavam esperançosos. "Ele não vai se entregar hoje. Vai esperar até amanhã", disse um

A padaria que fica na rua do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC nunca esteve tão cheia em uma manhã de sábado. Foi o que disse o chapeiro que, desesperado, recorria à colega de trabalho o tempo todo. "Misto quente, Vanessa, vamos! Olha esse movimento, me ajuda!". Os clientes, em sua maioria vestidos de vermelho, gritavam junto. "Vai, Vanessa!".

O burburinho era grande. Manifestantes pró Lula estavam esperançosos. "Ele não vai se entregar hoje. Vai esperar até amanhã", disse um, enquanto devorava um pão com manteiga. O colega acrescentava: "Ele não deveria se entregar nunca!". Na padaria, as únicas divergências que tomavam conta do falatório estavam relacionadas ao posicionamento do ex-presidente e à forma como ele deve ir até a Polícia Federal, em Curitiba. Não havia manifestantes pró prisão nem ninguém que estivesse contra Lula.

Na sexta-feira, militantes se reuniram em frente ao sindicato na expectativa de ouvir o ex-presidente falar. Foi em vão. Apesar de ter aparecido algumas vezes pelo vão das janelas do prédio, Lula não subiu no carro de som -- que recebeu nomes como a candidata à presidência pelo PCdoB, Manuela D'Avila, o senador Lindberg Farias (PT), a deputada Luiza Erundina (PSOL-SP) e a senadora Gleisi Hoffman (PT). Manifestantes e líderes de movimentos sociais também tomaram os microfones. Mas, de Lula, nada.

Segundo ordem do juiz federal Sérgio Moro, o político deveria se entregar à Polícia de Curitiba às 17h de sexta. Lula preferiu esperar. Está há duas noites dormindo no prédio do sindicato, em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. "Ele está com contato com a Polícia Federal, as negociações estão se encaminhando", garantiu o deputado Ivan Valente (PSOL-SP) ao deixar a sala onde estava o ex-presidente. "Lula está bem".

Além de Ivan Valente, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad e Aloizio Mercadante também foram ao encontro de Lula. A expectativa é que o ex-presidente se pronuncie neste sábado (7) após a missa em homenagem à Marisa, que vai acontecer no próprio sindicato.