POLÍTICA
04/04/2018 15:44 -03 | Atualizado 04/04/2018 18:21 -03

Gilmar Mendes culpa PT por clima de intolerância e chama mídia de chantagista

“Os aprendizes aprenderam na oficina do diabo, essa gente que hoje está aí, fascistoides atacando as pessoas.”

Getty Images
“Tem que atacar os feriados do Judiciário, mas não mediante chantagem”, afirma o ministro Gilmar Mendes.

No julgamento do habeas corpus preventivo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes afirmou que o quadro de intolerância no País é de responsabilidade do PT e criticou a atuação da imprensa, que classificou como opressora e chantagista.

Estou aqui há 15 anos. Já vi de quase tudo. Nunca vi uma mídia tão opressiva quanto aquela que se tem feito nesses anos.

O ministro criticou a atuação de movimentos ligados ao PT e lembrou de grevistas que agrediram o então governador de São Paulo, Mário Covas, em 2000, quando ele era vítima de câncer.

"Esse tipo de intolerância gestou esse germe ruim da violência. O PT tem uma grande chance nesse momento de fazer o que se chama um pedido de desculpas público por esse tipo de ataque. Os aprendizes aprenderam na oficina do diabo, essa gente que hoje está aí, fascistoides atacando as pessoas."

Em seguida, Gilmar afirmou que a mídia tem uma atuação "até chantagista" e que estimula ataques de rua. "Se um tribunal for se curvar a isso, é melhor que deixe de existir", afirmou em referência à pressão popular. Ele citou ainda o espírito do povo nazista como precedente para justificativa de votar a partir da pressão popular.

O magistrado criticou reportagem da Folha de São Paulo publicada no último domingo (1º). De acordo com a publicação, ministros dos STF tem 88 folgas anuais, além do fim de semana.

"Tem que atacar os feriados do Judiciário, mas não mediante chantagem", afirmou. "É como se dissesse 'se vocês se comportassem, a gente não publicava isso'", completou Gilmar.

Em seguida, o magistrado criticou reportagem do Jornal Nacional sobre sua posição em relação a prisão após condenação em 2ª instância. O ministro votou a favor, mas agora quer rever a posição.

"Se fez um festival no Jornal Nacional querendo provar minha incoerência. Não tem incoerência nenhuma", afirmou. De acordo com ele, a mudança causou encarceramentos precoces e indevidos. "A possibilidade virou obrigação", criticou.

O STF permitiu em 2016 a execução da pena após condenação em 2ª instância. O tema passou a ser discutido no julgamento do habeas corpus do ex-presidente Lula porque ele se encontra nessa situação.