POLÍTICA
04/04/2018 10:58 -03 | Atualizado 04/04/2018 11:47 -03

Frase de comandante Villas Boas é vista como ameaça à democracia

Jair Bolsonaro foi um dos poucos a defender o comandante do Exército, às vésperas do julgamento do habeas corpus de Lula.

Marcelo Camargo /EBC/ FotosPúblicas
Comandante do Exército, general Villas Boas, afirmou repúdio à impunidade às vésperas do julgamento do habeas corpus preventivo de Lula.

Às vésperas do julgamento do habeas corpus preventivo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no STF (Supremo Tribunal Federal), a posição do Exército sobre a crise política no País causou controvérsia na cúpula do poder. No Twitter, o comandante do Exército, general Eduardo Villas Boas, disse estar atento às instituições brasileiras.

Sem citar o petista, Villas Boas afirmou que o Exército Brasileiro compartilha "o anseio de todos os cidadãos de bem de repúdio à impunidade".

Nesta quarta-feira, o STF julga o pedido de Lula para responder em liberdade até o fim do processo do tríplex no Guarujá. Ele foi condenado a 12 anos e 1 mês de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro neste caso.

A declaração de Vilas Boas foi alvo de duras críticas e vista como uma ameaça à democracia. O ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot comparou a frase ao início da ditadura militar no Brasil.

Presidente do PT, a senadora Gleisi Hoffmann ressaltou o direito à presunção de inocência e a importância das Forças Armadas cumprirem a Constituição.

Jurista e governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB) afirmou que o Exército não está acima dos 3 poderes.

Pré-candidato ao Palácio do Planalto pelo PSol, Guilherme Boulos classificou a fala do comandante como uma "ameaça velada" à democracia.

Bolsonaro defende Villas Boas

Também presidenciável, o deputado Jair Bolsonaro (PSL-RJ), por sua vez, saiu em defesa do general. Cotado para vice na disputa presidencial, o senador Magno Malta (PR-ES) também declarou "apoio ao general".

O ministro interino da Defesa, general Joaquim Silva e Luna, afirmou que a frase do general foi no sentido contrário ao uso da força. "A mensagem é que a população pode ficar tranquila, pois as instituições estão aqui. Não é uma mensagem de uso da força. É o contrário", disse ao jornal O Globo.

O presidente Michel Temer e ministros próximos a ele ainda não se pronunciaram.

STF julga habeas corpus para evitar prisão de Lula

Se o habeas corpus de Lula for negado, cabe ao juiz Sérgio Moro, responsável pela condenação em 1ª instância no caso do tríplex, expedir o mandado de prisão.

A expectativa é que ele espere o encerramento do trâmite do processo no TRF-4, onde a defesa de Lula pode apresentar um novo recurso, os embargos dos embargos.

O petista ainda pode recorrer ao STJ (Superior Tribunal Federal) e ao STF, mas apenas para questionar o processo legal, não o mérito da decisão.

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