POLÍTICA
03/04/2018 07:00 -03

Reforma ministerial de Temer pode atrapalhar planos de Bolsonaro para vice

“O partido continua na base. Dá apoio ao presidente não só do ponto de vista administrativo, mas também político”, afirmou Maurício Quintella Lessa (PR-AL).

Montagem / Getty Images / Reuters
Embora exista interesse de deputados do PR em indicar o vice de Bolsonaro (à dir), o partido segue na base do presidente Michel Temer.

A reforma ministerial do governo de Michel Temer pode dificultar as negociações de quem será vice na chapa do deputado Jair Bolsonaro (PSL-RJ), pré-candidato ao Palácio do Planalto. Partido interessado na aliança com o parlamentar, o PR mantém o apoio ao governo.

De acordo com o ex-ministro dos Transportes Maurício Quintella Lessa, o PR continua ao lado de Temer, que já admitiu que será candidato ao Palácio do Planalto. "O partido continua na base do governo. Dá apoio ao presidente não só do ponto de vista administrativo, mas também político", afirmou ao HuffPost Brasil.

Quintella deixou o comando do Ministério dos Transportes nesta segunda-feira (2) e retomou o cargo de deputado federal pelo PR. Ele irá disputar uma vaga no Senado por Alagoas.

Em seu lugar, assumiu Valter Casimiro, diretor-geral do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) desde 2015, indicado pelo partido.

A troca foi acertada em reunião do ex-ministro com Temer e com o ex-deputado Valdemar Costa Neto, um dos caciques da legenda. Quintella nega que a sigla irá formalizar uma aliança com Bolsonaro.

"Não houve nenhuma decisão formal ou informal por parte da executiva do partido em relação a qualquer campanha do Bolsonaro, muito pelo contrário. Acho que no momento em que o partido indica o sucessor para a pasta de Transportes, indica também apoio administrativo e político ao governo de Michel Temer", afirmou o ex-ministro.

Antonio Cruz/Agência Brasil
Ex-ministro dos Transportes, Maurício Quintella Lessa afirma que PR mantém apoio ao presidente Michel Temer.

Magno Malta vice de Bolsonaro

Aliados de Bolsonaro se esforçam para que o senador Magno Malta (PR-ES) seja o número 2 na chapa presidencial. "Bolsonaro e ele têm um excelente relacionamento. Acredito que ele [Malta] pensa sim no nível nacional e agregaria muito porque traz o pessoal cristão", afirmou ao HuffPost Brasil o deputado Delegado Waldir, que trocou o PR pelo PSL.

A estratégia é que o deputado Capitão Augusto (PR-SP) assuma a presidência da sigla, hoje com o ex-ministro dos Transportes Antonio Carlos Rodrigues, e indique Malta como vice de Bolsonaro. O senador, contudo, tem dito que prefere concorrer à reeleição, com vitória dada como certa.

A intenção de Capitão Augusto é que a convenção da sigla, em que a troca seria formalizada, seja ainda neste mês. A data será decidida após o fim da janela partidária, em 7 de abril. De acordo com o deputado, ele é o único nome inscrito para assumir o comando do PR.

Na avaliação do aliado de Bolsonaro, a combinação com Magno Malta seria ideal por ambos serem "bons de palanque". Essa qualidade permitiria que os 2 se dividissem entre Norte e Nordeste e Sul e Sudeste nas viagens, o que seria um ponto positivo, uma vez que a campanha neste ano será mais curta, com 45 dias.

Um dos parlamentares mais próximos de Bolsonaro, Capitão Augusto chegou a convidar o presidenciável a disputar o Planalto pela sigla, em vez do PSL. E agora tenta emplacar o vice. "Somos o 6º maior partido, temos capilaridade e tempo de TV. O mínimo que a gente quer é indicar o vice", afirmou ao HuffPost Brasil.

Sobre a continuidade do PR no governo Temer, o deputado afirmou que não acredita que o presidente será candidato. Ele destacou também que partidos que apoiam outros candidatos na corrida presidencial, como DEM e PSD, também indicaram sucessores na reforma ministerial.

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Aliados de Jair Bolsonaro tentam emplacar o senador Magno Malta como vice do deputado na chapa presidencial.

Reforma ministerial de Temer

O governo decidiu começar oficialmente a reforma após 2 amigos de Michel Temer serem presos em São Paulo pela Polícia Federal. O advogado José Yunes e o coronel João Baptista Lima Filho foram detidos na última quinta-feira (29) e liberados no último sábado (31).

Ambos são alvos do inquérito sobre o decreto dos Portos, que também investiga se Temer favoreceu empresas do setor portuário com a publicação do decreto em troca de propina.

A previsão é que no total 13 ministros deixem o governo para concorrer às eleições. O prazo de desincompatibilização termina no próximo sábado (7).

Além de Valter Casimiro, Gilberto Occhi (PP) também tomou posse nesta segunda. Ele deixou a presidência da Caixa Econômica Federal para assumir o comando do Ministério da Saúde, no lugar de Ricardo Barros. O deputado federal do PP do Paraná tentará a reeleição.

No partido do presidente, o MDB, Fernando Coelho Filho (Minas e Energia) irá disputar o governo de Pernambuco. Já Helder Barbalho (Integração Nacional) tentará o comando do Executivo do Pará. Marx Beltrão (Turismo), por sua vez, tentará uma vaga no Senado e Leonardo Picciani (Esporte), reeleição como deputado federal, assim como Osmar Terra (Desenvolvimento Social).

No PSD, Henrique Meirelles (Fazenda) se filia nesta terça (3) ao MDB para tentar concorrer à Presidência. Presidente do PSD, Gilberto Kassab (Ciência e Tecnologia) deve ser vice na disputa pelo governo de São Paulo.

Um dos principais apoiadores da candidatura do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ao Palácio do Planalto, Mendonça Filho (Educação) irá concorrer à reeleição como deputado federal. No PV, que deve apoiar a candidatura de Geraldo Alckmin ao Planalto, Sarney Filho (Meio Ambiente) tentará se eleger para o Senado.

Titular do Ministério de Indústria e Comércio e presidente do PRB, Marcos Pereira deixou o cargo em janeiro para disputar a reeleição como deputado federal. O partido lançou o empresário Flavio Rocha como presidenciável. Ex-ministro do trabalho, o deputado federal Ronaldo Nogueira (PTB-RS) também deixou o governo para tentar a reeleição. O PTB vai apoiar a candidatura de Alckmin.

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