POLÍTICA
03/04/2018 17:58 -03 | Atualizado 03/04/2018 17:58 -03

'M de Michel, M de Meirelles, M de MDB': O candidato que vai defender o legado Temer

Henrique Meirelles deixa o PSD e se filia ao MDB sem a certeza de que será o candidato à Presidência da República do partido.

Ao lado de Michel Temer, Henrique Meirelles se filia ao MDB.
Divulgação/MDB
Ao lado de Michel Temer, Henrique Meirelles se filia ao MDB.

Empenhado em se candidatar à Presidência, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, se filiou nesta terça-feira (3) ao MDB. Ele deixou o PSD do ministro das Comunicações, Gilberto Kassab, onde tinha a garantia de que não teria a candidatura abraçada pelo partido, para se filiar ao MDB, onde também não tem a certeza, mas a vaga está em aberto.

Além de não ter o direito a ser candidato assegurado, Meirelles teve que aceitar defender o legado do governo do presidente Michel Temer, reprovado por 70% da população - de acordo com o instituto Datafolha.

No MDB, o principal empecilho de Meirelles para se lançar ao Palácio do Planalto é o presidente Temer. Apesar de ter afirmado consecutivas vezes que não se candidataria, o emedebista mudou de opinião. Mas diferentemente de Meirelles que tem de deixar o ministério até sábado, o presidente tem até o meio do ano para se decidir.

Em entrevista à revista IstoÉ, publicada em 23 de março, Temer afirmou que "seria uma covardia não ser candidato" e que ele mesmo defenderia seu legado.

"Se eu tivesse feito um governo destrutivo para o País eu mesmo refletiria que não dá para continuar. Mas, pelo contrário, eu recuperei um País que estava quebrado. Literalmente quebrado. Eu me orgulho do que fiz. E eu preciso mostrar o que está sendo feito", afirmou.

A pré-candidatura de Temer, entretanto, sofreu um baque no fim de semana com a prisão temporária de amigos do presidente no inquérito dos Portos, no qual ele também é investigado.

Em um dos depoimentos dessa operação, o advogado José Yunes foi questionado sobre a venda de uma casa em São Paulo para a primeira dama, Marcela Temer. A transação, confirmada pelo Planalto, envolveu uma doação de R$ 800 mil de Temer à esposa.

Além desse processo, o presidente, se deixar o governo no dia 31 de dezembro, quando o mandato atual termina, perderá o foro privilegiado e passará imediatamente a ser investigado nas denúncias por corrupção, organização criminosa e obstrução de Justiça no caso da JBS.

O vice Meirelles

Embora esse cenário indique Meirelles como vice de Temer, o ministro afirmou, aos jornalistas, no ato de filiação que quer ser o candidato à Presidência e que ainda será discutida a "melhor composição da chapa".

O jingle lançado no ato, no entanto, apontava outro caminho com a letra: "M de Michel, M de Meirelles, M de MDB". No discurso, o ministro defendeu o governo Temer: "Esse legado não pode ser perdido nem esquecido, é preciso perseverar e insistir na direção certa".