POLÍTICA
29/03/2018 20:30 -03 | Atualizado 29/03/2018 20:30 -03

PSB quer Joaquim Barbosa como presidenciável e espera filiação, diz Beto Albuquerque

“É um homem íntegro e isso é um ativo muito importante nessa panacéia de nomes da eleição”, afirmou Beto Albuquerque, vice-presidente do partido.

PSB conta com filiação de Joaquim Barbosa para lançar candidato à Presidência
Montagem/STF/Divulgação
PSB conta com filiação de Joaquim Barbosa para lançar candidato à Presidência

Após meses de idas e vindas sobre lançar um candidato próprio para a disputa presidencial, o PSB aposta na filiação de Joaquim Barbosa, ex-ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) para ter um nome na corrida pelo Palácio do Planalto. Para concorrer, o jurista precisa se filiar à legenda até o próximo sábado, 7 de abril.

O presidente do PSB, Carlos Siqueira, e outros nomes da sigla têm conversado com Barbosa e a expectativa é positiva, de acordo com o vice-presidente da legenda, Beto Albuquerque. "Seguimos aguardando por ele. Precisamos tê-lo conosco", afirmou ao HuffPost Brasil. O magistrado registrou 5% das intenções de voto no melhor cenário, de acordo com pesquisa Datafolha divulgada em janeiro.

Para o ex-deputado, que foi vice na chapa de Marina Silva em 2014, é crucial que o PSB tenha um candidato próprio à Presidência neste ano, como forma de participar do debate sobre o futuro do País. Albuquerque disse que seria "um grande equívoco" e "renuncia ao protagonismo", caso o partido não lance um candidato nem apoie outro presidenciável.

O pré-candidato ao Senado vê semelhanças entre o cenário atual e o de 1989, quando 22 candidatos participaram da disputa presidencial. "Acho que esse é um ano em que os grandes partidos, ou as grandes geleias que se formarão ao redor dos candidatos, poderão sucumbir, como em 1989", afirmou.

Na avaliação do socialista, lançar um nome próprio não prejudicaria as disputas regionais porque candidatos a governador poderiam ter mais de um presidenciável no palanque. Poderia ser o caso, por exemplo, de Márcio França, em São Paulo, vice do governador e pré-candidato ao Planalto pelo PSDB, Geraldo Alckmin. O PSB deve lançar de 7 a 10 candidatos para o comando dos Executivos estaduais.

Confira os principais trechos da entrevista.

HuffPost Brasil: O PSB terá candidato próprio? Como estão as conversas sobre isso no partido?

Beto Albuquerque: Desde o ano passado, tenho defendido que o PSB tenha candidato próprio. No momento temos esperança de que o ex-ministro Joaquim Barbosa possa se filiar ao partido para, junto conosco, construir uma pré-candidatura a presidente. Eu mesmo, que fui pré-candidato a presidente, discuti com o partido e declino de qualquer postulação para apoiá-lo como candidato no PSB.

Nesse cenário turvo e cheio de turbulência, achamos que ele pode ser um nome que agregue uma esperança como valor na disputa eleitoral. Seguimos aguardando por ele. Precisamos tê-lo conosco.

Nelson Jr./SCO/STF
PSB aposta em filiação de Joaquim Barbosa para lançar candidatura à Presidência da República.

O senhor lançou pré-candidatura no início do ano. Por que apoiar Joaquim Barbosa agora?

No congresso nacional do partido, senti que não havia apoio à tese da candidatura própria naquele momento. Não teve eco. Não tive reciprocidade, pelo menos dos candidatos a governadores e tratei de retomar minha candidatura ao Senado pelo Rio Grande do Sul, que disputava em 2014, quando o Eduardo [Campos] morreu. Acabei declinando na metade da campanha e fui ser vice da Marina [Silva].

Minha ideia é retomar essa candidatura agora e torcer para que o partido, mesmo que tardiamente, possa ter um candidato a presidente. Nesse caso, o quadro que está se apresentando é do Joaquim Barbosa.

Mas há uma certa resistência dentro do partido a lançar Joaquim Barbosa, principalmente em São Paulo...

As resistências que possam haver não têm muito fundamento na razão porque um candidato a governador pode receber quantos candidatos a presidente desejem lhe apoiar, sem problema nenhum.

Em um partido como o nosso, a pior solução seria apoiar um candidato de outro partido, porque agradaria uns e desagradaria outros. O candidato próprio vai ocupar o espaço o espaço do partido, defender o nosso programa de governo, que está bastante atual desde 2014. Restam apenas algumas atualizações. E isso não impede que haja essa realidade nos estados.

É muito melhor ter um candidato próprio a não ter nada. Nem apoio a ninguém, nem candidato próprio. Isso seria uma renúncia ao protagonismo, à participação em uma eleição nacional e seria um grande equívoco, um grande erro e retrocesso se o PSB chegasse a essa circunstância.

Então se o PSB tiver candidato próprio ao Planalto, os candidatos a governos estaduais podem ter mais de um presidenciável no palanque?

Pode. O Brasil tem muitos 'Brasis' dentro dele. Nenhum candidato próprio do partido pode querer exclusividade de todos os palanques do estado porque há realidades locais que são distintas. A grande tarefa do candidato próprio é fazer a disputa presidencial, participar de todos os debates com intensidade.

Bruno Santos/ GESP
Vice de Geraldo Alckmin (PSDB), Márcio França (PSB) é pré-candidato ao governo de São Paulo. Socialistas temem que alianças regionais serão afetadas se PSB lançar candidato próprio ao Planalto.

As conversas com o Joaquim Barbosa se intensificaram nas últimas semanas?

Tem muitos interlocutores nossos falando com ele. A expectativa é positiva. Vamos aguardar. Esperamos que haja, por parte dele, uma manifestação concreta.

Por que ele seria um nome ideal?

Ele é um brasileiro de muita qualidade, um cara inteligente, preparado. Um cara que tem a Justiça na cabeça e tem posicionamentos. Um homem íntegro e isso é um ativo muito importante nessa panacéia de nomes que está vivendo a eleição presidencial. Na linha do novo, mas com conteúdo e seriedade, ele é um perfil que se encaixa.

É importante uma candidatura própria do PSB para marcar posição, após essa mudança recente no partido, quando saíram deputados que apoiavam o governo de Michel Temer?

Não existe outro momento maior de diálogo, comunicação e debate com a sociedade brasileira, além da eleição presidencial. Independente dessa saída dos parlamentares, que na realidade saíram porque estavam no partido errado, já que um liberal não pode estar no Partido Socialista Brasileiro. Saíram e certamente não nos farão falta porque desobedeceram as decisões do PSB. Independente desse fato, ter uma candidatura é participar ativamente do debate e da discussão.

Essa eleição de 2018 é muito parecida, embora por razões diferentes, com a de 1989. Lá houve o fim de um ciclo político da ditadura para a democracia. Foram 22 candidatos e acabou que os pequenos partidos, um que sequer existia propriamente dito, que era o PRN, do [Fernando] Collor, e o PT, que era ainda incipiente, foram para o 2º turno.

Essa eleição é o fim de um ciclo político, inclusive geracional, no Brasil. E a presença dos partidos políticos nesse momento, no 1º turno, é uma forma de dizer "estou aqui, penso isso, proponho aquilo, olhem para mim, vamos discutir". Quem não participar desse processo, não vai ser notado, não vai ser percebido.

Quem não participar [das eleições presidenciais] pode incorrer num grande equívoco de omitir-se nesse momento tão grave da política. Em 1989, o povo queria votar. Em 2018, o povo não quer votar.

Mais uma razão para que ideias se multipliquem e, quem sabe no meio de isso tudo, o cidadão que está desconsolado, indignado, decepcionado, quase sem esperança, desperte para uma oportunidade e participe porque a indignação tem duas irmãs gêmeas: a atitude e a esperança.

Só a indignação, sem apertar o botão da urna, sem tomar atitude e sem fazer um movimento sem esperança, é só raiva. Não vai mudar nada no cenário político do País.

O senhor vê alguma possibilidade de não haver eleições neste ano?

Quem cogita essa possibilidade, sinceramente, está conspirando contra a democracia. Não há Supremo, não há Exército, não há nada que possa, nesse momento de amadurecimento da democracia no Brasil, interromper o processo democrático, que é a liberdade do cidadão escolher seus governantes, seus representantes no Parlamento. Não há hipótese nem razão para isso e é inexequível. Mude-se para a Venezuela quem não quer eleição.

NurPhoto via Getty Images
Vice de Marina Silva em 2014, Beto Albuquerquer defende que PSB tenha candidatura própria em 2018.

O PSB poderia apoiar a Marina em um eventual 2º turno?

As possibilidades de 2º turno são tão espetaculares quanto em 1989. Acho que esse é um ano em que os grandes partidos, ou as grandes geleias que se formarão ao redor dos candidatos, poderão sucumbir, como em 1989. O Lula fez 17% e foi para o 2º turno em 1989.

Então é um jogo que está completamente aberto. O cenário pode mudar muito e mudará se o Joaquim Barbosa entrar em campo.

O partido já definiu como será a divisão dos recursos de campanha?

Não se bateu o martelo, mas as eleições majoritárias devem ter metade da verba, deputado federal 35% e o restante para deputado estadual. Valores insuficientes, obviamente.

Quem são os presidenciáveis de 2018