ENTRETENIMENTO
02/04/2018 02:57 -03 | Atualizado 02/04/2018 02:58 -03

Clara Nunes: 35 anos sem a guerreira da utopia

Sambista morreu em abril de 1983 durante cirurgia para correção de varizes.

Clara Nunes: voz marcante da sambista que conquistou o Brasil se calou em 1983.
Divulgação/Globo
Clara Nunes: voz marcante da sambista que conquistou o Brasil se calou em 1983.

"Algo imprevisível. Uma infelicidade". Assim o jornalista Vagner Fernandes, autor do livro Clara Nunes: Guerreira da Utopia, classificou a morte da sambista, que completa 35 anos nesta segunda-feira, 2 de abril.

Na obra, o jornalista relatou detalhes que cercaram a até então misteriosa morte. A cantora passou quase um mês internada no hospital antes de ser submetida a uma cirurgia para correção de varizes.

Fernandes contou também, em entrevista à Folha de S. Paulo, que a imagem de Clara Nunes vestida toda de branco, gingando com sua cabeleira e cantando sambas com sua voz poderosa não foi como a mineira nasceu, e sim como foi moldada para ficar eternizada na memória do País.

"A Clara tal qual a conhecemos, a imagem que ficou no inconsciente coletivo, foi pré-concebida. Até gravar o disco que marcaria sua virada [para o samba], em 1971, ela era uma cantora de bolero, de músicas de gosto duvidoso".

Sucessos e saudades

A verdade é que Clara Nunes até hoje deixa saudades. Primeira brasileira a ultrapassar a barreira dos 100 mil discos vendidos, a cantora deixou outros ícones para trás, tais como Gal Costa, Maria Bethânia e a também saudosa Elis Regina.

O sucesso iniciado com a música Conto de Areia, do álbum Alvorecer, em 1974 se repetiu com o LP Claridade, que tinha como carro-chefe a música O Mar Serenou.

"O mar serenou / quando ela pisou / na areia / quem samba na beira do mar / é sereia."

A 'Sabiá' da música brasileira se calou há 35 anos, quando tinha somente 40 de idade. Agora, a potente voz e a figura (construída ou não) marcante, sambando de vestindo branco e pés na areia, só pode ser vista em vídeos como esse abaixo. Assista e relembre um pouco da genialidade de Clara Nunes.