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28/03/2018 10:54 -03 | Atualizado 28/03/2018 13:18 -03

PT cobra polícia e governo Temer por ataques à caravana de Lula

“Em qualquer lugar as autoridades não permitiriam que 2 ex-presidentes fossem vítimas de uma perseguição criminosa", disse o deputado Paulo Pimenta.

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Após tiros em ônibus na caravana de Lula, PT cobra polícia e governo Temer por ataques ao ex-presidente.

Após duas semanas de ataques à caravana do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo Sul, petistas criticaram o comando da Segurança Pública e acusaram a polícia de omissão. Também cobraram responsabilidade do governo de Michel Temer. A onda de violência presente desde o início da viagem, em 19 de março, culminou em 2 ônibus atingidos por tiros nesta terça-feira (28).

Em reunião à noite com o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, petistas cobraram uma ação do Planalto. Líder interino do PT na Câmara dos Deputados, Wadih Damous (RJ) chegou a dizer que temia pela vida do ex-presidente e que governo federal seria responsável se algo acontecesse ao pré-candidato à Presidência da República.

Após o encontro, Jungmann afirmou que pediria "atenção redobrada" da Secretaria de Segurança do governo Beto Richa (PSDB), no Paraná, para apurar o caso. "É absolutamente inaceitável que aconteça, parta de quem partir. Isso não é convivência democrática. Isso não pode acontecer, e se acontecer é preciso identificar os responsáveis porque não pode se repetir dentro do regime democrático", afirmou.

O presidente Michel Temer lamentou o ataque e pregou a "unificação do País".

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No início da caravana de Lula pelo Sul, apoiadores e opositores do petista se enfrentaram em Santana do Livramento, no Rio Grande do Sul.

Nesta quarta-feira (28), o líder do PT no Senado, Lindbergh Farias (RJ), publicou um vídeo ao lado da ex-presidente Dilma Rousseff em que relacionam os ataques a Lula com a execução da vereadora Marielle Franco (PSol).

Na tribuna do Senado, Lindbergh conclamou movimentos de esquerda a lutar e atribuiu os tiros ao "extremismo da direita". "Eles querem um cadáver!", afirmou. Ele cobrou ainda uma resposta do Ministério de Segurança Pública e do GSI (Gabinete de Segurança Institucional).

Ao lado de Lula desde o início da caravana, o líder do PT na Câmara, Paulo Pimenta (RS), afirmou que os ataques são fruto do clima de extremismo e criticou o tratamento dado pelas autoridades. "Um atentado contra Lula é tratado como algo banal. E se fosse FHC? Ou Obama? Ou qualquer outro nome, como a mídia reagiria?", questionou.

Alckmin diz que PT colhe o que plantou

Nesta terça-feira, o pré-candidato do PSDB ao Planalto, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, afirmou que os petistas "estão colhendo o que plantaram" com o ataque a tiros. Nesta quarta, o tucano voltou atrás e disse que "é papel de homens públicos pregar a paz e a união entre os brasileiros. O país está cansado de divisão e da convocação ao conflito".

O deputado federal e presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) publicou um vídeo no Twitter em que critica a "vitimização" do PT.

Também de olho no Planalto, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que irá se filiar ao MDB, condenou o ataque. "O que aconteceu ontem no Paraná foi um atentado contra a liberdade de expressão de um líder político e isso é inadmissível numa democracia", afirmou.

Presidenciáveis da esquerda, como Guilherme Boulos (PSol), Ciro Gomes (PDT) e Manuela D'Ávila (PCdoB) demonstraram solidariedade aos ataques ao petista. "O momento exige unidade democrática contra o fascismo", disse Boulos.

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Opositor a Lula joga pedra em ato do ex-presiente em Foz do Iguaçu, no Paraná, na última segunda-feira (26), na caravana do petista pré-candidato ao Palácio do Planalto.

Ônibus de caravana de Lula recebe tiros

Dois dos três ônibus da caravana foram alvejados na estrada entre Quedas do Iguaçu e Laranjeiras do Sul, no interior do Paraná. Os veículos transportavam convidados do PT, jornalistas de blogs e sites independentes e repórteres estrangeiros. Ao menos um argentino e um alemão estavam a bordo.

O ônibus com Lula não foi atingido e ninguém ficou ferido. Mais tarde, em ato em um assentamento, o presidenciável adotou um discurso de resistência aos ataques. "Atirem pedra, deem tiros no ônibus como fizeram hoje, mas não se pensam que vão acabar com minha disposição de lutar estão enganados", afirmou.

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Ataques a petistas estiveram presentes desde o início da caravana de Lula pelo Sul, em 19 de março. Violência culminou em tiros a ônibus, mas ninguém ficou ferido.

Ataque pode ser tratado como tentativa de homicídio

Responsável pela investigação sobre o ataque a tiros, o delegado Fabiano Oliveira, de Laranjeiras do Sul, informou na noite de terça-feira que trataria o caso como tentativa de homicídio, de acordo com o jornal O Globo.

A Secretaria de Segurança Pública, por sua vez, informou, em nota, que "não há por ora indícios de uma tentativa de homicídio" e que o inquérito será presidido pelo delegado Helder Andrade Lauria, superior hierárquico de Oliveira.

AGPT
Um dos ônibus da caravana de Lula pelo Sul foi atingido por tiro na lataria e outro no vidro. Veículo com ex-presidente não foi baleado.

Caravana de Lula se encerra com Bolsonaro

A caravana está prevista para se encerrar nesta quarta-feira, em um ato em Curitiba. No mesmo dia, o presidenciável Jair Bolsonaro também estará na cidade.

Na próxima quarta-feira (4) está marcado para o julgamento do habeas corpus de Lula no STF (Supremo Tribunal Federal). A defesa do ex-presidente pede que ele responda em liberdade até se esgotarem todos recursos no caso do tríplex do Guarujá. O petista foi condenado a 12 anos e 1 mês de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro.

Momentos históricos da vida de Lula