POLÍTICA
28/03/2018 20:32 -03 | Atualizado 28/03/2018 20:32 -03

Ataque à caravana de Lula e ameaça a Fachin abrem questionamento sobre fragilidade da democracia

Integrantes do PT querem que a Polícia Federal investigue o que chamaram de 'atentado político'.

CHRISTIAN RIZZI via Getty Images
A caravana do ex-presidente Lula pelo Sul do País foi recebida com manifestações contrárias desde o seu 1º dia.

Tanto os tiros que atingiram a caravana pelo Sul do País do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto as ameaças que o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato, recebeu abriram um debate sobre a fragilidade da democracia no País.

O presidente Michel Temer considerou que o ataque à caravana cria clima de instabilidade, de "uns contra os outros", que, para ele, não pode acontecer. Ele acrescentou que a tensão atingiu outras instâncias.

"Veja que isso alcança até o Supremo Tribunal Federal, o próprio Supremo e os membros do Supremo ficam aflitos com isso. Você viu que um deles até, ou alguns deles me parece, disseram que estavam sendo ameaçados. Isso não pode acontecer no país", disse.

Os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), também condenaram os fatos.

"O tiro no ônibus foi o ponto final de alguns dias de absurdos, inviabilizando a mobilização do ex-presidente Lula. Todos sabem que sou adversário, mas devemos ser adversários nas ideias, no debate, não achando graça, inviabilizar que ele passe por uma estrada, ou mais grave que isso, ameaçando vidas de pessoas, querendo gerar um recuo no movimento do ex-presidente, que é legítimo, democrático", disse Maia à Rádio Bandeirantes.

Para Eunício, a democracia também foi atingida.

"Nós não vamos tolerar, eu tenho convicção que nós vamos encontrar os culpados e punir esses culpados. A democracia não aceita esse tipo de comportamento. É lamentável que, em um regime democrático, as pessoas queiram, pela força, contrariar a vontade da população brasileira, da Justiça e do Parlamento. Quem faz vida política, quem está exposto, quem defende causas não pode ter medo de ameaça", disse.

Ataque à caravana

Desde que começou, no dia 19, a caravana do ex-presidente Lula vem sendo vítima de protestos. A onda de violência culminou em 2 ônibus atingidos por tiros nesta terça-feira (28).

Inconformados, petistas pedem a federalização das investigações. Para o deputado Marco Maia (PT-RS), o que aconteceu foi um "atentado político".

"Não foram tiros de intimidação para o alto, mas direcionados contra os ônibus da caravana e que poderiam ter acertado o ex-presidente Lula ou alguma outra pessoa. Por isso, defendemos a entrada da Polícia Federal no caso e vamos acionar a PGR, o Ministério da Justiça e o da Segurança Pública para que tomem medidas urgentes para elucidar esse atentado."