COMIDA
27/03/2018 14:38 -03 | Atualizado 27/03/2018 14:39 -03

Hambúrgueres veganos que ‘sangram’ e alternativas à carne – é isso o que os veganos realmente querem?

Pedimos aos leitores um veredicto sobre novos produtos veganos que estão chegando aos supermercados e restaurantes.

Um hambúrguer vegano que "sangra" foi apresentado recentemente em um restaurante de Londres. Inteiramente feito de vegetais, o hambúrguer solta um líquido vermelho como a carne malpassada. É claro que a moda pegou. A Iceland, empresa especializada em produtos congelados, vai colocar um produto semelhante à venda nos supermercados. Com essa novidade vegana aparecendo em cada vez mais lojas e restaurantes, temos uma pergunta: é isso o que os veganos realmente querem?

Os hambúrgueres veganos que sangram oferecem a cor e a textura de um hambúrguer tradicional. No Mildred's, em Londres, ele produzido a partir de uma mistura de cogumelos, proteína de ervilhas, soja, batata, óleo de coco, beterraba, vitamina B12, ervas e especiarias. O "No Bull Burger", da Iceland, vai custar apenas £2 (ou cerca de R$ 9,50 em um pacote com duas unidades) e será lançado em abril. Ele é feito com uma base de soja, e o "sangue" vem da adição de beterraba em pó. Neil Nugent, chefe do Iceland, diz que experimentou várias texturas e receitas para criar o hambúrguer vegano perfeito. "É difícil perceber a diferença", disse ele.

Iceland
The 'No Bull Burger' in Iceland costs just £2 for a two pack.

Pedimos que os membros da comunidade do Facebook "Very Vegan", do HuffPost UK, avaliassem o produto. As opiniões ficaram divididas. Quem virou vegano recentemente – por motivos de saúde ou por preocupação com o meio ambiente – pareceu aberto à ideia.

Rachel Cochlin, 32, de South Wales, é vegana desde o fim do ano passado. Ela parou de consumir carne e derivados de leite por motivos de saúde e para reduzir seu impacto no meio ambiente. Apesar de entender que o aspecto "sangrento" do produto possa não agradar a todos, ela disse ser totalmente a favor da ideia. Ela adorava hambúrgueres quando era carnívora. "Se existe uma maneira de replicar essa experiência sem sacrificar outro ser vivo e sem os riscos para a saúde, sou 100% a favor", disse ela. "Experimentei vários substitutos de carne e gostei da maioria deles."

Alison Preston acredita que produtos acessíveis como esse ajudam quem quer ser vegano sem gastar muito e facilita a tarefa de quem faz as refeições com não-veganos.

Outros recém-convertidos disseram que "tudo o que parece carne é positivo", pois ajuda na transição para uma vida sem carne. "Adoraria experimentar", disse Lucy Futcher-Batty. "Sempre gosto do sabor e da familiaridade dos substitutos da carne. Até mesmo veganos que não comeriam [esses produtos] deveriam apoiá-los, pois eles podem salva milhões de animais."

Facebook
Rachael Cochlin has been vegan since December 2017 and would like to try the bleeding burger.

Outras pessoas acharam a ideia "revoltante". As opiniões seguiram a mesma linha: "Não como carne sangrando, por que comeria um hambúrguer vegano que sangra?".

Esther James, 38, de Bristol, é vegana desde janeiro. Ela disse que a ideia parece "nojenta" e que não vai experimentar. James afirma que não comia carne malpassada quando era carnívora, então não é agora que vai começar. "Como alguns substitutos veganos, mas imitar sangue me parece demais", afirmou ela. "Dito isso, não impediria as outras pessoas de comer esses hambúrgueres."

Paul Hay concorda: "Plantas não sangram. Queremos ser lembrados da dor infligida nos animais quando consumimos uma coisa assim? Acho revoltante".

Apesar de não querer provar, algumas pessoas acham que esses hambúrgueres podem facilitar a transição para o veganismo.

Elanor McBay concorda que o "sangue" tem o fator novidade e, se ele inspirar as pessoas a provar comidas veganas, ótimo. Abbie Bolt disse que o sangue é "meio desnecessário", mas acha a ideia ótima como incentivo para que outras pessoas experimentem comidas veganas e entendam que uma dieta sem carne não significa comer somente folhas e galhos.

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost UK e traduzido do inglês.