POLÍTICA
27/03/2018 00:46 -03 | Atualizado 27/03/2018 23:13 -03

Abordagem sobre a Lava Jato em série da Netflix gera polêmica

Moro: “Se essa série, além do valor cultural, servir também para chamar atenção das pessoas para esses problemas, acho que já faz um importante papel".

Montagem/Reuters/Divulgação/GettyImages
Sérgio Moro, Selton Mello (que interpreta um policial federal na trama), e Dilma Rousseff: A operação que ganhou o mundo do entretenimento.

Quatro dias depois de estrear na Netflix, a série O Mecanismo, baseada na Operação Lava Jato, se tornou uma espécie de FlaXFlu nas redes sociais.

Irritada com imprecisões na série, como a fala do senador Romero Jucá (MDB-RR) sobre um acordão "com o Supremo, com tudo" para estancar a Lava Jato ter ido parar na boca do personagem inspirado no ex-presidente Lula, uma parte da esquerda tentou puxar um boicote de cancelamento do serviço de streaming.

Por outro lado, defensores da série endossaram o argumento do diretor José Padilha de que O Mecanismo mostra que a corrupção é apartidária. "Misturar falas ou expressões de um político-personagem que o público pode confundir quem falou não tem a menor importância, pois são todos parte do sistema", disse Padilha ao Observatório do Cinema.

Retratado na série, o juiz Sérgio Moro, responsável pela operação na 13ª Vara Criminal Federal, ressaltou que os fatos expostos não são necessariamente iguais aos que ocorreram, "há liberdade criativa", mas disse ser bem semelhante.

Para ele, essas produções culturais têm um valor. "Os fatos estão acontecendo agora, então é muito difícil mostrar como aconteceram, mas é importante para informar e para, de fato, o que ambos (filme e série sobre a Lava Jato) revelam é que a corrupção é um problema grave entre nós", pontuou.

Para ele, mostra ainda que há uma dificuldade institucional no enfrentamento desse problema. "Se essa série, esse filme, além do valor cultural e artístico servirem também para chamar atenção das pessoas para esses problemas, acho que já fazem um importante papel. Não dá para ficar se preocupando muito somente com essas questões de detalhes, se confere ou não confere, realmente em algumas coisas eu vejo nas séries alguma coisa que reflete meu trabalho, mas não necessariamente."

Já para a ex-presidente Dilma Rousseff, a Netflix está fazendo campanha política.

"Netflix não pode fazer campanha política. Vou falar para as lideranças políticas que eu encontrar. 'Se está fazendo aqui, fará em seu país.' Acho importante que a gestão do Netflix perceba bem o que está fazendo. Não sei se sabe. O cineasta talvez saiba, mas a direção do Netflix não está sabendo onde se meteu. E acho muito grave para ela. Não vejo porque uma estrutura como aquela dar margem para isso", disse, segundo a Folha de S.Paulo.

No Twitter, não faltaram críticas para ambos os lados:

Veja o trailer da série.