23/03/2018 10:56 -03 | Atualizado 23/03/2018 10:56 -03

Francine Vilela Chequer: Ela descobriu sua força e determinação no crossfit

Ela largou a carreira de advogada para começar do zero na área de educação física.

Caroline Lima/Especial para o HuffPost Brasil
Francine chegou a estudar para concurso público durante dois anos. Mas percebeu que não era esse o seu lugar.

Ela acorda 4h30 da manhã. Começa cedo sua rotina de treino e trabalho. Ao todo, são cerca de 25 aulas por semana. Costuma dormir às 23h e garante que tem disposição para começar tudo de novo no dia seguinte. É assim que Francine Vilela Chequer, 36 anos, se realiza. Formada em Direito, chegou a estudar para concurso público durante dois anos até perceber que sua força não era essa. "Um belo dia falei que não queria mais e fui começar do zero na educação física. Tinha meus 25 anos e comecei a trabalhar como professora de ginástica."

Era ali, nos treinos, que saía o melhor dela. E a grande superação no esporte ainda estava por vir. Aconteceu em 2012. "Um amigo falou que precisava me apresentar um esporte e me apresentou o crossfit e eu me apaixonei. Eu achava que era coisa de louco, mas quando terminei meu primeiro treino achei demais, nunca tinha me sentido daquele jeito antes, me tirou da zona de conforto."

Um belo dia falei que não queria mais ser advogada e fui começar do zero na educação física.

Caroline Lima/Especial para o HuffPost Brasil
Hoje,  Francine comanda aulas e criou um treino de levantamento de peso olímpico só para mulheres.

Passou a se dedicar a isso. Foi buscar informação, foi treinar. Virou seu esporte e sua vida. Conheceu o marido em um curso sobre o assunto e achou seu lugar como coach de crossfit e busca quebrar preconceitos na área. "Aumentou o número de mulheres que está nesse esporte, mas ainda tem muito mais homem. Existe uma imagem de que praticar machuca, de que tem que levantar pneu, de que todo mundo que praticar vai ficar enorme, super musculoso. É um preconceito". Francine comanda aulas e abriu também um treino de levantamento de peso olímpico só para mulheres.

Eu achava que era coisa de louco, mas quando terminei meu primeiro treino achei demais, nunca tinha me sentido daquele jeito antes, me tirou da zona de conforto.

Caroline Lima/Especial para o HuffPost Brasil

E essa posição de liderança em um esporte mais dominado por homens também esbarra em resistências. "Sinto preconceito como treinadora. Estou na luta para que reconheçam e para que todos confiem no trabalho de outras mulheres e vejam que somos capazes, assim como os homens, que temos o mesmo conhecimento."

Mulher também pode carregar peso. Eu posso ser forte.

Caroline Lima/Especial para o HuffPost Brasil
A posição de liderança que Francine ocupa, ainda mais em um esporte dominado por homens, esbarra em resistências.

O mesmo conhecimento e a mesma força para conseguir bons resultados. "Mulher também pode carregar peso. Eu posso ser forte". Para Francine, essa força não se manifesta apenas nos exercícios e superações físicas durante os treinos. "Depois que você pratica e faz movimentos que você nunca fez, levanta um peso, sobe na corda, aquilo te gera uma confiança tão grande que você leva para fora das aulas. Não é só a parte física. Você termina o treino e sente que depois disso nada é impossível para você. Vem uma segurança que não é só na modalidade esportiva".

É a certeza de que a força está com ela. Dentro e fora da aula.

Ficha Técnica #TodoDiaDelas

Texto: Ana Ignacio

Imagem: Caroline Lima

Edição: Andréa Martinelli

Figurino: C&A

Realização: RYOT Studio Brasil

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