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22/03/2018 14:23 -03 | Atualizado 22/03/2018 16:47 -03

Canindé, a cidade exemplo do programa Água Doce no Fórum Mundial da Água

Sistema considerado de baixo custo pode ser usado por outros países, como Argentina e Espanha.

Montagem/Prefeitura de Canindé
Programa Água Doce, do governo federal, poderá ser aplicado em outros países, como Espanha e Argentina.

"Mudou a vida das pessoas. Elas bebiam água de carro pipa, muitas vezes trazida de uma cidade perto da capital. E quando chegava pegava só aquela latinha por semana para beber."

Era assim a vida da maioria dos moradores de Canindé, cidade a 120 quilômetros da capital do Ceará, Fortaleza, antes do início do programa Água Doce, conta a prefeita Maria Rozário Ximenes (PMDB). A iniciativa chegou em 2015 ao município com mais de 77 mil habitantes e média pluviométrica anual de 750 milímetros.

A experiência de Canindé, cidade com maior número de reservatórios do programa no Ceará, estado referência na iniciativa de combate à estiagem, foi mostrada no Fórum Mundial da Água, que acontece esta semana em Brasília. Por ser considerado de baixo custo, o projeto pode ser implementado em outros países, como Argentina e Espanha.

Divulgação/Prefeitura de Canindé
Cada reservatório do Água Doce em Canindé custou aos cofres públicos R$ 144.576,00. Prefeita Maria Rozário Ximenes (PMDB) mostrou projeto no Fórum Mundial da Água.

Por meio de um equipamento de responsabilidade da própria população, a água do sertão nordestino passa por um processo de dessalinização. A parte potável vai para consumo humano e os sais para agricultura e criação de peixes.

Além de impulsionar a agropecuária e piscicultura, a melhoria na qualidade da água reduziu as doenças infecciosas na cidade, de acordo com a prefeita. "É um líquido precioso. Toda a comunidade está muito feliz", afirmou.

Antes do programa, a população tinha duas opções para ter acesso à água: os carros-pipa e um reservatório que ficava no leito do rio. "Tinha de pegar muitas vezes de jumento, com as latas, andava 3 quilômetros para poder ter a água de beber, que era filtrada numa cacimba, no leito do rio", conta Rozário Ximenes. A água, muitas vezes, não era devidamente tratada.

Era um sofrimento muito grande. A água do leito do rio era salobra, esverdeada, contaminada e mesmo assim as pessoas bebiam porque não tinha de onde tirar, a não ser que o carro pipa chegasse a essa comunidade.

Hoje, há 23 reservatórios de tratamento de água na região, que atendem a cerca de 5 mil pessoas, concentrados na área urbana. A meta agora é ampliar o alcance para 45 mil pessoas na zona rural. Algumas comunidades estão a cerca de 120 quilômetros da sede de Canindé.

Em reunião nesta quarta-feira (21) com a prefeita, o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), se comprometeu com investimentos de 1,5 milhões para construção de poços profundos.

Os reservatórios foram implementados com recursos federais e do estado do Ceará. Já a manutenção é de responsabilidade do município, com colaboração dos moradores. Cada reservatório tem um representante eleito que fiscaliza o funcionamento. Cada empreendimento custou aos cofres públicos R$ 144.576,00.

Divulgação/Prefeitura de Canindé
Moradores de Canindé andavam 3 quilômetros para poder ter a água potável, tratada em cacimbas no leito no rio.

Programa Água Doce

Lançado em 2004, o programa Água Doce é uma ação do Governo Federal, coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), em parceria nos âmbitos estadual e municipal, com o objetivo de garantir o acesso à água de qualidade para o consumo humano.

Em 2011, a meta estabelecida era investir R$ 258 milhões, beneficiando, aproximadamente, 500 mil pessoas. Até o momento, foram diagnosticadas 3.145 comunidades em 298 município, de acordo com dados mais recentes divulgados pelo MMA. Da meta de 1357 sistemas de dessalinização, 700 obras estão contratadas, 482 obras concluídas e 48 em fase de implantação, em 170 municípios do semiárido brasileiro.

Fazem parte do seminário brasileiro, que representa 11% do território nacional, os estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Sergipe e Rio Grande do Norte. São 1.133 municípios e 21 milhões de habitantes (12,3% da população do país), sendo 9 milhões na zona rural.

Todas essas unidades da Federação fazem parte do Água Doce, que é uma ferramenta para o Brasil atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), aspirações globais para 2030.

O objetivo 6 é garantir disponibilidade e manejo sustentável da água e saneamento para todos, o que inclui eliminação de despejo de produtos químicos, aumento da reciclagem e da reutilização segura da água, implementação da gestão integrada dos recursos hídricos e proteção dos ecossistemas relacionados com a água, como florestas, rios, aquíferos e lagos.

O acesso universal à água também se relaciona com o objetivo 1, de acabar com a pobreza em todas as suas formas e lugares, e com o 17, de fortalecer os meios de implementação e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável.

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