MULHERES
19/03/2018 12:40 -03 | Atualizado 19/03/2018 12:40 -03

Lynda Carter, a Mulher Maravilha original, também tem uma história de assédio para contar

"Se você perguntar a qualquer mulher, ela não vai se surpreender”, disse Carter, falando sobre os relatos de mulheres sobre assédio sexual.

ABC Photo Archives via Getty Images
Lynda Carter no set de “Mulher Maravilha”, 22 de janeiro de 1977.
ABC Photo Archives via Getty Images

A atriz original do seriado Mulher Maravilha, Lynda Carter, disse recentemente ao The Daily Beast que ainda não superou o trauma de uma agressão sexual que sofreu anos atrás. "Ele já foi punido. Não adianta nada acusá-lo de novo", disse Carter a Tim Teeman.

Embora tenha se negado a revelar o nome de seu agressor, Carter disse que ele está sendo punido por seus crimes – se bem que "não suficientemente". De acordo com ela, seu agressor violou "muitas pessoas".

Ela disse ao The Daily Beast que inicialmente pesquisou a possibilidade de mover uma ação contra ele na justiça, mas mais tarde concluiu que isso não a ajudaria.

"Eu não podia acrescentar mais nada" à justiça que seu agressor já enfrentou, disse Carter. "Quisera eu poder. Mas não há nada legalmente que eu pudesse fazer para aumentar seu castigo. Eu me informei. Sou apenas mais um rosto na multidão. Eu gostaria de poder, e, se pudesse, eu o faria."

Carter disse que não quer transferir o foco da discussão para ela. "Não quero que a discussão seja sobre mim, a questão aqui não sou eu. A questão é que ele é um canalha", ela disse.

Carter disse que assistir ao avanço do movimento Me Too tem tido um efeito poderoso sobre ela, se bem que tenha desencadeado reações diversas.

"Perguntei a meu marido se ele estava surpreso com os relatos do #MeToo. 'Estou, sim', ele disse", Carter falou ao The Daily Beast. "Se você perguntar a qualquer mulher, ela não vai se surpreender. Isso vem acontecendo há anos. Não é novidade nenhuma para nós [mulheres], mas é novidade para vocês [homens]. Estamos tentando lhes contar há muito tempo, e vocês não estavam ouvindo."

Lynda Carter disse que sofreu assédio sexual no set da série "Mulher Maravilha". Houve um cinegrafista que abriu um furo na parede do camarim dela, em segredo, para poder observá-la quando ela trocava de roupa.

"Pegaram ele no ato, o demitiram e o expulsaram da indústria", ela revelou.

Carter disse que a punição imposta a seu agressor foi uma anomalia na época, acrescentando depois que em poucos casos ela chegou a denunciar o assédio e as agressões que sofreu em seu trabalho.

"A quem você vai contar? A quem você vai contar, tirando suas amigas e seu círculo de amigos? Você ouvia das pessoas: 'Fique longe de tal sujeito'. 'Fique de olho naquele diretor de casting.' Você ouvia isso de outras pessoas, e outras pessoas ouviam isso de outras pessoas. 'Cuidado com fulano de tal'", disse Carter. "Era assim que a gente se protegia: avisando e sendo avisada por amigas. Fazíamos parte do movimento feminista, queimem os sutiãs! Não íamos tolerar ser destratadas por ninguém. Então nos sentíamos fortes dentro desse movimento, mas não havia muitos papéis para nós."

Carter disse que acredita em "todas as mulheres" que acusaram Bill Cosby e acredita nas 21 mulheres que vieram a público para acusar o presidente Donald Trump de assédio e agressão sexual.

"Por que elas mentiriam?", ela disse. "Acredito nas mulheres."

Leia a entrevista completa de Lynda Carter no The Daily Beast.

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.