POLÍTICA
18/03/2018 09:42 -03 | Atualizado 18/03/2018 09:43 -03

PSDB minimiza divisão e Doria é favorito em prévias do governo de São Paulo

Partido aposta que tucano irá crescer ao longo da campanha, com ajuda do tempo de televisão.

AFP/Getty Images
Prefeito João Doria deve ser oficializado como pré-candidato do PSDB ao governo de São Paulo neste domingo (18).

Eleito com 53% dos votos em primeiro turno para a prefeitura de São Paulo em 2016, João Doria (PSDB) dá um passo rumo à disputa do governo estadual neste domingo (18). Ele é o favorito nas prévias do partido que irão escolher o candidato ao Palácio dos Bandeirantes.

Além de Doria, estão inscritos nas prévias o ex-presidente do PSDB, José Aníbal, o secretário estadual de Desenvolvimento Social, Floriano Pesaro e o sociólogo Luiz Felipe d'Avila. A taxa de inscrição é de R$ 45 mil para cada, o que foi alvo de críticas dentro do partido. De acordo com o PSDB, 72 cidades têm locais de votação, que começou nesta manhã está prevista para encerrar às 16h.

O resultado oficial deve sair no fim da tarde deste domingo. "A tendência é uma vitória do Doria. Ele conseguiu fazer uma boa articulação", afirmou o deputado e 2º vice-presidente do partido, Ricardo Tripoli (PSDB-SP), que disputou com o prefeito as prévias em 2016.

Se antes eram opositores, agora o tucano elogia o correligionário. "É uma gestão de muito trabalho e dedicação. O que ele fez neste ano equivale a 4 vezes o que o prefeito anterior fez em 4 anos", disse ao HuffPost Brasil, em referência a Fernando Haddad (PT).

Tripoli citou como exemplo o Corujão da Saúde. Doria prometeu zerar a fila de espera por exames em São Paulo em 3 meses de gestão. Perto do prazo, a prefeitura divulgou que apenas 1.706 (0,35%) dos 485 mil pedidos não haviam sido atendidos. No entanto, em 2 de abril, já havia 95.777 exames esperando agendamento, de acordo com a Agência Lupa.

Para concorrer ao governo estadual, Doria precisa deixar a prefeitura até 7 de abril, prazo da chamada desincompatibilização. Ele corre para cumprir as 118 promessas de campanha. Levantamento da Folha de S. Paulo publicado em dezembro, mostra que 11 (9%) haviam sido concluídas, 45 (38%) estavam em andamento, 29 (25%) em ritmo lento de implementação e 33 paradas (28%).

Brazil Photo Press/CON
No início do mandato, prefeito João Doria (PSDB) teve como foco ações de zeladoria no programa Cidade Linda, mas paulistanos reclamam de abandono após meses de gestão.

Tucanos apostam que Doria vai superar impopularidade

Ao longo do 1º ano de mandato, o prefeito viu sua popularidade cair. Em janeiro de 2017, 44% dos paulistanos consideravam seu governo ótimo ou bom e 13% achavam ruim ou péssimo, de acordo com o Datafolha. Em dezembro, a avaliação positiva da gestão caiu para 29% e negativa chegou a 39%, mesmo percentual de Haddad ao final do 1º ano de gestão, em 2013.

Dentro do PSDB, a aposta é que Doria vai recuperar o apoio eleitoral ao explorar ações na prefeitura. "É uma questão de tempo, de ele demonstrar tudo o que fez", opinou Tripoli.

O tempo de televisão também conta a favor do partido que governa São Paulo há 23 anos. De acordo com o deputado Silvio Torres (PSDB-SP), tesoureiro da sigla, os tucanos já têm 1/4 do tempo de propaganda eleitoral em rádio e TV, com as alianças atuais.

Aliados do prefeito também trabalham para fortalecer o nome do sucessor de Doria, o vice-prefeito Bruno Covas (PSDB). "Ele não está deixando a prefeitura para qualquer um", disse ao HuffPost Brasil o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), vice-presidente jurídico do partido.

Já a divisão do apoio do governador Geraldo Alckmin (PSDB), padrinho político do prefeito, é minimizada pelos tucanos. "Não tem prejuízo a relação com o [Márcio] França", analisou Sampaio. Além de estar ao lado de Doria, Alckmin valida a campanha de seu vice, Márcio França, ao governo estadual. Também lançarão candidatos para o Palácio dos Bandeirantes o MDB e o PT, com Paulo Skaf e Luiz Marinho, respectivamente.

Adriano Machado / Reuters
Governador de São Paulo, Geraldo Alckmin vai apoiar tanto candidatura de João Doria (PSDB) quanto de Márcio França (PSB) ao Palácio dos Bandeirantes.

Críticas a Doria

Dois motivos são apontados pela pesquisa Datafolha para a queda da popularidade do prefeito. Paulistanos demonstram insatisfação com as ações de zeladoria, uma das bandeiras do político. Apontam que áreas vistoriadas no início da gestão voltaram a ficar danificadas. As viagens pelo País no ano passado, quando Doria cogitava disputar o Palácio do Planalto, também provocaram desgaste.

Em outubro, o ex-governador de São Paulo Alberto Goldman, também do PSDB, chegou a dizer que Doria era "um dos piores políticos que já tivemos" por sua ambição de se viabilizar como presidenciável apesar da campanha de Alckmin para o mesmo cargo. O prefeito retrucou, chamando o correligionário de "improdutivo, fracassado".

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