16/03/2018 09:29 -03 | Atualizado 16/03/2018 10:55 -03

Dani Borges, uma apaixonada pelo Vietnã que virou chef e abriu seu restaurante

Viagem de férias foi gatilho para vida nova; após anos de planejamento, tirou o sonho do papel.

Caroline Lima/Especial para HuffPost Brasil
Dani Borges comanda o Bia Hoi SP Vietpub, no centro de São Paulo.

O primeiro prato que comeu começou a mudar tudo. Era uma carne com capim limão. Ali, muito mais do uma simples refeição, começava uma relação de amor e uma transformação de vida e carreira para Dani Borges, 37 anos.

Foi o ingrediente inicial para que ela se tornasse chefe de cozinha. "Foi o primeiro prato que comi quando cheguei ao Vietnã e achei sensacional e pensei: 'como a gente nunca fez isso'." Dessa viagem de férias ocorrida em 2013, voltou transformada e com o novo plano na cabeça. "Fui e fiquei apaixonada, foi amor total. Quando voltei comecei a estudar a gastronomia de lá, ler, saber da história, como é a gastronomia em cada região do Vietnã."

Foi uma ideia que cozinhou ali por cerca de dois anos. Dani já havia estudado gastronomia e, como jornalista, criou uma agência de comunicação que tinha muitos clientes da área de comida e bebidas. Mas nunca havia considerado mudar de profissão. Até então.

Abri o restaurante na raça, estou pagando a obra ainda. Parcelei tudo.

Caroline Lima/Especial para HuffPost Brasil
Restaurante vietnamita aberto por Dani Borges fica na República.

Em 2015, deu mais um passo para colocar sua ideia à mesa. "Fiquei trabalhando a cozinha vietnamita um ano e meio antes de abrir o restaurante. Falei que ia montar, mas resolvi fazer um teste, ver se as pessoas curtiam, se fazia sentido. E começou o projeto Jantar no Centro. Duas vezes por mês eu recebia na minha casa 20 pessoas para jantar. O menu era vietnamita, todo mês um diferente." No dia seguinte à refeição no apê de Dani, as pessoas recebiam um questionário perguntando o que tinham achado, o que gostariam que fosse diferente, quanto pagariam por aquele prato.

Junto com esse experimento, começou a montar planilhas, projetos, buscar referências, pensar na cara que ela queria para essa nova vida, dedicada à culinária.

Mandou um e-mail para o cônsul do Vietnã no Brasil, contou sobre seu projeto de restaurante e pediu ajuda para fazer contato com alguns chefs locais. "Ele ficou surpreso, mas contente. Os vietnamitas são muito fofos, gentis e acolhedores. Falou que ia me ajudar, passou indicação de chefs e pude ficar nos restaurantes, vivenciar o que era essa gastronomia do Vietnã."

Você tem que ser meio brava às vezes, as pessoas folgam [por eu ser mulher]. Pedem pra falar com meu sócio, como se eu não pudesse resolver.

Caroline Lima/Especial para HuffPost Brasil
Apaixonada pelo Vietnã, Dani perseguiu seu sonho de abrir um restaurante vietnamita em São Paulo.

Com tudo bem projetado, foi para a parte prática desse sonho e em novembro de 2017 estava com as mesas postas em um pequeno espaço no centro de São Paulo. "Fiz na raça, estou pagando a obra ainda. Parcelei tudo."

E nestes poucos meses de vida nova no comando do Bia Hoi, está aprendendo muita coisa. Ter o próprio restaurante e se impor como mulher nesse meio é um desafio.

"Você tem que ser meio brava às vezes, as pessoas folgam [por ser mulher]. Pedem pra falar com meu sócio, como se eu não pudesse resolver. Eu sou esquentada. Pisou no meu calo eu rodo a baiana rapidinho e falo que pode resolver comigo mesmo."

Cozinha ainda é um lugar muito machista, mas tem mais mulheres conquistando terreno. ​​​​​​

Caroline Lima/Especial para HuffPost Brasil
Para a chef, não tem nada melhor do que casa cheia e muita adrenalina na cozinha.

E Dani defende seu posto também à frente do fogão. "Cozinha ainda é um lugar muito machista, mas tem mais mulheres conquistando terreno. Aqui é um bar muito feminino. Acho que é importante a gente marcar esse espaço, temos que bater o pé no chão e falar que aqui é lugar da gente. Não dá para desistir diante de qualquer preconceito."

Não desistiu. Exibe com orgulho suas queimaduras no braço. "Cada dia é uma nova", conta, feliz da vida, minutos antes de iniciar mais um longo turno de trabalho, em pé, na cozinha. Mas não reclama. "O mais legal é quando está bem cheio, aquela loucura, aquela gritaria."

Uma paixão deliciosa sem modo de preparo exato. Mas com todos os ingredientes necessários.

Ficha Técnica #TodoDiaDelas

Texto:Ana Ignacio

Imagem:Caroline Lima

Edição:Diego Iraheta

Figurino:C&A

Realização:RYOT Studio Brasil

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