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15/03/2018 10:09 -03 | Atualizado 15/03/2018 11:32 -03

Marielle, presente: Políticos, ONGs e ativistas lamentam assassinato e pedem justiça após morte de Marielle Franco

Organizações pedem investigação rápida e imparcial sobre a morte da vereadora assassinada na última quarta-feira (14).

Duas mulheres se abraçam em local próximo à cena do crime, na noite desta quarta-feira (14), no Rio de Janeiro.
Ricardo Moraes / Reuters
Duas mulheres se abraçam em local próximo à cena do crime, na noite desta quarta-feira (14), no Rio de Janeiro.

Organizações, políticos, famosos e ativistas pedem investigação rápida e imparcial sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco (Psol-RJ) na última quarta-feira (14). Marielle foi assassinada a tiros no bairro do Estácio, região central do Rio de Janeiro. Ela voltava do evento "Jovens Negras Movendo as Estruturas". Além da vereadora, morreu o motorista do veículo, Anderson Pedro Gomes.

De acordo com informações da polícia, bandidos emparelharam com o carro em que Marielle estava e dispararam contra as vítimas. Os criminosos fugiram e foram encontradas 9 capsulas de balas no local. A principal linha de investigação é a de que o crime foi uma execução, de acordo com a Delegacia de Homicídios.

Em nota à imprensa, a secretaria de Comunicação Social da Presidência da República afirmou que a Polícia Federal está à disposição para auxiliar na investigação do crime.

O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, e o interventor federal no estado, general Walter Braga Netto, colocaram a Polícia Federal à disposição para auxiliar em toda investigação.

Para a Anistia Internacional, não podem restar dúvidas em relação ao contexto do crime.

O corpo de Marielle será velado na Câmara dos Vereadores a partir das 11h desta quinta-feira (15). O Psol e outros grupos em defesa dos direitos humanos organizaram uma agenda de atos em memória à vereadora. As manifestações vão ocorrer em São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Brasília, Belo Horizonte, Curitiba, Recife e Natal.

Mulher, negra, socióloga, lésbica e ativista, Marielle era relatora da Comissão que acompanhava a Intervenção Federal no Rio. A vereadora foi eleita com mais de 45 mil votos no Rio de Janeiro, a quinta mais votada no estado durante as eleições de 2016.

Em seu trabalho como parlamentar, ela denunciava a violência policial

O assassinato de Marielle repercutiu nas nas redes sociais. No Twitter, a hashtag #NãoFoiAssalto estava entre os termos mais comentados nesta quinta-feira (15).

Em nota, o PSol exigiu investigação imediata sobre o crime. O partido não descarta a hipótese de ter sido um crime político.

O deputado estadual Marcelo Freixo (PSol) afirmou que o crime é "inadmissível" e que Marielle não havia sofrido ameaças anteriores.

"A gente vai cobrar com rigor, todas as características são de execução. Evidente que vamos aguardar todas as conclusões da polícia, cabe à polícia fazer a investigação, mas a gente, evidentemente, não vai nesse momento aliviar isso. As características são muito nítidas de execução, queremos isso apurado de qualquer maneira, o mais rápido possível", afirmou.

O presidente nacional da OAB Claudio Lamachia afirmou que o assassinato de Marielle ofende "os valores do Estado Democrático de Direito".

"A OAB tem proposto e cobrado soluções efetivas para o combate ao crime. O episódio triste e lamentável que é o assassinato de uma representante do povo resulta de anos de uma política de segurança equivocada, que só tem resultado em fortalecimento do crime. É hora de adotar medidas efetivas e mudar esse cenário", declarou.

Para a organização Human Rights Watch, a morte de Marielle e Anderson representam "um sistema de segurança falido".

Nas redes sociais, políticos e ativistas prestaram homenagem à Marielle.

Sâmia Bomfim, vereadora (PSol)

Djamila Ribeiro, pesquisadora e ativista

Guilherme Boulos, pré-candidato à Presidência pelo Psol

Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados

Jandira Feghali, deputada federal (PCdoB)

Marina Silva (REDE)

Manuela D'Ávila (PCdoB)

Atila Roque, diretor executivo da Anistia Internacional

Chico Alencar, deputado federal (PSol)

Elza Soares, cantora

Lula (PT)

Ciro Gomes (PDT)

MC Carol

Estou buscando palavras, pq eu só sinto ódio, só sinto raiva e mt medo, realmente, eu nao sei o que falar, mas do que nunca eu estou me sentindo oprimida e fraca, eu tinha tantos planos esse ano... e agr eu só tenho lagrimas e pavor. Marielle e Taliria me encorajaram, a lutar, a ser mais forte, elas estiveram na minha casa, onde conversamos por horas, sobre meus medos, minhas dúvidas etc.. eu estava tao segura, tao esperançosa dps de conversar com elas, hoje eu só sinto medo, eu sempre senti na verdade, por ser negra, por morar no morro, por andar a noite na rua, por ser mulher, por cantar funk principalmente "Delação premiada", mas alguma coisa me dava força e esperança la no fundo, algo me dizia que eu tinha que fazer, que eu tinha que gritar e falar msm, que eu podia, mas hoje eu tenho certeza que nada te proteje independente de quem voce seja, se voce for negro e lutar pelos negros, vc sempre acaba EXECUTADO!!! 😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭😭

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