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15/03/2018 13:37 -03 | Atualizado 15/03/2018 20:17 -03

Câmara dos Deputados irá acompanhar investigações do assassinato da vereadora Marielle

“Estamos aos pedaços agora, mas a gente vai se juntar e não vão esquecer. As ideias são à prova de bala”, afirmou o deputado Jean Wyllys (PSol-RJ).

AOL/Marcella Fernandes
Câmara dos Deputados irá acompanhar investigações do assassinado da vereadora Marielle Franco (PSol), morta a tiros no Rio de Janeiro.

Um dia após o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSol) no Rio de Janeiro, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), atendeu a pedido do PSol e autorizou a criação de uma comissão externa para acompanhar as investigações do crime.

Quinta vereadora com mais votos no Rio, a socióloga foi assassinada com 4 tiros na cabeça em seu próprio carro na noite da última quarta-feira (14), após denunciar ações truculentas da Polícia Militar. Marielle era relatora da Comissão da Câmara de Vereadores do Rio criada para acompanhar a atuação das tropas na intervenção federal na área de segurança do Rio.

"Acho importante a Câmara participar também, já que foi o assassinato brutal de uma parlamentar", afirmou a jornalistas após sessão solene na Câmara em homenagem à vereadora. Pré-candidato à Presidência da República, Maia disse que a atuação da Câmara é adequada já que o Rio está sob responsabilidade do governo federal devido à intervenção.

Apoiador da intervenção, o democrata negou que a medida tomada pelo governo de Michel Temer possa ser prejudicada, mas cobrou maior transparência nas ações.

"Não [deve ser prejudicada a intervenção]. Eu sempre disse que intervenção precisa do diagnóstico, do planejamento e da execução, que eram 3 fases. Como o próprio interventor disse que foi pego de surpresa, certamente está terminando o planejamento. Mas é importante, como tenho cobrado aqui sempre, que o planejamento seja transparente", afirmou a jornalistas.

O presidente da Câmara disse esperar que o assassinato de Marielle não radicalize o debate sobre a segurança pública e informou que a Casa deve votar a criação do Sistema Único de Segurança Pública (Susp) na próxima semana.

Já o debate da revisão do Estatuto do Desarmamento não é prioridade. De acordo com ele, o Susp e mudanças para combater o tráfico de armas e de drogas são "mais relevantes para a sociedade". Maia defende maior restrição à posse de armas e um controle maior do que a bancada da bala propõe. "É um debate que gera muitas emoções e radicalismo. Vamos com calma", minimizou.

Homenagem à Marielle na Câmara

AOL/Marcella Fernandes
Sessão solene na Câmara dos Deputados em homenagem à vereadora Marielle Franco (PSol), assassinada no Rio de Janeiro, tem clima de luto e cobrança por investigações do crime.

Iniciada às 11h desta quinta, a homenagem à Marielle Franco no plenário da Câmara dos Deputados foi marcada por um clima de luto, cobrança pelas investigações do crime e enfrentamento à violência policial e à intervenção federal no Rio.

Amigo da vereadora, coube ao deputado Jean Wyllys (PSol-RJ) pedir a criação de uma comissão externa da Câmara para acompanhar a apuração do crime, em um discurso breve na tribuna.

Eu perdi uma companheira de luta. Nós estamos aos pedaços agora, mas a gente vai se juntar e não vão esquecer. As ideias são à prova de bala. Eu quero entregar esse pedido a você, Rodrigo Maia, para a formação de uma comissão externa para investigar esse crime. Ele não vai ficar impune, nem a memória dela será esquecida

No plenário lotado, pessoas próximas a Marielle seguraram girassóis e faixas em apoio à vereadora, como "Quem grita, vive contigo". Os gritos de "Marielle, presente!" também foram frequentes.

A deputada Luiza Erundina (PSol-SP) questionou a democracia em que "uma representante do povo eleita democraticamente pelas suas bases ao exercitar o mandato que deveria ser soberano" é assassinada. "Cada um de nós, sobretudo mulheres, nos sentimos morrendo um pouco no dia de hoje, no dia de ontem", completou.

Marielle foi assassinada junto com o motorista Anderson Pedro Gomes. A vereadora denunciou nos últimos dias ações de violência da Polícia Militar em operações na Favela de Acari, na Zona Norte do Rio.

No sábado, ela compartilhou em seu perfil no Facebook o relato de que policiais do 41º Batalhão da PM do Rio teriam aterrorizado moradores da comunidade. "Precisamos gritar para que todos saibam o está acontecendo em Acari nesse momento". De acordo com o texto, dois jovens teriam sido mortos.

No requerimento de criação da comissão, o PSol afirma que "os assassinatos de Marielle e Anderson representam, para aqueles que atuam em prol dos direitos humanos, especialmente dos diretos dos negros, pobres e homossexuais, um grave atentado ao direito à vida e à democracia".

O documento sustenta que, segundo as primeiras informações da polícia, bandidos em um carro emparelharam ao lado do veículo onde estava a vereadora e dispararam. Marielle foi atingida com pelo menos quatro tiros na cabeça.

"A perícia encontrou nove cápsulas de tiros no local. Os criminosos fugiram sem levar nada. No momento do crime, a vereadora estava no banco de trás do carro, no lado do carona. Tudo indica que se trata de uma execução – e esta é a principal linha de investigação da Delegacia de Homicídios", diz o requerimento.

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