15/03/2018 08:53 -03 | Atualizado 15/03/2018 09:09 -03

Bia Azevedo, a mulher que não teve medo de recomeçar após câncer na juventude

Ela superou as previsões médicas ao engravidar após tratamento. Virou estagiária aos 30 e hoje é dona da própria empresa.

Bia Azevedo destaca-se pelo otimismo com que enfrenta os percalços da vida.
Caroline Lima/Especial para HuffPost Brasil
Bia Azevedo destaca-se pelo otimismo com que enfrenta os percalços da vida.

Logo de cara não dá para imaginar tudo que aconteceu. Bia Azevedo, 46 anos, é pura tranquilidade e otimismo. Diz que sempre foi desse jeito, mas aos 18 anos teve que exercitar ainda mais esse seu lado.

Assim que tinha começado a fazer faculdade — ela passou em duas no Rio de Janeiro —, descobriu que tinha linfoma de Hodgkin, um tipo de câncer que atinge parte do sistema imunológico. Passou por quimioterapia, radioterapia. Chegou a ficar um mês dentro do quarto, sem sair, vendo apenas a mãe.

Todo mundo se agarra à vida. O ser humano é corajoso. Eu me joguei [no tratamento], pensava que ia ser só uma fase. Encarei assim o câncer.

Caroline Lima/Especial para HuffPost Brasil
Bia Azevedo foi diagnosticada com linfoma de Hodgkin aos 18 anos.

Teve que parar de estudar, de estagiar. Ouviu que talvez não conseguisse engravidar. Largou tudo para focar no seu tratamento. "Meu médico disse que eu tinha 80% de chance de cura. Para mim aquilo era 100%. E eu queria estagiar, fui trabalhar. Uma hora tive que me afastar, mas continuei com a faculdade e o tratamento até quando deu. Todo mundo se agarra à vida. O ser humano é corajoso. Eu me joguei [no tratamento], pensava que ia ser só uma fase, encarei assim."

E foi. Hoje Bia tem a própria empresa, dois filhos e um diploma. Foi atrás de tudo que queria, sem vergonha nenhuma de recomeçar.

Voltou à faculdade aos 28 anos, virou estagiária aos 30 e refez essa parte da vida que ficou em suspenso por causa da doença. "Foi difícil, eu achava que ninguém ia me contratar porque eu tinha 28 anos. Mas eu tinha que recomeçar, fazer uma história nova. Tudo que eu passei me deixou coisas boas. Levei para a vida esse aprendizado de recomeçar."

Recomeçar e reinventar são palavras de todo dia. E deixei de ter medo, não tive medo de tentar.

Caroline Lima/Especial para HuffPost Brasil
Bia Azevedo ouvia dos médicos que tinha 80% de chance de cura, mas sempre encarou que tinha 100%.

Antes de encarar a volta aos estudos, Bia se dedicou a outro projeto de vida. Logo após o tratamento, com 20 anos, casou. E queria muito ter filhos. No entanto, com suspeita de menopausa precoce, algumas sequelas do tratamento contra o câncer e os alertas médicos, era grande a apreensão de não engravidar. Aos 24 anos engravidou — e perdeu o bebê.

Apesar da tristeza com o aborto natural, teve certeza de que, então, era possível engravidar. "Me incomodava a possibilidade de não ter filhos. Maternidade era um projeto de vida e eu acreditava que isso podia acontecer. Perdi, mas na sequência engravidei de novo. E tive outro logo depois e aí entrei na menopausa."

Com os filhos crescendo, aí sim foi atrás de outra parte da vida que almejava muito: o diploma e a carreira. "Eu sempre fui positiva e otimista e acho que temos que aprender a lidar com o desconhecido, não se cobrar tanto. Recomeçar e reinventar são palavras de todo dia. E deixei de ter medo, não tive medo de tentar."

Foi estagiária aos 30 anos e efetivada aos 32. Em 2012, virou empreendedora e abriu a própria agência de comunicação.

Caroline Lima/Especial para HuffPost Brasil
Bia Azevedo interrompeu os estudos por causa do câncer. Virou estagiária aos 30 e hoje comanda o próprio negócio.

Bia reconhece a dificuldade que teve ao longo da vida, mas conta sua história como se não fosse um grande feito. O maior desafio dessa fase nem foi em relação a si mesma. "O mais difícil de ficar doente foi ter convivido muito com histórias tristes e não saber como muitas dessas histórias acabaram."

Mas sabe que foi uma guerreira. "Agarrei as oportunidades e fiz as coisas acontecerem." Agarrou e sabia que ia dar certo.

Porque, para Bia, sua chance de vida sempre foi de 100%.

Ficha Técnica #TodoDiaDelas

Texto:Ana Ignacio

Imagem:Caroline Lima

Edição:Diego Iraheta

Figurino:C&A

Realização:RYOT Studio Brasil

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