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15/03/2018 14:16 -03 | Atualizado 15/03/2018 16:19 -03

Assassinato da vereadora Marielle Franco não muda intervenção no Rio, dizem ministros

“Trata-se do assassinato de uma representante que fazia manifestações para preservar a paz no Rio (...) por isso decretamos a intervenção”, disse Temer.

Para governo de Michel Temer, assassinato da vereadora Marielle Franco (PSol) não muda intervenção federal no Rio de Janeiro.
Montagem/Getty Images/Reprodução
Para governo de Michel Temer, assassinato da vereadora Marielle Franco (PSol) não muda intervenção federal no Rio de Janeiro.

Apesar de lamentar o assassinato da vereadoraMarielle Franco (PSol) no Rio de Janeiro, o governo de Michel Temernão irá alterar aintervenção federal na segurança do Rio. 5ª vereadora com mais votos no Rio, a socióloga foi assassinada com 4 tiros na cabeça após denunciar ações truculentas da Polícia Militar na última quarta-feira (14).

Em reunião com ministros sobre o caso nesta quinta-feira (15), o presidente classificou o homicídio como "inadmissível, como todos os demais assassinatos que ocorrem no Rio de Janeiro" e "um verdadeiro atentado ao Estado de Direito e à democracia".

De acordo com Temer, o objetivo da intervenção no Rio é combater esse tipo de violência. O presidente informou que o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, irá acompanhar as investigações de perto.

No caso especial, trata-se do assassinato de uma representante popular, que, ao que sei, fazia manifestações, trabalhos com vistas a preservar a paz e a tranquilidade na cidade do Rio de Janeiro. Por isso, aliás, decretamos a intervenção. Para acabar com esse banditismo desenfreado que se instalou naquela cidade por força das organizações criminosas.

Marielle era relatora da Comissão da Câmara de Vereadores do Rio criada para acompanhar a atuação das tropas na intervenção federal na área de segurança do Rio. O mandato da vereadora será assumido pelo suplente conhecido como Babá, também filiado ao PSol.

De acordo com as primeiras investigações, bandidos em um carro emparelharam ao lado do veículo onde estava a vereadora e dispararam. Marielle foi atingida por 4 balas na cabeça. Ela estava acompanhada do motorista Anderson Pedro Gomes, também executado, e de uma de suas assessoras.

Na sessão de homenagem à vereadora na Câmara dos Deputados, o tom foi de crítica à violência policial e à intervenção militar. Apesar da pressão, o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ) negou que o assassinato terá impacto na atuação dos militares no Rio. A mesma postura foi adotada por ministros de Temer.

Titular da Secretaria de Governo, Carlos Marun, afirmou a jornalistas que os autores do crime serão encontrados e que isso é a "prova de que a autoridade está em restabelecimento no Rio de Janeiro".

É um assassinato. Só faltava alguém pensar que, com a intervenção, cessariam os assassinatos no Rio de Janeiro. Obviamente que nós não temos essa pretensão.

O ministro da Justiça, Torquato Jardim, por sua vez, adotou um tom parecido. "É preciso conhecer bem as razões e encontrar os responsáveis. Isso não põe em xeque a eficácia da intervenção federal", afirmou no Fórum Econômico Mundial na América Latina, em São Paulo.

Em nota, o Gabinete da Intervenção afirmou que o general Braga Netto repudia as ações criminosas. "Ele se solidariza com as famílias e amigos. O interventor federal acompanha o caso em contato permanente com o Secretário de Estado de Segurança", diz o texto. O secretário de Segurança do Rio, general Richard Nunes, por sua vez, determinou à Divisão de Homicídios uma ampla investigação sobre o crime.

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