13/03/2018 08:52 -03 | Atualizado 15/03/2018 09:06 -03

Fátima Pissarra, a executiva visionária que persistiu nas 'ideias loucas' e inovou o mercado de celulares

Atual diretora-geral da Vevo e da Mynd, ela concilia trabalho com família sem se abater por julgamentos.

Caroline Lima/Especial para HuffPost Brasil
Fátima Pissarra é diretora-geral da Vevo e tem mais de 20 anos de carreira.

Ela sempre gostou de buscar uma ideia nova. Buscava desbravar áreas ainda pouco exploradas ou pensar em produtos e acessórios que nunca haviam sido lançados no mercado. Nunca se conformou fácil com uma negativa e sempre acreditou que era possível conceber um projeto do zero.

Fátima Pissarra, 40 anos, se dedicou durante toda sua carreira a mostrar que podia fazer o que quisesse fazer. "Sempre acho que para me perceberem em uma empresa eu tenho que mostrar que eu sou boa; não posso só falar que eu sou boa. E sempre tive na minha cabeça que só ia depender de mim chegar aonde eu quisesse e não esperar dos outros."

Assim ela chegou. Hoje é diretora-geral da Vevo, plataforma de vídeos de música e entretenimento. Antes disso fez sucesso em grandes empresas como BCP, Terra e Nokia.

Eu não aceitava não, eu ia atrás e fazia, mas me chamavam de louca. Tinha muito preconceito [por eu ser mulher], mas nada me barrava.

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Fátima Pissarra criou os ringtones dos celulares, aparelhos customizados e inovou na forma de vender celulares em parcerias com marcas.

Há menos de um ano, começou mais um trabalho novo. Fátima viu uma apresentação de Pablo Vittar e ficou apaixonada. Enxergou ali uma vontade por uma nova atuação e criou a Mynd, empresa para agenciar artistas.

Ao longo de mais de duas décadas, ela desenvolveu produtos e criou cargos e áreas nos locais por onde passou. Ouviu nãos, enfrentou preconceito, olho torto e muito julgamento. Mas no meio disso tudo criou os ringtones dos celulares, aparelhos customizados, inovou na forma de vender celulares com parcerias com marcas.

Foi reconhecida. Mas não foi fácil. "Eu não aceitava não, eu ia atrás e fazia, mas me chamavam de louca. Tinha muito preconceito, mas nada me barrava."

Queriam me descredenciar, não me incluir nas decisões.

Ela precisava provar que era capaz e não era simplesmente "ansiosa". Além disso, Fátima também teve que lidar com o fato de ser uma mulher em um ambiente dominado por homens nas empresas de telefonia.

"Eu senti preconceito de gênero, que não vinha da empresa, mas as pessoas achavam que como eu cuidava de aparelhos customizados, era fru fru, não era importante. Queriam me descredenciar, não me incluir nas decisões."

Mas ela nunca se deixou abater por isso. Entendia bem as suas qualidades e como poderia contribuir com as empresas por onde passou. "Acho que a mulher tem uma mente mais flexível, até pela adaptação que você tem que ter desde pequena para ser aceita. Então a gente é bem mais flexível do que o homem."

Falam que meu marido é corajoso de casar comigo. Por que tem que ser um grande feito casar com uma mulher poderosa? Eu acho normal.

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A executiva Fátima Pissarra é uma apaixonada confessa pelo trabalho e não para um minuto quando está no escritório.

Fátima tem 3 filhos. Acompanha o desenvolvimento deles de perto, mas sem abrir mão dos compromissos de trabalho. "Falam que a mulher terceiriza a criação dos filhos, mas e o homem? Tem gente que fala que eu só trabalho, que não levo meus filhos no médico [para consultas de rotina] e é isso mesmo. Não levo e não tenho nenhum problema com isso."

Assumidamente apaixonada pelo trabalho, concilia a carreira com a família, mas destaca que não acha isso nada demais. "Tem muito preconceito com relacionamentos. Falam que meu marido é corajoso de casar comigo. E isso é um preconceito. Mesmo que seja em tom positivo, por que tem que ser um grande feito casar com uma mulher poderosa? Eu acho normal."

Há cerca de um ano, Fátima tratou de um câncer de tireoide. E continuou com essa mesma postura objetiva e positiva diante da vida. "Quando me falaram, na hora pensei: eu vou morrer? E pensei que se eu fosse morrer, o que eu ia fazer? O que eu amo fazer? Eu faria exatamente o que eu faço", diz, sem hesitar.

Mas Fátima tem alguns desejos adormecidos, que ainda não realizou, como morar fora do Brasil. Amsterdam, quem sabe. Vai que surge "alguma ideia louca" por lá...

Enquanto isso, segue no que sabe fazer por aqui mesmo. E aproveita seu lado visionário para fazer uma previsão para o futuro.

"Vai ter o pico do superfeminismo, porque ainda não chegou no pico. [Acredito que um dia essa desigualdade vai acabar] mas vai demorar. Mas imagino daqui 200 anos, o homem em casa falando pro outro: 'você lembra quando o homem trabalhava?'", vislumbra.

Imagino daqui a 200 anos um homem em casa falando pro outro: 'você lembra quando o homem trabalhava?'.

Caroline Lima/Especial para HuffPost Brasil
Fátima acredita que o pico do superfeminismo ainda está por vir e o mercado de trabalho vai mudar muito sua demografia.

Ficha Técnica #TodoDiaDelas

Texto: Ana Ignacio

Imagem: Caroline Lima

Edição: Diego Iraheta

Figurino: C&A

Realização: RYOT Studio Brasil

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