COMPORTAMENTO
13/03/2018 16:26 -03 | Atualizado 13/03/2018 16:39 -03

Falar com voz de bebê vai te aproximar do seu cachorrinho já adulto, diz pesquisa

Pesquisadores da Universidade de York defendem o "maternês" como ferramenta para criar laços com os catíoros.

Pesquisadores incentivam falar com voz de bebê com cachorros.
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Pesquisadores incentivam falar com voz de bebê com cachorros.

Não ligue se os outros acham um tanto ridículo. Está liberado falar com aquela voz toda especial, que só você consegue fazer, ao se comunicar com o seu bichinho. E é por uma boa causa.

Pesquisadores da Universidade de York, nos Estados Unidos, defendem que falar com a voz de bebê com os cachorros é uma ótima estratégia para criar laços afetivos e sociais com o pet, além de desenvolver a atenção e o foco do bichinho para o que você está tentando comunicar.

A pesquisa publicada na última terça-feira (6) rebate o argumento de estudos anteriores sobre a comunicação com cães. Em 2017, pesquisadores da Universidade de Lyon, na França, sugeriram que falar em um tom voz com alta carga emocional melhorava a relação com os filhotes, mas fazia pouca diferença com cães adultos.

O estudo da Universidade de York testou essa teoria com novos experimentos para entender mais sobre o porquê de os humanos falarem assim com cães, e como esse tipo de comunicação seria útil para os animais.

A pesquisa

A pesquisadora Katie Slocombe, do Departamento de Psicologia da Universidade de York, explicou que o registro de fala "maternês" é pensado para ajudar na aquisição de linguagem e melhorar a forma como o bebê se relaciona com o adulto.

Para entender como esse discurso se relacionava com os cachorros, a equipe colocou adultos humanos na mesma sala que os cães, em vez de simplesmente transmitir mensagens gravadas em um alto-falante.

Os pesquisadores fizeram uma série de testes com os cães adultos, com frases como "você é um bom cão" e "vamos passear?".

Em outro grupo, um pesquisador falava frases mais genéricas para os animais, sem qualquer relação com o contexto, como "eu fui ao cinema ontem".

Após os testes, os pesquisadores mediram a capacidade de atenção do cachorro durante a conversa. Os animais, então, estavam permitidos a escolher com qual humano eles preferiam interagir fisicamente.

Depois, os pesquisadores misturavam frases com o tom de voz mais emocional e também os tipos de conteúdo, ora frases como "vamos passear?'", ora frases genéricas, para permitir que os pesquisadores compreendessem se era o tom de voz mais emocional do discurso que atraía os cães ou as próprias palavras escolhidas por cada humano.

"Descobrimos que os cães adultos eram mais propensos a interagir e gastar tempo com o falante que usava o tom de voz emocional com conteúdo relacionado ao cão, do que aqueles que usavam discurso emocional, mas sem conteúdo relacionado a cães. Quando misturamos os dois tipos de fala e conteúdo, os cães não mostraram preferência por um orador sobre o outro. Isso sugere que os cães precisam ouvir palavras relevantes para eles e, se possível, faladas em um tom de voz emocional para realmente prestar atenção no que está sendo comunicado", explica o pesquisador Alex Benjamin, da Universidade de York.

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Criança e cachorro como a Bela e a Fera
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