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10/03/2018 18:48 -03 | Atualizado 10/03/2018 18:48 -03

'Tem que tirar a intervenção militar da cabeça da população', diz general que comandou as tropas do Brasil no Haiti

General Heleno: “Tem que parar de achar que militar está sempre de colete e armas pronto para derrubar o governo".

Ex-comandante das Forças Armadas no Haiti, o general Heleno Ribiero acredita que falta ao País combater o preconceito contra militares.
Daniel Morel / Reuters
Ex-comandante das Forças Armadas no Haiti, o general Heleno Ribiero acredita que falta ao País combater o preconceito contra militares.

Ex-comandante das Forças Armadas no Haiti, o general da reserva Augusto Heleno Ribeiro Pereira fez um amplo desagravo aos militares em um debate na Escola Superior de Guerra, no Rio de Janeiro.

Tem que parar de achar que militar está sempre de colete e armas pronto para derrubar o governo.

Para ele, os militares são mal aproveitados por causa do preconceito contra a corporação.

"Existe preconceito contra militares. (...) O País combate todos os preconceitos menos esse. Somos mal aproveitados por causa dessa bobageira de achar que vai ter revolução, que vamos derrubar o governo."

O general usa como argumento os resquícios da luta dos militares "para garantir que o País não se tornasse comunista".

"Não passa na nossa cabeça esse negócio de intervenção militar. Isso é inapropriado, extemporâneo, uma coisa que só vai prejudicar o País, tem que tirar isso da cabeça da população brasileira."

Uso da violência

Em defesa da corporação, ele ressaltou que são os militares os responsáveis pelo uso institucional da violência.

"Esse é o papel das Forças Armadas, colocar em ordem o que está em desordem. Por isso, é armada e equipada para isso", emendou.

Para ele, o que incomoda "tanta gente é que para onde mandar, a gente vai. A hora que aperta correm para as Forças Armadas".

O general também entrou no debate sobre os direitos humanos. Para ele, a condição é prioritariamente para humanos direitos.

"Se os humanos direitos não têm direitos humanos, nós temos primeiro que arrumar isso. Vamos conseguir direitos humanos para humanos direitos, depois pensar em bandido. Bandido tem que ter direitos humanos? Claro que tem. É um absurdo cometer insanidades nas operações.

Agora passar a régua em bandido com fuzil sem efeito colateral... O cara não pode andar armado com fuzil como anda com aspirador de pó. Que brincadeira é essa? Ele não tem direito nem de andar armado, quanto mais com uma AR-15.

Um sujeito desses tem que ser devidamente alertado que, pela regra de engajamento, desde que não haja efeito colateral e ele esteja exibindo uma arma de uso exclusivo das Forças Armadas, ele é alvo porque eu eu preciso vencer uma situação de extrema crise. Tão extrema que fez com que o governo adotasse uma providência extraordinária. (...) Não vai resolver jogando flores e beijinhos."

Transtorno geopolítico

O general acredita ainda que um dos problemas do Brasil é a localização geográfica "horrível", pela proximidade com países líderes na produção e comercialização de drogas, como Colômbia e Peru.

"Nossa diplomacia não está autorizada a fazer determinadas ameaças a esses países, como cortar subsídios. (...) Hoje esses países podem ser considerados nossos inimigos."