POLÍTICA
08/03/2018 10:29 -03 | Atualizado 08/03/2018 18:34 -03

DEM lança Rodrigo Maia como candidato, mas não descarta aliança com PSDB

“O Democratas é nosso maior parceiro”, afirmou o líder do PSDB na Câmara, Nilson Leitão.

Democratas lança pré-candidatura de Rodrigo Maia, presidente da Câmara, ao Palácio do Planalto, mas não descarta aliança com PSDB.
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Democratas lança pré-candidatura de Rodrigo Maia, presidente da Câmara, ao Palácio do Planalto, mas não descarta aliança com PSDB.

Com uma bancada fortalecida na Câmara dos Deputado e o comando da Casa nas mãos, o Democratas (DEM) lançou nesta quinta-feira (8) a pré-candidatura de Rodrigo Maia à Presidência da República. É a primeira vez, desde o registro do partido em 2007, que a sigla não está ao lado do PSDB nas urnas. A aliança nacional, contudo, não está descartada nos próximos meses.

Para o presidente do DEM, senador Agripino Maia (DEM-RN), os antigos parceiros podem voltar às boas no 2º turno. "São programas de governo muito parecidos", afirmou ao HuffPost Brasil. Ambas as legendas defendem uma economia liberal, com ajuste fiscal e reforma da Previdência. Os 2 partidos apoiaram também a reforma trabalhista do governo de Michel Temer.

A decisão de lançar candidatura própria é uma forma de o DEM marcar posição. Com a janela partidária, que vai até 7 de abril, a bancada deve chegar a 40 deputados. Hoje são 37 e, no início da legislatura, eram 21. Entre os novos filiados, estão Laura Carneiro (PMDB-RJ) e Arthur Maia (PPS-BA), relator da reforma da Previdência e Sergio Zveiter (Podemos-RJ), relator da denúncia contra Temer.

Na convenção, em auditório na Câmara dos Deputados, Agripino ressaltou o aumento da bancada e a presença de tucanos no ato, como o ex-ministro Antonio Imbassahy e Marcus Pestana, secretário-geral do PSDB, ambos deputados federais. Citou ainda o governador Geraldo Alckmin, pré-candidato ao Planalto. "Ontem recebi um telefonema do Alckmin para cumprimentar pela convenção o partido pelo qual ele tem velho apreço", completou.

A ascenção de Maia ao comando da Câmara, em julho de 2016, após a saída de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), foi um marco da escalada do partido. No comando da Casa, o democrata contribuiu para a agenda do governo, mas manteve um bom diálogo com deputados de oposição, que ajudaram na sua eleição.

O presidenciável foi a única estrela da convenção do partido nesta quinta. No ato, o atual prefeito de Salvador, Antônio Carlos Magalhães Neto, o ACM Neto, assumiu a presidência do DEM. Possível candidato ao governo da Bahia, o prefeito foi reeleito com 74% dos votos válidos em 2016. Foi a segunda maior vitória entre as capitais brasileiras naquele ano, atrás apenas de Teresa Surita (PDMB), em Boa Vista (RR).

A popularidade do democrata fez com que ele fosse sondado como vice de Alckminna disputa pelo Palácio do Planalto, mas a aliança não se consolidou. O tucano está com dificuldade de decolar nas pesquisas. Na última sondagem do Datafolha, em 31 de janeiro, ficou com 8% das intenções de voto no cenário sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Já a rejeição chega a 26%.

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Pré-candidato do PSDB ao Planalto, Geraldo Alckmin enfrenta dificuldade em decolar nas pesquisas.

Candidatura de Rodrigo Maia pode não decolar

Apesar do anúncio de Maia, nos bastidores, a percepção é que, até julho, quando começam as convenções partidárias, a candidatura do democrata pode não se viabilizar. Pode ser a brecha para retomar as conversas com o PSDB. O deputado tem 1% das intenções de voto, de acordo com o Datafolha.

Líder do PSDB na Câmara, o deputado Nilson Leitão (MT) reconheceu o direito à candidatura própria do DEM, mas defendeu que os 2 partidos estivessem juntos desde o início da disputa eleitoral. "O Democratas é nosso maior parceiro", afirmou ao HuffPost Brasil.

O tucano também minimizou declarações recentes do presidenciável. Em entrevista à Rádio Eldorado nesta quarta-feira (7), Maia afirmou que "a rejeição do PSDB é hoje maior que a do PT", o que inviabilizaria uma vitória de Alckmin nas urnas.

Para Leitão, a frase é parte do papel de candidato do DEM. Ele reconheceu também que o PSDB precisa superar a perda de popularidade. "Tem obrigação de resgatar eleitores e conquistar novos votos", afirmou.

Reformas econômicas e programas sociais

Conhecidos pelo apoio às reformas econômicas, tanto o DEM quanto o PSDB tentam descolar a imagem de que acabariam com programas sociais. Os 2 se esforçam em elaborar ações em áreas como segurança e educação.

No comando da Câmara, Maia quer priorizar uma agenda social. Neste mês, ele articula a votação da criação de um sistema integrado de segurança e de uma proposta para endurecer o tráfico de drogas e de armas.

Já o documento "Gente em primeiro lugar: o Brasil que queremos", lançado pelo PSDB em novembro, defende a interferência do Estado na desigualdade social. "O livre mercado por si só não é capaz de assegurar a distribuição mais equânime das riquezas produzidas e, assim, superar as desigualdades e a pobreza. Torna-se necessária, portanto, a intervenção do Estado democrático", diz o texto.

Para o líder do DEM na Câmara, deputado Rodrigo Garcia (DEM-SP), a similaridade não atrapalha as candidaturas. "Não é um programa do DEM, do PSDB, do PMDB. O que vai fazer a diferença é a forma de contar essa história", afirmou ao HuffPost Brasil.

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