POLÍTICA
09/03/2018 01:45 -03 | Atualizado 09/03/2018 01:45 -03

Ao lado de Mendonça Filho, Rodrigo Maia foca em educação na pré-campanha

“Ninguém está falando de uma miragem. Como ministro da Educação, proporcionamos avanços significativos”, afirmou Mendonça Filho.

Atuação de Mendonaça Filho, ministro da Educação, serve de vitrine para pré-campanha de Rodrigo Maia ao Planalto.
Montagem / Getty Images
Atuação de Mendonaça Filho, ministro da Educação, serve de vitrine para pré-campanha de Rodrigo Maia ao Planalto.

Ministro da Educação no governo de Michel Temer desde maio de 2016,Mendonça Filho é um dos homens-chave da campanha do presidente da Câmara dos Deputados,Rodrigo Maia (DEM-RJ) à Presidência da República. A atuação do democrata na pasta, com destaque para a reforma do Ensino Médio, será usada de vitrine pelo presidenciável.

"Ninguém está falando de uma miragem. Como ministro da Educação, nós proporcionamos uma bela plataforma de avanços significativos hoje percebidos pela população brasileira, com ampla aprovação", afirmou Mendonça ao HuffPost Brasil na convenção do DEM na quinta-feira (8). O ato foi o pontapé inicial da pré-candidatura de Maia ao Planalto.

O ministro citou a reforma do Ensino Médio como um dos exemplos. "Isso reforça ainda mais nossos compromissos em relação ao futuro do Brasil, que educação é a base de tudo", afirmou. Ele irá contribuir com propostas para a campanha de Maia.

Para Mendonça, é com ideias e indo às ruas que o candidato vai aumentar a popularidade. Hoje, o presidente da Câmara tem 1% das intenções de votos, de acordo com o Datafolha. O presidenciável também se mostrou otimista. "A minha candidatura vai decolar, pode escrever aí. Não tem plano B. Pode escrever aí, eu tô no segundo turno com certeza", afirmou Maia na convenção.

A reforma do Ensino Médio foi alvo de diversas polêmicas, incluindo ter sido feita por meio de uma medida provisória e não por um projeto de lei, o que reduziu o debate. Mendonça rebateu a crítica. De acordo com ele, a discussão estava parada há 20 anos no Congresso. "É prática de esquerda debater, debater e não fazer", afirmou.

O foco na educação também foi destaque no discurso de Maia na convenção, além de uma agenda social, incluindo redução das desigualdades.

O Brasil tem saída. O fim da pobreza e das desigualdades e a construção de um país mais justo para nossos filhos exigem uma prioridade absoluta: a educação. Educação com qualidade, educação integral, educação como objetivo principal.

O combate às desigualdades também está presente no manifesto "O Brasil que vai dar certo", lançado pelo Democratas na convenção. O documento propõe "incentivar a economia e apoiar os setores produtivos, não porque somos submissos ao chamado mercado, como alguns pensam de forma equivocada, mas sim porque essa é a melhor maneira de gerar riquezas e elevar bem-estar aos que mais precisam".

AFP/Getty Images
Ministro da Educação no governo Temer, Mendonça Filho vai ajudar com propostas para a campanha de Rodrigo Maia ao Planalto.

Base do governo Temer, DEM prega renovação

Apoiador do impeachment de Dilma Rousseff e das reformas do governo Temer - além de ocupar cargos na Esplanada -, o DEM defendeu a agenda do PMDB, apesar de querer se descolar do partido.

"Vocês me oferecem o desafio de liderar a nossa geração num projeto de renovação política", afirmou Maia. "Assumo o desafio de construir um pacto para rompermos com o que há de velho e atrasado na política brasileira", completou.

O pré-candidato ressaltou a aprovação da reforma do Ensino Médio e da reforma trabalhista e defendeu mudanças na aposentadoria para "acabar com distorções". "A Previdência brasileira hoje beneficia os ricos contra os pobres", disse.

Na convenção, lideranças do PP, PR e Solidariedade, todos partidos da base, apoiaram a candidatura do presidente da Câmara. Além de Mendonça Filho, os ministros Alexandre Baldy (Cidades) e Carlos Marun (Secretaria de Governo) também marcaram presença.

Questionado por jornalistas sobre ter apoiado Temer, e agora negar o selo de candidato do governo, Maia rebateu. "A minha candidatura quer representar um projeto para o futuro, e naquilo que eu acredito que está certo eu vou defender. O governo quer um candidato para defender o legado. E eu sou o candidato para representar o futuro", afirmou.

Na convenção, a juventude de Maia e de Antônio Carlos Magalhães Neto, o ACM Neto, novo presidente do partido, foram constantemente exaltadas. Maia tem 47 anos e ACM Neto, 39, mas ambos são filhos de políticos tradicionais.

O pai do presidente da Câmara é César Maia, ex-prefeito do Rio de Janeiro. Já o novo comandante do DEM é filho de Antônio Carlos Magalhães. Morto em 2007, ACM, como ficou conhecido, foi governador, ministro e presidente do Senado.

Aos 72 anos, o senador Agripino Maia (DEM-RN), reforçou o discurso ao deixar a presidência da legenda. "Estamos oferecendo a juventude do Brasil para o futuro dessa República que é de todos nós", afirmou na convenção.

Já ACM Neto, por sua vez, convidou jovens a se filiar ao partido. "É pela força da juventude que nós vamos construir um novo país para todos os brasileiros", afirmou.

O DEM planeja lançar 7 candidatos a governo no estados, de acordo com o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), que irá disputar o comando do Executivo em Goiás. Prefeito de Salvador, ACM Neto decide até abril se disputa o governo da Bahia.

Com altos índices de aprovação, o democrata foi exaltado por integrantes de outros partidos. "ACM Neto é o melhor quadro brasileiro da faixa dos 30. Não tenho dúvida que o destino lhe reserva o governo da Bahia e, mais à frente, a Presidência da República", afirmou o deputado tucano Marcus Pestana (MG), secretário-geral do PSDB.

Valter Pontes/SECOM
Prefeito de Salvador, ACM Neto assume o comando do Democratas aos 39 anos. Partido adota discurso de renovação na política.

PSDB e PMDB pregam união com DEM

Apesar da candidatura própria tanto do PSDB quanto do DEM, o discurso dos integrantes de ambos os partidos na convenção do Democratas foi de união. O alto escalão do PMDB também reforçou essa intenção.

Marcus Pestana afirmou que os 7 meses até a eleição "parecem uma eternidade" e que o quadro é "instável e indefinido".

Não tenho muita certeza sobre o que vai acontecer em outubro, mas o PSDB, o Democratas e as forças do centro democrático reformista estarão unidas para que o Brasil não caia mais na aventura de política irresponsáveis que levaram tanta infelicidade à sociedade brasileira.

O tucano destacou ainda a necessidade de promover mudança no comando Brasil. "Muito antes de discutir nomes, temos que discutir uma agenda para o Brasil", afirmou. Ele citou como exemplos a redução do estado, políticas sociais "inteligentes e criativas que superem a miséria e a pobreza" e convívio baseado no diálogo e não na intolerância.

Presidente do PMDB, o senador Romero Jucá (RR) afirmou que 2018 será um ano definidor do futuro do Brasil e que deve existir união dos partidos com "visão de centro" para continuar com a agenda atual. "Temos que estar unidos, buscar a melhor construção política para darmos ao País um segmento de rumo que já tomamos agora", afirmou. De acordo com o peemedebista, a parceria irá definir "se vamos regredir ou continuar avançando".

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