ENTRETENIMENTO
05/03/2018 03:01 -03 | Atualizado 05/03/2018 03:01 -03

Oscar 2018: Imigrantes e estrangeiros marcam cerimônia e sinalizam nova era em Hollywood

Vencedores, indicados e apresentadores do 90º Oscar ressaltam importância da representatividade.

Getty Images
Mexicano Guillermo del Toro vence Oscar de Melhor Direção por "A Forma da Água", que também venceu Melhor Filme.

A esperada vitória de Guillermo del Toro nas categorias de Melhor Filme e Melhor Direção por A Forma da Água é um dos marcos mais relevantes do Oscar deste ano: os estrangeiros estão com tudo em Hollywood.

Vários imigrantes ou descendentes de estrangeiros apresentaram categorias. Lupita Nyong'o, Salma Hayek, Kumail Nanjiani, Rita Moreno, Oscar Isaac, Daniela Vega e Gina Rodriguez são alguns deles.

Gael García Bernal, dublador da animação Viva: A Vida É uma Festa, cantou a música-tema do filme em uma tocante performance. Viva é considerado o primeiro "filme latino" da Disney/Pixar.

Ao vencer o prêmio de Melhor Animação, o diretor Lee Unkrich subiu ao palco acompanhado de seu co-diretor, o descendente de mexicanos Adrian Molina, e da produtora Darla K. Anderson. Em seus discursos, ele agradeceu ao marido; ela, à esposa. Uma demonstração de que a representatividade LGBT também está em alta.

O drama chileno Uma Mulher Fantástica, protagonizado pela transgênero Daniela Vega, levou o prêmio de Melhor Filme Estrangeiro. A atriz é a primeira pessoa trans a apresentar qualquer categoria do Oscar. Ela introduziu ao palco a performance de Sufjan Stevens por canção de Me Chame pelo Seu Nome.

O empoderamento da mulher na indústria do cinema

O paquistanês Kumail Nanjiani, comediante e roteirista indicado por Doentes de Amor, apareceu em um vídeo sobre a importância da representatividade de minorias e do igualdade de gênero da indústria do entretenimento.

Em sua fala, Nanjiani questionou: se os filmes prediletos dele foram feitos por homens brancos e héteros e são sobre homens brancos e héteros e, mesmo assim, ele pode se identificar com essas obras, por que homens brancos e héteros não poderiam se identificar, por exemplo, com um filme protagonizado por ele?

O discurso presente na fala de quase todos foi a celebração de uma nova era que se inicia em Hollywood — uma em que não se convive em paz com o assédio sexual e a desigualdade salarial a favor de homens.

Ao vencer o prêmio de Melhor Atriz por Três Anúncios para um Crime, Frances McDormand convidou todas as mulheres indicadas presentes no Dolby Theatre a se levantarem.

Elas se aplaudiram e McDormand, emocionada, disse: "Todas nós temos histórias para contar e projetos para serem financiados. Mas não venha conversar com a gente na festa, venha nos ouvir depois".

É a força das mulheres, que também marcou a cerimônia da 90ª edição do Oscar.