POLÍTICA
05/03/2018 09:18 -03 | Atualizado 05/03/2018 16:40 -03

‘Imagens do Estado Novo – 1937 a 1945’: O novo filme da ditadura de Getúlio Vargas

Premiado no festival É Tudo Verdade com Menção Honrosa, documentário com imagens inéditas estreia 15 de março.

Com registros inéditos, 'Imagens do Estado Novo – 1937 a 1945' estreia em 15 de março e conta a história do regime ditatorial de Getúlio Vargas.
Divulgação/Imagens do Estado Novo
Com registros inéditos, 'Imagens do Estado Novo – 1937 a 1945' estreia em 15 de março e conta a história do regime ditatorial de Getúlio Vargas.

Autoritarismo, nacionalismo e anticomunismo. Assim ficou conhecido o Estado Novo, período ditatorial do governo de Getúlio Vargas. A história do regime que acabou há 7 décadas, mas continua atual é contada com arquivos inéditos em Imagens do Estado Novo – 1937 a 1945.

O documentário dirigido por Eduardo Escorel e produzido por Cláudio Kahns estreia em 15 de março no Espaço Itaú de Cinemas do Rio de Janeiro e de São Paulo e no Instituto Moreira Salles (IMS) de São Paulo. A estreia no IMS do Rio é dia 22. O filme também será exibido posteriormente no circuito de Brasília.

No longa-metragem, é retratada a censura e as conspirações da ditadura de Vargas, além de contradições como apoio ao nazismo e aos países aliados, além da participação do Brasil na 2ª Guerra Mundial.

Estado Novo // Trailer from Tatu Filmes on Vimeo.

A obra com quase 4 horas é resultado da edição de mais de 150 horas de material, que incluem registros de cinejornais brasileiros, americanos e alemães, fotografias, cartas, filmes de ficção e de família e canções populares, além de trechos do diário de Getúlio Vargas e de registros oficiais da propaganda do Estado Novo.

"​Questiona-se, de fato, logo no início do documentário, se é possível fazer​ ​um documentário sobre o Estado Novo usando as próprias imagens​ ​filmadas​ ​para fazer propaganda do regime. É a partir desse comentário​ ​sobre as imagens usadas que o documentário se desenvolve,​ predominando a tentativa de comentá-las, mais do que ilustrar ​do​​​​ ​texto", afirmou E​duardo ​E​scorel ao HuffPost Brasil.

Autoritarismo e intolerância

O filme mostra, por exemplo, bandeiras com suásticas hasteadas no Rio​ f​​ilmadas pelo governo alemão. Hoje, a apologia ao nazismo é​ ​proibida no Brasil por lei, mas a discussão sobre liberdade de​ ​expressão no debate sobre democracia e autoritarismo voltou à tona.

Questionado sobre esse cenário, Escorel defende o debate com limites para evitar intolerância e discriminação.

​A priori, o debate de ideias deve ser livre. O que não deve ser entendido como complacência com quaisquer formas de intolerância e discriminação contra quem quer que seja.

Escorel foi responsável pela montagem de referências do cinema brasileiro, como Terra em Transe, de Glauber Rocha, lançado em 1967, e Macunaíma, filme de 1969, dirigido por Joaquim Pedro de Andrade e baseado na obra homônima de Mário de Andrade. Mais recentemente, esteve à frente da edição de 2 Perdidos numa Noite Suja (2002) e Santiago (2007).

Imagens do Estado Novo foi premiado no festival É Tudo Verdade com Menção Honrosa, e no Recine - Festival Internacional de Filmes de Arquivo como Melhor Filme Júri Popular e Melhor Pesquisa.

Como contar a história do Estado Novo

​O filme levou 12 anos para ser feito, desde que o processo teve início em 2003. A obra é o 4º documentário da série iniciada​ ​em 1990, com ​1930 –Tempo de revolução,​ que continuou com ​32 – A Guerra Civi​l e ​35 – O​ ​Assalto ao Poder​.

Diferentemente da estrutura mais comum em documentários, que usam entrevistas, Imagens do Estado Novo opta por uma linguagem diferente, composta por imagens de arquivos junto com a narração de Escorel. É essa a principal diferença em relação às obras anteriores.

"Deixamos de lado entrevistas de histórias e participantes​ ​dos eventos e adotamos a perspectiva de interrogar as próprias cenas com as quais ​Imagens do Estado Novo 1937-45​ é feito", afirmou o diretor.

O produtor Claudio Kahns, por sua vez, conta que o projeto começou quando ele e o cientista político e jornalista André Singer eram assessores de Fernando Morais na Secretaria de Cultura de São Paulo, cargo ocupado entre 1988 e 1991.

"André tinha uma proposta de fazer um seminário para comemorar a Revolução de 1930, e sugeri que fizéssemos um documentário para a TV. Todo mundo topou. E eu propus à Videofilmes, do Walter Salles, que bancou a metade dos custos, e fizemos um convênio entre a secretaria e a produtora", contou ao HuffPost Brasil.

Para Imagens do Estado Novo, a dupla foi atrás dos acervos da Cinemateca Brasileira, em São Paulo, e da Cinemateca do Museu de Arte Moderna, no Rio, além do arquivo do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getulio Vargas (FGV). "Além disso, houve uma pesquisa​ ​de documentos escritos, inclusive da correspondência de pessoas​ comuns com Getúlio", conta Escorel.

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A ditadura nos cartuns de Luiz Gê
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