POLÍTICA
03/03/2018 07:00 -03

PSol descarta apoio de Lula à candidatura de Boulos

Guilherme Boulos irá se filiar ao PSol e recebe apoio formal dos movimentos sociais neste sábado (3).

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Líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, em protesto em São Paulo contra o governo de Michel Temer.

Líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos dá neste sábado (3) o pontapé inicial para sua campanha presidencial. Na Conferência Cidadã, que ocorre em São Paulo, ele chancela o apoio dos movimentos sociais à sua candidatura pelo PSol.

Boulos vai se filiar ao partido nesta semana, e a pré-candidatura será lançada oficialmente na conferência eleitoral da legenda no outro sábado (10).

A conferência deste sábado é organizada por entidades como o MTST, Mídia Ninja, representantes do movimento negro como Círculo Palmarino, além iniciativas como os Policiais Antifascistas e Pastores Progressistas. Nomes ligados ao PT, como Frei Betto, também estarão presentes. Duas entidades de destaque que organizam o evento são o Movimento #342 e a Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil).

O Movimento #342 conta com artistas como Caetano Veloso e Paula Lavigne, que estarão presentes neste sábado. À frente da Apib está a líder indígena Sônia Guajajara, cotada para ser vice na chapa com Boulos. A parceria deve ser selada no ato dos movimentos.

Atualmente, Guajajara está inscrita na conferência da sigla como pré-candidata à Presidência. "A aceitação por parte dela para ser a vice ainda é um processo em curso. A gente está conversando para ver se ela retira a candidatura dela à Presidência porque o Boulos tem ampla maioria dentro do partido", afirmou ao HuffPost Brasil o presidente do PSol, Juliano Medeiros.

Na avaliação de Medeiros, a dupla reúne duas dimensões de luta e de resistência que harmonizam com o perfil do partido "mais combativo e independente".

A composição da chapa representa lutas importantes do povo brasileiro, a luta do povo indígena com 517 anos de resistência, com lutas urbanas mais contemporâneas, como por moradia, vida digna nas cidades.

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Sônia Guajajara, coordenadora da Articulação de Povos Indígenas do Brasil, cotada para ser vice na chapa com Guilherme Boulos.

Boulos sem Lula

Diante da ligação entre a trajetória política de Boulos e do MTST com o PT e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o PSol tenta se distanciar do concorrente ao Palácio do Planalto. "Ter o Lula num palanque nosso é uma coisa meio impensável para a gente", afirmou o presidente do partido.

Na avaliação dele, com o petista fora da disputa, o processo de reorganização das forças da esquerda se acelera, com espaço para outras lideranças serem protagonistas, como Boulos.

O partido defende o direito de Lula ser candidato, mas não apoia o petista. "É possível até que a Justiça Eleitoral altere os procedimentos que tem utilizado para registro de candidatura para evitar que Lula se registre. A gente acha um absurdo. Mas não é o nosso candidato. Não tem nosso apoio", completou o presidente do PSol.

O petista foi condenado a 12 anos e 1 mês de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá. Com os 2 julgamentos, Lula já se enquadra na Lei da Ficha Limpa. Caberá ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) decidir se ele poderá disputar as eleições, caso peça o registro de candidatura.

Com pouco tempo de TV e poucos recursos do fundo eleitoral e do fundo partidário para a campanha, a chapa de Boulos deve ganhar o apoio do PCB (Partido Comunista Brasileiro). O comitê central da legenda comunista aprovou no último fim de semana a continuidade das negociações da aliança.

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Lula e Boulos se cumprimentam em encontro de intelectuais em janeiro de 2018.

Líder estudantil Ana Júlia apoia Boulos

Entre os presentes confirmados para o ato neste sábado, está Ana Júlia Ribeiro. Hoje estudante de Direito e sem filiação partidária, ela ganhou projeção nacional em outubro de 2016, ao discursar na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) contra o teto de gastos públicos no momento em que a proposta era contestado por um movimento de ocupação nas escolas do País.

Na época, 1.117 colégios estavam ocupados, de acordo com balanço divulgado pela União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES). "Nós não estamos lá por baderna, nós não estamos lá de brincadeira. Nós estamos lá por um ideal. Estamos lá porque a gente acredita no futuro do nosso País", disse a estudante na Alep, aos 16 anos.

Ao HuffPost, Ana Júlia disse que apoia tanto a candidatura de Lula quanto a de Boulos. "Apoiar a candidatura do Lula e não apoiar a do Boulos é controverso. Os dois são figuras importantes na luta social", afirmou. A estudante esteve ao lado do petista em ato após o depoimento dele ao juiz Sérgio Moro, em Curitiba (PR), em maio de 2017.

No campo da esquerda, Ana Júlia também destacou a candidatura de Manuela D'Ávila (PCdoB) ao Palácio do Planalto. Ela descarta, contudo, apoio a Ciro Gomes (PDT). "Acho ele uma figura controversa. Ele não se manteve leal ao campo dele. Quando viu que sem Lula na jogada o campo dele era a centro-esquerda e que teria como ganhar se ficasse em um intermédio entre não bater tanto no Lula e apoiar um pouco as pauta reacionárias, ele fez. Não considero uma pessoa que faz esse tipo de jogo uma opção para quem quer mudança política", afirmou.

Quanto ao programa de governo, Boulos, por sua vez, terá a proposta baseada na plataforma Vamos, da Frente Povo sem Medo. Na segurança, por exemplo, um dos temas mais abordados pelos presidenciáveis, o documento defende o combate à "política de encarceramento em massa", com a revisão da prisão provisória por tempo prolongado, ampliação da prisão domiciliar e maior eficiência na progressão de penas.

Também estão incluídas nas propostas a desmilitarização da segurança pública e o fim dos autos de resistência (homicídios cometidos por policiais), além da defesa da legalização progressiva das drogas e da adoção da política de redução de danos nos serviços de saúde.

Quem são os presidenciáveis de 2018