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01/03/2018 22:57 -03 | Atualizado 01/03/2018 23:02 -03

Tiago Leifert vai para o paredão após criticar combinação de esporte e política

Apresentador arrumou confusão com colegas por coluna na GQ.

Tiago Leifert levou várias lições de jornalistas após coluna da GQ.
Reprodução/Instagram
Tiago Leifert levou várias lições de jornalistas após coluna da GQ.

Tiago Leifert está com a bola murcha junto aos fãs. O mal-estar foi produzido pela coluna publicada recentemente na GQ Brasil, assinada pelo apresentador da Rede Globo que hoje comanda o Big Brother Brasil.

No texto, Leifert escreveu que "evento esportivo não é lugar de manifestação política". A opinião pegou mal entre alguns colegas de casa, jornalistas de outras emissoras e até com os fãs.

No Twitter, ferramenta bastante utilizada pelo apresentador, Leifert foi "mandado para o paredão", brincadeira que faz alusão ao maior terror a que os participantes do programa Big Brother Brasil são submetidos semanalmente.

O ex-apresentador do Globo Esporte também foi aconselhado pelos internautas a ter umas aulinhas de História. Tudo por meio de tweets lembrando momentos marcantes em que esporte e política caminharam de mãos dadas.

Fogo amigo com Tiago Leifert

Entre os colegas de profissão, a afirmação de Leifert também não desceu bem. Walter Casagrande Jr, o "Casão", ex-atacante do Corinthians e hoje um dos principais comentaristas de futebol da Globo, pegou pesado ao rebater as declarações do apresentador do BBB.

Em trecho de entrevista publicada pela própria revista GQ, Casagrande enumerou uma série de ocasiões que refutam a afirmativa de Leifert:

"É preciso valorizar o palco que o esporte oferece. Foi isso que Tommie Smith e John Carlos, ao repetir o gesto consagrado pelos Panteras Negras, fizeram durante os Jogos Olímpicos do México, em 1968, ao mostrar o quão urgente era a discussão sobre o racismo. Muhammad Ali, o maior boxeador de todos os tempos, negou-se a combater no Vietnã justamente por saber o valor que a decisão de um ídolo do esporte teria em torno do debate da guerra. Mais recentemente, atletas da NBA demostraram grande insatisfação com o governo de Donald Trump. Jogadores de futebol americano foram na mesma linha e muitos passaram a se ajoelhar durante a execução do hino nacional.

Por aqui, lembro sempre da Democracia Corinthiana. Sim, porque junto com Sócrates, meu grande parceiro, participei dela, e isso me enche de orgulho, mas mais ainda por acreditar que fomos peça importante para aumentar o coro que exigia o retorno da democracia. Eu tenho orgulho de ter participado, em 1979, de um show a favor da anistia dos presos políticos. Também me orgulho de, em 1982, ter feito um show para pedir a redemocratização do país. Eu tenho orgulho de ter participado do movimento das Diretas Já. E tudo isso enquanto era atleta profissional, jogador do Corinthians. Por que hoje eu não poderia fazer isso? Quem proíbe o jogador de participar disso está, indiretamente, apoiando ideias reacionárias.

E o caminho é inverso. Em um momento tão polarizado, extravasar isso é essencial. Só com o diálogo chegaremos a algum lugar. Espero que o esporte em geral continue exercendo sua função de servir de palco para ampliar as grandes discussões de um país, do mundo, para além da diversão.

Viva a democracia!"

O cala-boca em Leifert ganhou outro adepto cujo nome no meio do jornalismo esportivo dispensa apresentações: Juca Kfouri.

Em entrevista para o programa Voz Ativa, da Rede Minas com o El País Brasil, Kfouri bateu forte no que rotulou de leifertização do jornalismo esportivo no Brasil.

"É muita gracinha. Briga-se pra saber quem é mais engraçadinho, quem faz a melhor piada. Não estou pregando o mau humor, é bom dar risada. Mas tem uma hora pra rir e uma hora pra chorar. Não podemos eliminar o que há de sério no esporte, porque as coisas se misturam, são faces da mesma moeda. Não dá para pensar o Brasil sem pensar o futebol brasileiro. Não dá pra pensar o futebol brasileiro sem pensar na política", resumiu.

Assista abaixo à entrevista de Kfouri ao Voz Ativa.

Tiago Leifert ganhou destaque na TV Globo ao transformar a antes quadrada cobertura esportiva da casa em algo descontraído e bem-humorado.