POLÍTICA
26/02/2018 07:54 -03 | Atualizado 26/02/2018 09:02 -03

Os obstáculos de Meirelles para emplacar uma candidatura presidencial

O ministro tem pouco mais de um mês para decidir sobre a candidatura e um partido.

SERGIO LIMA via Getty Images
O ministro enfrenta crítica de correligionários por não se comportar como candidato.

Disposto a disputar as eleições presidenciais, inclusive contra o presidente Michel Temer, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, tem um longo caminho pela frente para conseguir emplacar a candidatura.

O primeiro e um dos principais obstáculos é um partido político para endossar a candidatura. O PSD, partido de Meirelles, não tem demonstrado interesse em apoiá-lo.

Dentro do partido, há o entendimento de que para ser candidato do PSD Meirelles precisa se comportar como candidato e ele não faz isso. As principais lideranças argumentam que falta diálogo entre o ministro e os correligionários.

Em dezembro do ano passado, houve uma rebelião entre os integrantes do PSD em relação a Meirelles. Em vez de reunir com os deputados para traçar estratégia para candidatura, "ele preferiu outro caminho", reclamou o ex-líder do partido, deputado Marcos Montes (PSD-MG).

O ministro apostou em reuniões com integrantes do governo e agentes do mercado financeiro. A aposta para se emplacar candidato era o sucesso com a reforma da Previdência - o que não ocorreu - e a retomada da economia brasileira.

A agenda econômica e reformista, que também era aposta do governo Temer, foi ofuscada logo após o Carnaval com os holofotes voltados para a segurança pública, ao estabelecer a intervenção federal na segurança do Rio de Janeiro.

Na sexta-feira (23), o ministro fez um movimento conciliador ao se encontrar com o líder do partido na Câmara, Domingos Neto (CE), em Fortaleza. No entanto, há no PSD ainda um possível movimento de apoio ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), cotado para ser o candidato tucano ao Palácio do Planalto.

No Facebook, o perfil do ministro adota tom de presidenciável, enaltecendo a origem de Meirelles.

Enquanto Meirelles articula por conta própria sua candidatura, o correligionário e colega de governo, ministro da Ciência, Tecnologia e Comunicações, Gilberto Kassab, negocia com os tucanos a composição de uma chapa para o governo de São Paulo.

Kassab tem se colocado disponível para o posto de vice, caso o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), saia candidato ao Palácio dos Bandeirantes. Neste cenário, o PSD asseguraria em troca o apoio a candidatura presidencial de Alckmin.

Meirelles e o PMDB

Embora tenha admitido que disputaria as eleições contra o presidente Michel Temer, Henrique Meirelles também tem flertado com o próprio PMDB. "Certamente haverá um candidato apoiado pelo governo. O mais provável é ser o presidente ou eu próprio", afirmou o ministro da Fazenda ao Estado de S.Paulo.

Na entrevista, ele disse que é absolutamente plausível ter dois candidatos. "Nada impediria e verificaríamos quem iria para o segundo turno ou não. Dito isso, acho que a melhor estratégia é ter um único candidato para representar esse programa de reformas que está sendo conduzido. Eu e o presidente estamos juntos nesse projeto e vamos chegar a um acordo."

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), já afirmou que Meirelles é bem-vindo no partido.

Ueslei Marcelino / Reuters
Meirelles sobre o seu chefe, presidente Michel Temer: "Certamente haverá um candidato apoiado pelo governo. O mais provável é ser o presidente ou eu próprio".

A candidatura de Temer tem sido endossada pelo próprio líder do governo no Senado, mas não é consenso na legenda. Há integrantes do partido de olho na reeleição que acreditam que uma candidatura de Temer, que tem baixa popularidade, pode afundar a candidatura de deputados, senadores e até governadores.

Um dos entraves para a tomada de decisão é o calendário. O presidente Michel Temer tem até o meio do ano para decidir se sai candidato ou não. Quanto à economia, ele faz o mesmo cálculo de Meirelles, se os números forem bem, melhor para a imagem dele, que capitaneou o barco da economia com as negociações com o Congresso. Já Meirelles tem até o fim de março para tomar todas as decisões, deixar o governo e mudar de partido. A data limite para deixar o cargo é 7 de abril.