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23/02/2018 11:36 -03 | Atualizado 23/02/2018 14:38 -03

Rafaela Silva desabafa sobre racismo: 'Preto não pode andar de táxi?'

A judoca usou as redes sociais para compartilhar experiência de abuso policial no Rio de Janeiro.

A judoca Rafaela Silva usou as redes sociais para enfrentar o racismo.
AI Project / Reuters
A judoca Rafaela Silva usou as redes sociais para enfrentar o racismo.

Nascida e criada na Cidade de Deus, um dos bairros mais vulneráveis do Rio de Janeiro, Rafaela Silva conhece bem o significado do racismo. As suas medalhas conquistadas como judoca da seleção olímpica brasileira não a afastaram do preconceito.

Na última quinta-feira (22), a atleta usou o Twitter para relatar uma experiência de abuso policial vivida na capital carioca, quando estava em um táxi a caminho de casa.

Rafaela Silva estava no banco de passageiro do veículo quando viaturas na Avenida Brasil forçaram o taxista a encostar o carro. Após a abordagem do motorista, os políciais questionaram o destino e a profissão de Silva.

De acordo com o relato, a polícia só liberou a judoca quando se deu conta de que era ela a atleta olímpica. Os policiais ainda quetionaram o motorista: "Achei que tivesse pego na favela."

No Instagram, Silva também desabafou: "Nessa altura do campeonato, chegando no Rio de Janeiro, tenho que passar vergonha e descobrir que preto não pode andar de táxi agora."

Ao Globo Esporte, a judoca afirmou que só não foi tratada com mais violência porque foi reconhecida pelos policiais.

"Com certeza seria pior, porque eu sou bem tratada agora. O tratamento mudou em relação às pessoas que acompanharam minha história nos Jogos Olímpicos, mas quem não acompanhou e não acompanha esporte é a mesma coisa. Porque agora não sou mais a Rafaela, preta, da comunidade. Sou a atleta do Brasil, a campeã das olimpíadas", explica.

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