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21/02/2018 12:11 -03 | Atualizado 22/02/2018 15:51 -03

Intervenção federal não será efetiva por limitação ao poder do militar, diz Bolsonaro

"O militar não tem poder de polícia, não pode atirar. Você tem que matar. Você não diz que estamos em guerra. O que é guerra? É matar."

Reprodução/Facebook
Bolsonaro sobre seu modelo de intervenção: "Nossa gente vai atirar e não vai ter punição para ele. O homem só respeita aquilo que ele teme".

Embora tenha votado a favor da intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro, o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) desdenha da ação.

Pré-candidato ao Palácio do Planalto com foco voltado especialmente para segurança, o deputado acusa o presidente Michel Temer de ter roubado a sua pauta, mas diz que faria diferente.

É uma intervenção política. A minha seria para valer.

Em entrevista ao HuffPost Brasil, ele afirmou que os militares deveriam ter poder polícia. "Militar das Forças Armadas não tem poder de polícia. Ele não pode atirar. Ele tem que levar um tiro para poder atirar. (...) Você tem que matar. Você não diz que estamos em guerra. O que é guerra? É matar".

Em uma intervenção feita por ele, os militares poderiam matar sem punição. "Nossa gente vai atirar e não vai ter punição para ele. O homem só respeita aquilo que ele teme", justifica.

Bolsonaro que é militar da reserva também reclama da criação do Ministério da Segurança Pública. "Quando você não quer resolver uma coisa na Câmara, você cria uma comissão. No governo, um ministério", diz.

Conhecido pelas polêmicas com a comunidade LGBT, ele brinca sobre a escolha do possível vice. Para ele, é como namoro, acontece. E desta vez, entre os postulantes, ele afirma que está até namorando um homem.

Leia a íntegra da entrevista.

HuffPost Brasil: Qual a sua avaliação sobre a intervenção na segurança do Rio de Janeiro?

Jair Bolsonaro: É uma intervenção política. A minha seria para valer.

Qual seria a diferença?

Você tem que ter o excludente de ilicitude.

O senhor acha que o governo está roubando uma pauta que é do senhor?

Ele rouba muitas coisas. Essa matéria, ele não vai roubar, não. Militar das Forças Armadas não tem poder de polícia. Ele não pode atirar. Ele tem que levar um tiro para poder atirar.

Então, a ação é fraca?

Você tem que matar. Você não diz que estamos em guerra. O que é guerra? É matar. Você não atira em um cara que está com um fuzil de forma ostensiva ameaçando a todos, vai fazer o quê?

O que seria mais eficiente?

A minha intervenção ano que vem. Você vai gostar dela.

Como vai ser?

Vai avisar quem tiver armado de forma ostensiva, quem tiver praticando qualquer tipo de roubo. Nossa gente vai atirar e não vai ter punição para ele. O homem só respeito aquilo que ele teme.

O senhor tem apoio de quantos deputados na Câmara?

Está crescendo. Tem uns 40.

O apoio ao senhor vai ser independente de partido?

Já tem uns 40 aqui, essa bancada vai crescer. São pessoas que sabem que não dá para continuar em um toma lá dá cá.

Todo mundo fala que o governo não governa sozinho. Se o senhor chegar ao governo, vai negociar?

Não. Se for para fazer a mesma coisa, estou fora. Ou são deputados independentes, com Congresso consciente... Os poderes não são independentes entre si, por que o pessoal tem que ter cargo lá [no Executivo]. Temer tem algum cargo no gabinete de alguém aqui, porque tem que ter lá. Ou muda essa cultura, ou o Brasil vai continuar afundando.

O Ministério da Segurança Pública é só para abrir mais espaço no governo?

Quer botar a Polícia Federal sob outro comandante... Imagina esse ministério na mão do (ex-presidente) Lula, que detesta polícia militar, na mão do PT. Quando você não quer resolver uma coisa na Câmara, você cria uma comissão. No governo, um ministério. Não precisa de ministério. O que o policial precisa chama retaguarda jurídica, que o policial americano tem. Ninguém está inventando nada. Não quero dar carta branca para o pessoal matar, quero dar para não morrer. Ele não vai chegar em você atirando. Se você estiver com um fuzil cruzado no peito, vai levar. Você tem que atirar. Não tem que falar mãos ao alto, isso é para filme de cowboy.

Já tem candidato a vice?

Ainda não. É igual namoro. Acontece.

O senhor está namorando quem?

Estou namorando algumas pessoas. Dessa vez, estou namorando até homem.