LGBT
19/02/2018 18:56 -03 | Atualizado 20/02/2018 17:34 -03

O beijo gay histórico entre Gus Kenworthy e Matthew Wilkas na Olimpíada de Inverno em PyeongChang

O amor é lindo. 🌈

Reprodução/NBC
O esquiador Gus Kenworthy e seu namorado, o ator Matthew Wilkas protagonizaram um selinho durante a Olimpíada de Inverno de PyeongChang, na Coreia do Sul.

Apenas um selinho. Um beijo rápido e despretensioso, mas que ganhou o mundo todo. Foi assim que a demonstração pública de carinho entre o esquiador Gus Kenworthy e seu namorado, o ator Matthew Wilkas, pegou de surpresa os canais de televisão que estavam acompanhando a cobertura da Olimpiada de Inverno, em PyeongChang, na Coreia do Sul no último domingo (18) -- e se transformou em um ato histórico: um beijo gay foi transmitido pela primeira vez em uma Olimpíada de inverno.

Kenworthy foi mal nas três descidas da final, ficou fora do pódio e sem nenhuma medalha olímpica. O ouro ficou com o norueguês Oystein Braaten, com 95,00, seguido do americano Nick Goepper, com 93,60, e do canadense Alex Beaulieu-Marchand, com 92,40.

E foi com esse resultado inesperado que o beijo aconteceu.

Em entrevista à revista Time, Wilkas, namorado de Kenworthy, percebeu que, sim, ele provavelmente fez parte de algo histórico: um beijo entre um atleta e seu namorado foi transmitido em horário nobre, na cobertura de um evento como uma Olimpíada.

"É incomum, certo? É bom que seja televisionado porque normaliza mais. Eu imagino que esse momento pode ser muito significativo para um jovem gay: ver um atleta famoso, tão aberto e orgulhoso de si mesmo, sem se importar com o que pensam sobre a sua sexualidade", disse.

Kenworthy, que fala abertamente sobre sua sexualidade e se coloca como um ativista pelos direitos LGBT, escreveu em seu Instagram, que "não sabia que estava sendo filmado, mas eu fiquei tão feliz que isso aconteceu". E continua: "O eu da minha infância nunca teria sonhado em ver um beijo gay na TV nas Olimpíadas, mas pela primeira vez, uma criança pode assistir a essa demonstração de amor. O amor é amor é amor", escreveu.

Um dia antes da grande final, o atleta publicou em seu Twitter uma foto ao lado de seu companheiro, chamando-o de "Seoul mate" (uma brincadeira com as palavras 'soul', alma, em inglês, e Seoul, nome da cidade sul-coreana) e agradeceu por todo o seu suporte e disse que "não estaria aqui se não fosse pelo apoio dele".

À rede de televisão NBC, Kenworthy falou sobre sua decisão de "sair do armário" há três anos e se tornar uma voz proeminente para a comunidade LGBT.

"Eu acho que a única maneira de mudar as percepções, quebrar a homofobia, quebrar as barreiras é através da representação. Isso definitivamente não é algo que eu tive quando criança. Eu definitivamente não vi um atleta gay nas Olimpíadas beijando seu namorado e acho que, se eu tivesse visto, seria muito mais fácil para mim. Então espero que eu tenha feito isso para outras pessoas ", disse.

Na Olimpíada de Sochi, em 2014, o atleta pensou em fazer um gesto como o do último domingo (18) e se tornar um símbolo. Mas seus pais ainda não tinham conhecimento do seu relacionamento, então ele deu "um passo para trás por medo da repercussão", conta.

O jornal britânico The Guardian, ao noticiar o beijo entre os dois, pergunta: qual a experiência das Olimpíadas foi mais significativa, ganhar uma prata enquanto "estava no armário" (se referindo ao passado) ou perder o pódio enquanto vivia uma vida autêntica?

Kenworthy respondeu:

"Eu acho que a coisa mais importante do mundo é que todos vivam sua vida como eles mesmos, e sejam autênticos e honestos. Eu realmente não consegui experimentar isso em Sochi, então é bom ter isso aqui, agora".

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