ENTRETENIMENTO
16/02/2018 17:30 -02 | Atualizado 16/02/2018 17:44 -02

O vilão de 'Pantera Negra' e sua inspiração no filme 'Cidade de Deus'

Longa brasileiro se tornou "um dos favoritos" de Michael B. Jordan durante a construção de seu personagem.

Divulgação
"Creio que a trajetória dele é similar à de pessoas oprimidas em outras realidades, como o Brasil."

Nessa altura do campeonato, você já deve ter lido uma porção de análises sobre os diversos pontos positivos de Pantera Negra, dirigido por Ryan Coogler.

O filme sobre o primeiro super-herói negro mainstream da Marvel acaba de estrear no Brasil, mas já é um dos mais celebrados da temporada.

Para além das qualidades técnicas, visuais e de roteiro, o filme leva para a telona representatividade inédita dos negros em uma trama de super-herói.

O que talvez você não saiba é que o premiado filme brasileiro Cidade de Deus (2002) foi uma das fontes de inspiração do ator Michael B. Jordan para interpretar o vilão Erik Killmonge.

Jordan e Coogler têm uma sólida parceria de trabalho.

O ator é o protagonista dos dois longas anteriores do cineasta: Fruitvale Station – A Última Parada (2014) e Creed: Nascido Para Lutar (2016).

Numa entrevista ao jornal O Globo, ele falou sobre a ligação de ambos com o longa brasileiro e como ele foi importante para a construção de seu personagem.

"Quando a gente fez Fruitvale Station vimos o filme várias vezes. E pensamos em como nós, frutos do gueto, conseguíamos entender, até sem som, os personagens do Rio de Janeiro. Fiz pesquisa para meu personagem vendo o filme de Fernando Meirelles e Kátia Lund, e ele se tornou um de meus favoritos na vida. Quando Ryan disse que ele queria que os meninos de Cidade de Deus se vissem na tela em Pantera Negra ele resumiu de uma forma bem crua o sumo deste nosso papo."

O ator de 31 anos explicou que a fúria de seu personagem contra o príncipe T'Challa é fruto de um passado sob "opressão sistêmica do modelo social americano".

"Creio que a trajetória dele é similar à de pessoas oprimidas em outras realidades, como o Brasil", disse.

Na entrevista, ele falou também refletiu sobre o problema da falta de representatividade negra na produção audiovisual, caracterizada por ele como 'ampla, geral e irrestrita".

"É como se nós, negros, tivéssemos de imaginar com mais força o que nos é vendido em roteiros centrados quase sempre em experiências próximas dos brancos", explicou.

Jordan revelou ainda que – para além da confiança no diretor - aceitou o papel do vilão de Pantera Negra por uma questão pessoal - também relacionada à questão racial.

"Assinei o contrato para fazer o Killmonger como um presente para o menino Michael, de 10 anos, tentando sem sucesso, lá atrás, encontrar alguém parecido com ele nos gibis e no cinema, um super-herói, uma geografia, que dialogasse com minha vida real."

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