POLÍTICA
16/02/2018 13:08 -02 | Atualizado 16/02/2018 13:08 -02

Fundadora do PTB Mulher, Marli Iglesias, diz que Cristiane Brasil é vítima dos machistas

"A cultura moralista e machista não prevalecerá", diz Marli Iglesias, em defesa da nomeação de Cristiane Brasil para o Ministério do Trabalho.

Montagem/Câmara/PTB
"O que há de concreto contra a deputada?", questiona Marli Iglesias.

Fundadora do PTB Mulher, Marli Iglesias, acredita que a deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ), indicada para o Ministério do Trabalho, teve a posse barrada por causa do machismo no País. Em artigo publicado na Folha de S.Paulo, Iglesias argumenta que a amiga sempre foi comprometida com a coisa pública e com a participação da mulher na política.

Ela não vê motivos, além do machismo, para que a deputada não assuma o cargo. "O que há de concreto contra a deputada?", questiona.

Cristiane Brasil teve a nomeação barrada pela primeira vez pelo juiz Leonardo da Costa Couceiro, da 4ª Vara Federal de Niterói. Ele alegou desrespeito à moralidade ao nomear para o cargo de ministro do Trabalho, "pessoa que já teria sido condenada em reclamações trabalhistas, condenações estas com trânsito em julgado".

A Advocacia-Geral da União recorreu, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) autorizou a posse, mas o grupo Movimento dos Advogados Trabalhistas Independentes (Mati) conseguiu suspender a posse novamente com uma decisão da presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministra Cármen Lúcia.

De 3 de janeiro até agora, surgiram uma série de denúncias contra a deputada. Além da condenação por uma causa trabalhista, foi noticiado que ela é alvo de inquérito que apura suspeitas de tráfico de drogas e associação para o tráfico durante as eleições de 2010. A deputada nega as acusações.

No fim de janeiro, foi um divulgado um vídeo no qual ela aparece ao lado de amigos sem camisa, no qual eles reclamam da Justiça do Trabalho. Para Iglesias, a repercussão teria sido diferente se fosse um homem.

Cristiane Brasil é vítima de seu próprio desabafo, mas sobretudo dos machistas e moralistas que a sentenciaram nas redes sociais, com o apoio da mídia. Esses juízes tentam excluí-la da vida pública e macular sua imagem.

Faço o seguinte questionamento: fosse um homem, um parlamentar, cercado por quatro mulheres de biquíni, o vídeo teria a mesma repercussão negativa e insultuosa?

O congressista seria caricaturado, chamado de imoral, desrespeitoso? Ou, por ser homem, estaria tudo certo?

A fundadora do PTB Mulher afirma que o partido não aceitará que "difamem a integridade de alguém que lutou não apenas por maior presença feminina na política mas também contra toda manifestação desagradável e torpe contra a mulher".

"A cultura moralista e machista não prevalecerá", finaliza Iglesias no artigo.