ENTRETENIMENTO
14/02/2018 17:27 -02 | Atualizado 15/02/2018 00:33 -02

Beija-Flor é a grande campeã do Carnaval 2018 do Rio

Com o enredo 'Monstro é aquele que não sabe amar', escola de Neguinho da Beija-Flor consagrou-se campeã.

Desfile teve Pabllo Vitar como um dos destaques.
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Desfile teve Pabllo Vitar como um dos destaques.

Beija-Flor de Nilópolis é a grande campeã do Carnaval 2018 do Rio de Janeiro.

A apuração ocorreu na Praça da Apoteose nesta quarta-feira (14). Numa disputa ponto a ponto, a campeã obteve 269,6 pontos, um décimo a mais que a Paraíso do Tuiuti, que ficou em segundo lugar, e Acadêmicos do Salgueiro, que ficou em terceiro.

Sob o comando de Neguinho da Beija-Flor, a escola trouxe este ano o samba-enredo "Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pariu".

Desigualdade, violência, corrupção, intolerâncias de gênero, religiosa e racial foram algumas questões abordadas.

Na avenida, o público acompanhou um desfile repleto de críticas sociais numa combinação visual entre a trama do romance clássico Frankenstein, que completa 200 anos em 2018, e as mazelas do Brasil.

"A Sapucaí foi ovacionada pela alegria e emoção. A Beija-Flor fez as pessoas cantarem o samba pelo pedido de socorro. As imagens foram muito fortes, aquele teatro todo retratando o que o nosso país está passando. Foi um grito de socorro dentro de um samba-enredo", disse Raíssa Oliveira, madrinha de bateria da escola, ao G1.

Esse é o 14º título da Beija-Flor no Grupo Especial do Rio. Em número vitórias, a escola só fica atrás da Portela e da Mangueira.

Tuiuti Campeã do Povo

No Twitter, a vitória da Beija-Flor foi recebida com a hashtag #TuiutiCampeãDoPovo, uma referência à vice-campeã Paraíso do Tuiuti.

Com o enredo "Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?", a escola apresentou a história da escravidão no Brasil e fez críticas à reforma trabalhista - aprovada recentemente.

Beija-Flor na avenida

A escola lembrou o romance da autora inglesa Mary Shelley e fez um paralelo entre os motivos que levaram à criação do monstro pelo Dr. Frankenstein e as origens dos problemas no País: ambição e ganância. O enredo também comparava o abandono do monstro ao abandono do povo brasileiro.

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Na crítica à corrupção, teve a "ala dos roedores dos cofres públicos" e a dos "lobos em pele de cordeiro". A ala dos "Vampiros sanguessugas exercem seus podres poderes" também marcou presença.

A figura do vampiro também foi usada pela Paraíso do Tuiuti, como uma sátira ao presidente Michel Temer, no dia anterior. Outra escola com desfile marcado pela crítica a políticos foi a Mangueira, que comparou o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, a Judas.

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No desfile da Beija-Flor, a Petrobras foi representada por um carro com o edifício sede da empresa, que vira uma favela atrás de um grande rato, além de fantasias com barris de petróleo na cabeça.

Na avenida também foi feita uma sátira ao jantar protagonizado pelo ex-governador Sérgio Cabral, preso desde novembro de 2016. O episódio ficou conhecido como "farra dos guardanapos". A esposa do peemedebista, Adriana Ancelmo, também foi representada, usando jóias pagas com recursos desviados pelo marido.

Cartolas corruptos do futebol também foram criticados no desfile, assim como a cobrança de tributos dos brasileiros, com a ala "Imposto dos infernos", que lembrou a tributação desde o "quinto", da época da mineração de ouro.

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Um dos principais destaques da escola foi o carro "O abandono", que levou Pabllo Vittar como destaque do combate à intolerância de gênero e Jojo Todynho representando a intolerância racial.

Desfile das campeãs

No sábado (17), as escolas Paraíso de Tuiuti, Salgueiro, Portela, Mangueira e Mocidade Independente de Padre Miguel voltarão para o sambódromo no desfile das campeãs.

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