LGBT
13/02/2018 10:43 -02 | Atualizado 16/02/2018 21:23 -02

Desfile da Beija-Flor sobre intolerância tem Pabllo Vitar e Jojo Todynho

"Esse enredo veio para mostrar ‘gente, acorda’. Para a gente mudar o mundo, tem de mudar dentro de si. Eu desconstruí padrões", disse a funkeira.

Desfile da Beija-Flor tem Pabllo Vitar e Jojo Todynho.
Montagem / Reprodução / Twitter / instagram
Desfile da Beija-Flor tem Pabllo Vitar e Jojo Todynho.

Atual terceira no rol das campeãs do Rio de Janeiro, a Beija-Flor de Nilópolis fez um desfile cheio de críticas sociais na madrugada desta terça-feira (13). Com participação da funkeira Jojo Todynho e da cantora Pabllo Vitar, a agremiação falou de intolerância, desigualdade social e corrupção.

Última a entrar na Sapucaí, a Beija-Flor trouxe o samba-enredo "Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pariu". O desfile comparou o romance "Frankenstein", de 200 anos, às mazelas brasileiras.

A escola lembrou o romance da autora inglesa Mary Shelley e fez um paralelo entre os motivos que levaram à criação do monstro pelo Dr. Frankenstein e as origens dos problemas no País: ambição e ganância. O enredo também comparava o abandono do monstro ao abandono do povo brasileiro.

Na crítica à corrupção, teve a "ala dos roedores dos cofres públicos" e a dos "lobos em pele de cordeiro". A ala dos "Vampiros sanguessugas exercem seus podres poderes" também marcou presença.

A figura do vampiro também foi usada pela Paraíso do Tuiuti, como uma sátira ao presidente Michel Temer, no dia anterior. Outra escola com desfile marcado pela crítica a políticos foi a Mangueira, que comparou o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, a Judas.

No desfile da Beija-Flor, a Petrobras foi representada por um carro com o edifício sede da empresa, que vira uma favela atrás de um grande rato, além de fantasias com barris de petróleo na cabeça.

Na avenida também foi feita uma sátira ao jantar protagonizado pelo ex-governador Sérgio Cabral, preso desde novembro de 2016. O episódio ficou conhecido como "farra dos guardanapos". A esposa do peemedebista, Adriana Ancelmo, também foi representada, usando jóias pagas com recursos desviados pelo marido.

Cartolas corruptos do futebol também foram criticados no desfile, assim como a cobrança de tributos dos brasileiros, com a ala "Imposto dos infernos", que lembrou a tributação desde o "quinto", da época da mineração de ouro.

Intolerância e diversidade

O carro "O abandono" trouxe Pabllo Vittar como destaque do combate à intolerância de gênero e Jojo Todynho representou a intolerância racial.

😍 @pabllovittar @beijafloroficial #carnaval2018 #beijaflordenilopolis

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A cantora contou que estava muito honrada e que era o melhor carnaval da vida dela. "O carnaval é um espaço em que se deve falar sobre temas ligados à tolerância", afirmou.

Em entrevista na avenida, Jojo Todynho também também deu seu recado.

O desamor está muito grande. A falta de respeito ao próximo. Esse enredo veio para mostrar 'gente, acorda'. Para a gente mudar, o mundo tem de mudar dentro de si, senão nada vai mudar. Eu desconstruí padrões.Jojo Todynho

Em exaltação à diversidade, o desfile contou também com uma ala em que homens e mulheres trocavam de roupa entre si.

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