POLÍTICA
12/02/2018 16:22 -02 | Atualizado 13/02/2018 17:09 -02

Temer de vampiro, Crivella de Judas e a reforma da Previdência na avenida

E houve quem achasse que os brasileiros iam esquecer a crise política na folia...

Escolas de samba satirizam políticos na avenida.
Montagem/Reprodução/Twitter
Escolas de samba satirizam políticos na avenida.

Um impeachment, um julgamento de cassação da chapa presidencial, duas denúncias contra o presidente da República e inúmeros delatores na Operação Lava Jato. No quarto ano da crise política e a oito meses das eleições, não faltou crítica aos governantes nem nos dia de folia.

Como prometido, o desfile da carioca Paraíso do Tuiuti, na madrugada desta segunda (12), não pegou leve. O ponto alto do enredo "Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?" foi o "presidente vampiro" do neoliberalismo no último carro da escola, o navio "neo tumbeiro", em uma sátira a Michel Temer.

O personagem foi representado pelo professor de história Léo Morais ,que trabalha como assistente do carnavalesco Jack Vasconcelos, responsável pelo convite.

O pato da Fiesp (Federação da Indústria do Estado de São Paulo), símbolo dos protestos pró-impeachment de Dilma Rousseff, também estava na avenida. Só que de manifestantes fantoches.

Os paneleiros também foram tema de fantasias nos bloquinhos.

Já a reforma trabalhista foi satirizada pela Paraíso do Tuiuti com carteiras de trabalho sujas, nas fantasias e no carro alegórico. A comissão de frente da escola, por sua vez, cantou: "Não sou escravo de nenhum senhor; Meu Paraíso é meu bastião; Meu Tuiuti o quilombo da favela; É sentinela da libertação".

O desfile foi sucesso dentro e fora da avenida.

As críticas não ficaram só em nível federal. O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, também foi alvo dos foliões, no desfile da Mangueira, na madrugada desta segunda, com o enredo "Com dinheiro ou sem dinheiro, eu brinco".

Crivella foi representado por um boneco de Judas, no último carro, com os dizeres "Prefeito, pecado é não brincar o carnaval"e a placa "Pega no Ganzá".

No primeiro carro, uma alegoria trazia a frase"Olhai por nós, o prefeito não sabe o que faz", uma referência a alegoria que traria um Cristo Redentor com mendigos no desfile de 1989 da Beija-Flor de Joãosinho Trinta.

Antes do desfile, o presidente da Mangueira, Chiquinho da Mangueira, criticou o prefeito. "Ele menosprezou o maior espetáculo da terra. Ele desvalorizou o maior espetáculo da cidade que ele é prefeito. O carnaval vem sendo desrespeitado. É o maior carnaval do mundo e o prefeito nem aqui vem", afirmou.

O prefeito evangélico sofreu duras críticas dos carnavalescos após anunciar um corte nos recursos para o carnaval desde ano. De acordo com ele, cerca de R$ 13 milhões que iriam para as agremiações foram destinados a creches.

Crivella embarcou neste domingo (11) para a Europa. Na sexta-feira (9), ele esteve na Avenida Marques de Sapucaí, onde foram feitas vistorias no Sambódromo. Ele também participou da entrega das chaves da cidade ao Rei Momo, feita pelo presidente da Riotur, Marcelo Alves.

Na noite de sábado (10), a X-9 abriu os desfiles no Anhembi, em São Paulo, com o carro "A Casa da Mãe Joana". A alegoria trazia foliões vestidos de juízes e políticos com malas de dinheiro e notas na cueca. Alguns vestiam a faixa presidencial.

Reforma da Previdência

Se a avenida não poupou os políticos, não foi diferente nas ruas. Em Brasília, o bloco Pacotão, que sai desde 1978, protestou contra a reforma da Previdência.

Uma pilha de dinheiro similar à usada na divulgação do filme Lava Jato – A Lei é Para Todos foi montada na altura da 302 Norte. As notas falsas ocupam cerca de 6m². A pilha chega a quase 4 metros de altura.

De acordo com a Fenapef (Federação Nacional dos Policiais Federais), que promoveu a ação em parceria com a Frente Nacional contra a Reforma da Previdência e o Movimento Acorda Sociedade, a pilha de dinheiro representa os valores renunciados pelo Governo, as dívidas dos bancos com a União e o dinheiro envolvido em esquemas de corrupção.

Formado por jornalistas que debochavam do "Pacote de Abril", lançado pelo governo de Ernesto Geisel, o Pacotão é conhecido pela sátira política em seus desfiles.

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