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12/02/2018 17:51 -02 | Atualizado 12/02/2018 17:52 -02

Roraima terá o dobro de militares na fronteira e hospital para venezuelanos

“Os venezuelanos vão criar problemas para outros estados brasileiros se não tomarmos providências”, afirmou Michel Temer.

Venezuelanos refugiados aguardam doação de comida em Boa Vista, Roraima.
Nacho Doce / Reuters
Venezuelanos refugiados aguardam doação de comida em Boa Vista, Roraima.

Em uma tentativa de dar fim à crise que levou cerca de 40 mil venezuelanos para Boa Vista, capital de Roraima, o governo de Michel Temer anunciou nesta segunda-feira (12) que irá dobrar número de militares na fronteira e instalar um hospital de campanha para atender aos refugiados.

De acordo com o presidente, será editada uma medida provisória (MP) para garantir recursos para o estado. Ele disse também que será montado um comitê de acompanhamento da situação, com coordenação nacional.

Em discurso em reunião no Palácio Senador Hélio Campos, sede do governo de Roraima, Temer disse que vir pessoalmente ao estado permitiu a ele uma visão mais concreta do problema. O presidente, contudo, não caminhou pelas ruas da cidade.

De acordo com o peemedebista, o Brasil não irá fechar as fronteiras para os refugiados, mas é preciso conter a crise para que ela não atinja outros estados. Ele disse ainda que a intenção é que os venezuelanos sejam conduzidos a outras unidades da Federação.

"Os venezuelanos vão criar problemas para outros estados brasileiros se não tomarmos providências. Este é o aspecto principal. Precisamos preservar as fronteiras e os empregos dos brasileiros, mas não podemos deixar de receber os refugiados que vem para cá em situação de miserabilidade absoluta".

Governadora do Estado, Suely Campos, entregou um documento com 11 medidas em resposta à crise migratória. Elas incluem ações mais rigorosas de controle na fronteira, doação de veículos e equipamentos para aprimorar o trabalho das forças de segurança de Roraima, aumento de efetivo da Polícia Federal (PF) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF), e atuação do Exército brasileiro no policiamento ostensivo em Pacaraima, cidade que faz fronteira com a Venezuela.

A governadora fez um apelo para conseguir ajuda federal e pediu R$ 15 milhões para todas as ações relacionadas ao fluxo migratório."Existe a conexão com o crime organizado comandado por venezuelanos, entrando na esfera da segurança nacional", disse após se reunir com Temer.

De acordo com dados da prefeitura de Boa Vista, os 40 mil venezuelanos que vivem hoje na cidade representam mais de 10% dos 330 mil habitantes da capital. Em 2017, foram registrados 17.130 pedidos de refúgio pela Polícia Federal.

A crise migratória provou também manifestações de xenofobia. No caso mais recente, um homem ateou fogo em uma família de venezuelanos. Ele disse que estava com "raiva" dos imigrantes.

Os imigrantes fogem da grave crise econômica e política que assola o país. A inflação chega a 700% ao ano e os venezuelanos sofrem com um desabastecimento generalizado de produtos.

Também participaram da reunião desta segunda os ministros Raul Jungman (Defesa), Torquarto Jardim (Justiça), Moreira Franco (Secretaria-geral da Presidência), e o general Sergio Etchegoyen (GSI), além da prefeita da capital Teresa Surita (PMDB), do senador Romero Jucá (PMDB), e do prefeito de Pacaraima, Juliano Torquato (PRB).

Em visita a Boa Vista na semana passada, Torquato Jardim, anunciou um uma proposta para absorver a mão de obra de venezuelanos na região.

Beto Barata/PR
Governadora de Roraima, Suely Campos, em reunião com ministro Raul Jungman (Defesa) e presidente Michel Temer.

Protestos contra Temer

Um dia após ser satirizado no desfile da Paraíso do Tuiuti, Temer foi alvo de protestos ao chegar para a reunião em Boa Vista. Um grupo de cerca de 300 pessoas, de acordo com organizadores, criticou a privatização da Eletrobras e a falta de políticas do governo federal para o estado que sofre com a crise migratória e com apagões constantes por não estar ligado ao Sistema Energetico Nacional.

O presidente não passou pelo protesto, que também criticava o senador Romero Jucá, porque entrou pela parte dos fundos da sede do governo estadual.

A manifestação foi organizada por entidades sindicais, como CUT (Central Única dos Trabalhadores) e Sintauf (Sindicato dos Técnicos Administrativos da Universidade Federal de Roraima).

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