ENTRETENIMENTO
06/02/2018 17:36 -02 | Atualizado 06/02/2018 17:41 -02

Você precisa ouvir SZA: A cantora esquecida pelo Grammy, mas amada por Rihanna e Beyoncé

“Não tenho mais medo do tipo de coisa que me assustava antes.”

O álbum de estreia de SZA, Ctrl, foi um dos lançamentos mais elogiados de 2017, e a cantora não dá sinais de estar querendo reduzir seu ritmo de trabalho. Ela conversou com o HuffPost antes do Grammy deste ano, falando do que pretende fazer diferente com o segundo álbum e sobre sua nova colaboração com a Gap.

Gap

Se você não está por dentro das novidades ligadas a SZA, agora é um bom momento para se informar.

Depois de compor faixas para artistas como Beyoncé, Travis Scott e Rihanna, no ano passado a cantora e compositora lançou seu aguardado álbum, Ctrl, universalmente aclamado pela crítica. A seguir vieram impressionantes cinco indicações ao Grammy 2018* (a título de comparação, foram mais que Ed Sheeran, Coldplay ou qualquer outra artista mulher receberam este ano).

2018 já começou bem para SZA: a marca Gap a convidou para participar de sua campanha Logo Remix, repleta de celebridades, dizendo que ela é alguém que está "refazendo a mixagem da cultura" com suas contribuições musicais.

"Não estou fazendo isso sozinha", disse a cantora – seu nome completo é Solána Imani Rowe --, quando lhe perguntamos sobre a campanha. "É nossa cultura que está passando por uma transformação própria."

"Não sei que diabos está acontecendo com nossa cultura. É uma coisa bizarra. Ela está se digitalizando e ficando mais analógica, ao mesmo tempo."

"Acho que as pessoas fazem parte dessa transformação e desse clima. Me sinto honrada por ser considerada qualquer coisa!"

Nunca imaginei que as pessoas se identificariam com meus pensamentos aleatórios... Me sinto grata por não estar sozinha."

Fica claro que SZA reluta em reconhecer o impacto que já está tendo sobre a cultura americana, neste momento tão inicial de sua carreira. Mas o fato é que Ctrl foi um dos trabalhos de estreia mais festejados de 2017, graças em grande medida às letras confessionais e francas da artista.

A honestidade de suas letras é algo que a converteu em uma das vozes novas mais sedutoras dos últimos anos, mas SZA (caso você esteja querendo saber, isso se pronuncia "siza") admitiu que nunca imaginou que as pessoas iriam se identificar com seus "pensamentos aleatórios", como ela os descreve.

"Sinceramente, não imaginei que este álbum seria bem recebido, nem um pouco. Honestamente, me sinto grata por não estar sozinha, porque as pessoas não me acham uma m...a e não acham que meus pensamentos não fazem sentido.

"Pensei que eu estava sendo aleatória, caótica, mas outras pessoas não me sentiram assim. É espantoso."

Ainda na fase inicial de uma carreira que, tudo indica, será promissora, os chamados "pensamentos aleatórios" de SZA levaram uma multidão de fãs devotos a agora enxergá-la como uma voz influente, algo que a própria cantora evidentemente não encara como evidente.

Pelo fato de ter ficado tão popular recentemente, SZA diz que agora pensa mais antes de abrir a boca, em vez de "reagir aos tópicos de modo hiper-emocional ... o que é algo que não ajuda a fazer nada avançar".

Ela explica: "Como minha voz agora é ouvida, preciso tomar cuidado com as ondas que crio, preciso tomar cuidado até com meus pensamentos. Ser impulsiva é egoísmo, sabe".

"Apesar de que também é importante ter carta branca e ser eu mesma, me sinto superligada às pessoas que me respeitam."

Enquanto conversamos, a cantora se prepara para o Grammy, onde deve se apresentar pela primeira vez ("enquanto conversamos estou fazendo meus cabelos e as unhas para a noite de entrega dos Grammy. É bizarro pensar que isso está acontecendo.").

Ela reluta em revelar qualquer coisa sobre o que podemos esperar de sua apresentação, dizendo apenas que vai "tentar algo que eu sempre quis tentar, tecnologicamente". Mas é evidente que o Grammy será um marco em sua carreira e é algo que ela está determinada a tratar com a importância merecida.

E isso é sem sequer incluir no cálculo o fato de que ela tem cinco chances de conseguir um prêmio na noite.

Michael Buckner/Variety/REX/Shutterstock

Falando da possibilidade de ser premiada, ela diz: "Eu me sentiria profundamente honrada. Significaria que estou no rumo certo.

"Acho que toda minha vida sempre fiquei procurando um sinal de que estou no rumo certo.

"Mas o simples fato de ter sido vista como candidata já é esse sinal. Então já estou superfeliz. Estou tão agradecida, tão grata."

"Acho que tudo o que fiz até agora me preparou para este momento, este dia, esta apresentação, esta experiência. Então... não sei o que dizer às pessoas, porque nem sei o que esperar. Espero apenas que seja o ponto culminante de todas minhas experiências e tudo que já aprendi."

Ainda navegando a onda do sucesso de Ctrl, SZA já está pensando no futuro, em seu próximo lançamento. Ela rejeita completamente a ideia de que o sucesso de seu primeiro trabalho tenha aumentado a pressão em relação ao próximo. Na verdade, o que acontece parece ser o oposto disso.

Como minha voz agora é ouvida, preciso tomar cuidado com as ondas que crio.

SZA falou francamente no passado sobre como foi difícil o processo de criar Ctrl, devido às suas inseguranças e seus problemas de ansiedade. A impressão é que desta vez ela está mais energizada.

"Estou determinada a fazer deste próximo álbum o melhor de minha vida. Sei exatamente onde errei [com Ctrl] e... bom, ninguém sabe exatamente onde errou, mas sei o que eu poderia ter feito melhor e sei exatamente o que quero fazer agora.

"Não tenho medo das coisas, como tinha antes. Estou muito mais animada para fazer o álbum."

Foi a qualidade pessoal de suas letras que a empurrou para o sucesso, mas SZA disse que com a música que está criando agora ela está com um enfoque mais voltado ao mundo externo, escrevendo "a partir de uma perspectiva e um fluxo de consciência diferentes".

"O que me inspira agora não é tanto o que aconteceu comigo, mas mais o que vejo acontecer no mundo", ela explica. "No último ano li tantas reportagens loucas que partiram meu coração, coisas que eu mal podia acreditar estão acontecendo no mundo. Crianças no mundo aparecendo mortas e sem endereço – coisas bizarras.

"Então estou escrevendo da perspectiva interna e externa. Tenho muitos pensamentos que preciso pôr para fora."

Gap

Mas SZA diz que, ao mesmo tempo em que está se expondo a mais riscos com sua música daqui em diante, ela rejeita a ideia de que esta será sua chance de tentar "mudar o pensamento" de outras pessoas.

"Não dá para mudar o pensamento de ninguém em relação a qualquer coisa", ela insiste. "Você só pode amplificar sua voz, para que você possa pelo menos gerar uma pequena onda.

"E então sua ondinha faz o que precisa fazer, afeta quem tem que afetar, faz uma conexão com as pessoas e se espalha para outras pessoas. Mas a ideia não é fazer ninguém mudar de opinião. Isso é impossível."

Já berrei com outras pessoas para convencê-las a reagir a certas coisas do mesmo jeito que eu reajo ... e não adiantou nada, na realidade.

Ela prossegue: "Já berrei com outras pessoas para convencê-las a reagir a certas coisas do mesmo jeito que eu reajo e fazê-las sentir que são estúpidas porque acreditam no que acreditam. E não adiantou nada, na realidade.

"Acho que sou um rosto público que defende as coisas que são muito importantes para mim. Mas não penso que eu precise criar uma finalidade para mim mesma.

"Acho que todo o mundo já tem uma finalidade criada para si... você, eu, todo o mundo. Só precisamos realmente amplificar nossa voz e sentir aquela confiança em nós mesmos, para realmente liberarmos nossa finalidade na vida. Acabo de entender que é isso que a gente precisa fazer.

"Então nem sequer sei ainda para onde tenho que ir daqui para frente. Mas vamos ver."

*SZA concorreu em 5 categorias do Grammy 2018, mas não levou troféus para casa.

Assista à performance de SZA no Grammy 2018:

Veja abaixo o filme Logo Remix da GAP: