COMPORTAMENTO
02/02/2018 15:09 -02 | Atualizado 07/02/2018 10:07 -02

Como sobreviver a um grupo de mães e pais no WhatsApp

Silenciar as notificações por três décadas não será suficiente

Veja dicas para sobreviver ao grupo de mães e pais no Whatsapp .
Todor Tsvetkov via Getty Images
Veja dicas para sobreviver ao grupo de mães e pais no Whatsapp .

Típico exemplo de "se correr o bicho pega, se ficar o bicho come", o grupo de mães e pais do WhatsApp é aquele lugar em que é preciso seguir uma etiqueta toda particular, a fim não só de garantir a própria sobrevivência, mas também de evitar que seu filho ou filha morra de vergonha dos pais que tem. Porque, ao contrário de Vegas, o que acontece no grupo não fica no grupo, amiguinhos.

Portanto, comporte-se, tire 10 e chegue são e salvo ao final do ano letivo – nada de "morreu, mas passa bem". Confira oito dicas de ouro para sobreviver ao rolê.

1) Fale, mas com moderação

Mãe é uma criatura que não para de falar, isso todo mundo, então imagine como é um lugar onde só existem basicamente mães, e sem limites de caracteres: este infern... digo, paraíso, é o mundialmente conhecido Grupo de Mães – e Pais - do Wtsp (GMPW para os íntimos). Para sobreviver a esta fantástica reunião, o segredo é manter uma estratégia. Você não quer que todo mundo pense que você não existe, então é importante aparecer de vez em quando, soltar um comentário aleatório, fazer uma pergunta qualquer sobre a lição de casa. Mas, cuidado, você também não quer aparecer demais, porque o preço de ser popular no GMPW é a necessidade de interação infinita.

"Você tá falando comigo?"

2) Silencie as notificações

Escolha um barulhinho bem lindo para tocar toda vez que alguém mandar mensagem no GMPW, tipo a gargalhada de um bebê, um miado de um gatinho, uma música clássica bonita. De qualquer maneira, prepare-se para, em poucos dias, odiar para sempre aquele barulhinho lindo que você tanto amava. É que ele vai tocar todos os dias, os dias inteiros, sem sossego. Seu celular vai apitar naquela reunião importante com o cliente, no metrô, no meio da novela, durante o sexo. Porque sempre tem uma mãe com dúvida, ou avisando sobre alguma coisa, ou mandando uma foto fofa do coleguinha do seu filho comendo sorvete depois do jantar daquela noite. E, pra que sua vida não vire uma sinfonia de toques de WhatsApp da manhã até a madrugada, o único jeito é silenciar as notificações o máximo possível.

Onde fica a opção "silenciar por trinta anos"?

3) Participe das vaquinhas

O calendário está aí para quem quiser ver, esfregando na nossa cara aquele monte de data comemorativa. Porque não é só no Dia dos Professores que os professores têm que ganhar presente (essa é uma verdade que você só descobre depois que se tem filhos). Professor curte lembrancinha também na Páscoa, no Dia das Mães, no Dia dos Pais, no Natal, no fim do ano, no Dia do Índio, em Tiradentes. Ah, sim, e não se esqueça de que é preciso comprar presente para não só para a professora, mas para a auxiliar, para a moça da cantina, para o instrutor de Educação Física, para o moço da perua, o segurança do portão da manhã, o segurança do portão da tarde, a secretária legal da tesouraria que quebra aquele galho quando a mensalidade atrasa. As mães sempre se cotizam para rachar essas despesas. Ok se vez ou outra você quiser presentear individualmente os profissionais, mas, dica de amiga, na maioria das datas, pega bem participar das vaquinhas com a galera.

Bichas, paguem meu dinheiro.

4) Reaja, mulher!

Quando eu era pequena, havia a história de que traficantes colocavam cocaína nas balas que vendiam na porta do colégio, e a gente ficava procurando furinhos em cada uma do pacote, atrás de evidências. Eu achava que nenhuma geração seria mais criativa do que aquilo – e eu, obviamente, estava bastante enganada. Não passa uma semana sem que surja uma história bizarra no GMPW falando de coisas que colocam nossas crianças em perigo. Embora você possa ser o maior manjador dos rolês de notícia falsa da internet, a etiqueta manda que você pareça ligeiramente chocado com todos os boatos que vão postar no grupo. Diga algo, nem que seja só um "nossa!", quando alguém falar que a vizinha do cunhado do colega de trabalho da prima dela ouviu dizer que a vacina da febre amarela é coisa dos Illuminati, ou que sequestraram a diretora do colégio ontem com um helicóptero, ou que o pipoqueiro da frente da escola anda botando maconha junto com o milho na panela.

"Você é Fake News"

5) Amigues

Mãe e pai só é mãe e pai presente de verdade se passa perrengue com a garotada. Um dos mais clássicos é aquele quando a babá não aparece, o tio da van esquece o moleque, a vó tem compromisso e não vai poder olhar ninguém, me deixem em paz, obrigada. Com quem fica a criança, meu Deus do céu? O GMPW é sensacional nesse sentido, porque sempre tem alguém disposto a ajudar. Parece aquelas comunidades hippies dos anos 70, povo cuidando de 35 crianças ao mesmo tempo, sem reclamar nem perguntar quem é filho de quem. Mas, para essa rede de apoio funcionar, é necessário que você seja uma criatura legal – como deveria ser, basicamente, com tudo na sua vida. Se quer ser ajudado quando sua hora chegar, também esteja presente e ajude quando alguém precisar, seja para levar ou buscar na escola, para tomar conta por algumas horas etc. Pode apostar: seu dia de precisar de uma força vai chegar, e sem as mães e pais amigues do grupo, bicho, você estará na roça.

Hoje está mais fácil, que só tem dois, ontem eram 14 e achei um pouco mais difícil, disse um pai do GPMW.

6) Consciência, a gente vê por aqui

Se o Junior amanhecer com aquele febrão, garganta doendo, vômitos tipo do Exorcista, seja consciente e avise as outras mães e pais sobre a doença do moleque. Assim, eles podem ficar de olho nos sintomas para saber se os filhos também pegaram o piriri que o seu pegou. Esse é um bom jeito de evitar surtos na classe, e também de entender o que pode ser aquele mal-estar do qual a criança está reclamando desde ontem na hora da saída.

"Eu vomitei!"

7) Que tiro foi esse?

Não tome partido – e não estamos falando de política, embora essa também seria uma boa dica, de não debater candidato, Lava Jato ou superfaturamento da obra do metrô, para não criar climão à toa. Mas a ideia geral aqui é sugerir que você não se envolva em quebra-paus alheios. A menos que seja para botar panos quentes e seguir o baile, não se manifeste. Não dê palpite quando dois pais ou mães se desentenderem, ou quando alguém comentar que duas crianças não estão se dando lá muito bem. E, se por acaso, o filho em um dos cantos do ringue for seu, mantenha a compostura e a educação, e não compre briga com a mãe da criança. Amanhã os pirralhos voltaram a ser amigos e você vai ter que carregar a inimizade com os Capuletto para todo o sempre.

#jáacaboujessica?

8) Não se apegue demais

O grupo é, sim, uma desgraça, mas é maravilhoso ao mesmo tempo. Porque você vai se dar conta de que é possível fazer e manter amizades maravilhosas lá. No entanto, não se apegue demais (especialmente se você for uma mãe canceriana), porque ano que vem vai trocar tudo, e talvez sua filha não caia mais na mesma sala que as amiguinhas de sempre. Daí dá-lhe choradeira, você todo #chateado com saudade do GMPW do Segundo Ano B.

"Eu queimei sua casa, pra gente poder morar juntos"

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