POLÍTICA
02/02/2018 12:35 -02 | Atualizado 02/02/2018 13:00 -02

5 vezes em que a autoestima de Temer foi imbatível

"Gostaria de ter 80% de aprovação?' Eu gostaria, mas a vida é difícil, não é?”

Presidnete Michel Temer em cerimônia no Palácio do Planalto.
Adriano Machado / Reuters
Presidnete Michel Temer em cerimônia no Palácio do Planalto.

Ele foi considerado o presidente com maior taxa de rejeição do mundo pelo grupo de análise política Eurasia e chegou a ter a gestão considerada boa ou ótima por apenas 3% dos brasileiros, segundo pesquisa CNI/Ibope. Ainda assim, a autoestima do presidente Michel Temer segue inabalável.

Se os números de aprovação são baixos, Temer ensina a olhar pelo lado positivo. Em entrevista à Rádio Metrópole de Salvador (BA), nesta quarta-feira (31), ele admitiu que há que "não vá com a cara" dele, mas disse que prefere focar na recuperação da economia.

As vezes as pessoas, se você me permite aqui a expressão livre, "não vão com a minha cara". Sempre dizem: "esse Temer, eu não vou com a cara dele". Aí, tudo bem, não tem problema nenhum, o problema é analisar o que é que está sendo feito. Vamos analisar friamente. E nós pegamos uma recessão medonha, uma recessão extraordinária. O País estava à beira do colapso. E nós estamos recuperando pouco a pouco, de modo que esses Democratas estão conosco até o final.

Sucesso em Davos

Em 24 de janeiro, a Bolsa brasileira fechou acima dos 83 mil pontos pela primeira vez na história. O Ibovespa, índice das ações mais negociadas, teve alta de 3,72%, para 83.680 pontos, em novo recorde nominal. Já o dólar recuou para R$ 3,16.

Temer, que estava em no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, atribuiu o sucesso ao seu desempenho. "Acho que o discurso teve boa repercussão, pelo que estou percebendo, e acho que foi muito exitosa nossa vinda para cá" disse a jornalistas.

No Brasil, contudo, a avaliação é que o mercado financeiro reagiu com euforia à confirmação da condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Acionistas veem com apreensão uma candidatura de Lula, com risco à estabilidade fiscal do País.

Denis Balibouse / Reuters
Presidente Michel Temer discursa no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.

A culpa é da vergonha

As pesquisas podem mostrar baixa popularidade, mas o presidente prefere acreditar em sondagens que encomenda.

No café da manhã com jornalistas no fim de ano, em 22 de dezembro, ele disse que tem brasileiro que aprova o governo, mas não diz publicamente por vergonha.

"A questão da corrupção prejudicou muito o governo e prejudica muito a popularidade, porque uma pesquisa que eu pedi, em caráter particular, revela que as pessoas têm vergonha de dizer, embora aprovem o governo, têm certo pudor, porque pensam: 'poxa, esse governo corrupto, todo mundo é corrupto, a classe política é corrupta".

Temer foi alvo de duas denúncias por corrupção, obstrução à Justiça e acusação de comandar organização criminosa. A Câmara arquivou os dois processos.

A frase do peemedebista serviu até de inspiração para as resoluções de Ano Novo.

'A vida é difícil'

As lições de resiliência não param. Ao completar um ano de governo, questionado se a impopularidade não incomodava, respondeu, em entrevista ao jornal O Globo: "'Gostaria de ter 80% de aprovação?' Eu gostaria, mas a vida é difícil, não é?"

Na época, em maio de 2017, ele chegou a dizer que a impopularidade "Sem dúvida alguma vai reverter". Pesquisa CNI/Ibope de março mostrava que 10% consideravam a gestão boa ou ótima.

AFP/Getty Images
Protesto contra Michel Temer na votação da primeira denúncia do presidente.

Nem com clamor popular

Também em maio de 2017, o peemedebista disse que não seria candidato em 2018 nem com clamor popular. Em entrevista coletiva a rádios regionais transmitida pela EBC, disse "se o povo pedir, vou dizer que cumpri bem minha missão nesses dois anos".

Uma eventual candidatura de Temer, contudo, não é descartada no Planalto, que não tem candidato oficial do governo ainda.

Pesquisa Datafolha divulgada nesta quarta, por sua vez, mostra o presidente com apenas 1% das indicações de voto. Ainda de acordo com a sondagem, ele é o mais rejeitado entre os presidenciáveis (60%) e 87% não votariam em um candidato apoiado pelo peemedebista.

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