OPINIÃO
28/01/2018 12:37 -02 | Atualizado 28/01/2018 23:14 -02

HuffPost Brasil completa 4 anos com um País completamente diferente de 2014

E temos pela frente o desafio de cobrir uma das eleições mais importantes das últimas décadas.

Ueslei Marcelino / Reuters
Dilma Rousseff e Lula comemoram a reeleição dela em outubro de 2014.

Em 28 de janeiro de 2014, o HuffPost foi lançado oficialmente no Brasil.

Há exatos quatro anos, a então presidente Dilma Rousseff era a líder nas pesquisas de opinião para ser reeleita naquele ano. Mas as Jornadas de Junho, os protestos que sacudiram o País em 2013, haviam deixado um legado de insatisfação nas ruas.

Uma série de manifestações organizadas sob a bandeira #NãoVaiTerCopa questionava os gastos bilionários do governo federal com a Copa do Mundo de 2014. Saúde e educação foram relegados a segundo plano enquanto se finalizava a construção de estádios suntuosos, que podiam se tornar verdadeiros elefantes brancos (como se tornaram).

Lava-jato era, até aquele momento, apenas uma referência a serviço de lavagem de carros. Foi empreendida em março de 2014 a primeira grande operação da Polícia Federal para desbaratar organizações criminosas de doleiros. Logo foram presos Alberto Youssef e o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa. Naquele momento, policiais, procuradores e juízes federais começavam a entender o maior esquema de corrupção já descoberto no País. O petrolão foi engendrado por políticos e encampado por um cartel de empreiteiras que se refestelaram com dinheiro da estatal. Mais de R$ 40 bilhões de prejuízo para o erário.

Lula, que deixara a Presidência quatro anos antes com popularidade recorde de 87%, não estava associado a qualquer denúncia de corrupção ou de lavagem de dinheiro. O tríplex do Guarujá, o sítio em Atibaia, reformas personalizadas com selo OAS ou Odebrecht... A janeiro de 2014, a opinião pública não tinha pistas sobre a relação nada republicana entre o petista e as empreiteiras contratadas pela Petrobras.

Michel Temer era apenas o vice decorativo de Dilma. Elogiado por ela na campanha de 2014 como uma "pessoa experiente, séria, que tem uma tradição política", estava longe de parecer o "conspirador golpista" em que se transformou após o impeachment dela. Ninguém podia imaginar que ele se tornaria o presidente mais impopular do mundo.

Eduardo Cunha, apesar do histórico de atuação política nos bastidores, não era figurinha carimbada na imprensa. O articulador do futuro centrão da Câmara dos Deputados não havia chegado ao ápice — como principal adversário da presidente em seu mandato interrompido — nem ao ocaso — condenado e preso por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Aécio Neves, o principal concorrente de Dilma na campanha de quatro anos atrás, se apresentava como o candidato da "ética do início ao fim". As conversas comprometedoras com o dono da JBS Joesley Batista, com pedido de dinheiro e ameaça de morte, vieram bem depois.

Nos últimos quatro anos, o cenário político e econômico mudou completamente no Brasil. A crise nas finanças do Estado e da população avançou, dois anos de recessão, desemprego nas alturas. Retumbou a indignação com a falta de dinheiro no bolso dos cidadãos e com o excesso de dinheiro no bolso dos políticos.

Pedaladas, panelaços, o maior protesto da História, patos da Fiesp, a interminável Operação Lava Jato, teto de gastos, reformas.

O vocabulário da sociedade brasileira em 2018 é muito mais complexo do que tínhamos em 2014.

E, por isso, o HuffPost Brasil tem neste ano o desafio da cobertura de uma das eleições mais importantes das últimas décadas.

Em um Brasil polarizado, em que o diálogo está interditado e as fake news prosperam, cresce a importância de nosso papel como veículo de comunicação.

Precisamos ouvir todas as vozes em confronto na esfera pública, contextualizar suas demandas, checar os dados utilizados por elas.

Por meio de um jornalismo plural e responsável, acredito que possamos contribuir para o fortalecimento da nossa jovem democracia e para a construção de um País melhor.

Quem são os presidenciáveis de 2018